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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


O acto público de "usurpação" da Escola Primária de Parada de Corgo

por cunha ribeiro, Terça-feira, 31.10.17

 

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às 15:54

Castanhas da Abelheira

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 23.10.17

Castanhas da Abelheira

 


Levito nas asas do tempo e regresso ao paraíso da infância em Parada do Corgo.
Outono. Rajadas de vento arrastam chuvas torrenciais. O céu da aldeia fumega por sobre os telhados.

- Mãe, amanhã sempre vai às castanhas?

- Vou, filho.

- Posso ir?

- Mas olha que eu vou muito cedo!

- Está bem, chame por mim.

Ceávamos. No prato, batatas com casca assadas nas brasas, depois de cozidas, no pote, por entre castanhas da Abelheira. Da almontelia escorrera, fininho, um fio de azeite de Vila Flor. Depois, uma colher de vinagre caseiro. O garfo ia amassando e trazendo à boca aquela delícia. Na fogueira, zogas e ramos secos de giesta aqueciam a casa de lés a lés. Lá fora, o vento soprava, assanhado, vindo dos lados de Braga. As bátegas de água que ele empurrava zurziam nas telhas, escorriam pelos beirais, engrossavam os regos, entupiam caleiros, e inundavam as hortas e as levadas.

- Tu vê lá! ( Advertiu minha mãe)

Não custou nada pedir. O pior foi de manhã:

- Então, sempre vens?

- Sim ...(Respondi mergulhado num sono desgovernado).

Sem realmente acordar, integrei o pequeno diálogo no meu devaneio. Minha mãe insistiu, batendo à porta do quarto:

- Vens ou ficas?

Comecei a acordar aos pouquinhos, por isso abri a boca e respondi num bocejo:

- Vou, mãe, é só um cibinho.

Vesti-me à luz da vela, pois o temporal fizera das suas.

- É melhor levares a samarra!

De samarra abotoada, com a gola a esconder o rosto até ao nariz, saí em corrida, morto pra ver as castanhas e os castanheiros. Minha mãe conhecia bem o caminho, cheio de pedras, algumas bem aguçadas, e alertou logo à saída:

- Tu vai devagar! Se cais, não há quem te leve à farmácia!

Levava uma cesta suspensa no braço esquerdo e, com medo da minha escaravelhice, segurou-me bem com a outra mão. O vento era agora mais brando, parecendo tolhido pelo cansaço de uma noite inteira a soprar. A chuva também dera tréguas. As ruas, os regos e os caleiros estavam entulhados com o lixo que a água arrastara e fora deixando pelo caminho.

Subimos pelo cimo da aldeia até à beira da Escola, passámos junto às Almimhas. Minha mãe fez o sinal da cruz e rezou. Não me obrigou a rezar. Coisa rara! Deixou-me à vontade com os meus pensamentos ... saboreava o prazer de ir às castanhas em vez de mais uma sessão de tabuada na escola. Porém, era sábado...

O caminho apertava e subia cada vez mais. De um lado, os soutos da Esculca, do outro, as bouças do sopé da Veiguinha. Passa um burro por nós. Sem dono. Espavorido. Quem sabe se a fugir de um lobo.

Dez minutos depois, eis-nos a atravessar o ribeiro da Esculca, a iniciar uma pequena subida. Um pouco acima, parámos.

- É aqui!

A Abelheira era um souto em ladeira, com meia dúzia de castanheiros que medraram e envelheceram junta a uma bouça e do caminho pra Montenegrelo. O terreno restante ficara livre pra outras colheitas, como o centeio.

O castanheiro do fundo era dos mais antigos. O tronco largo apodrecera por dentro. Por fora, a toda a largura, o viço vindo da terra subia ainda em pleno vigor até aos ramos, sempre carregados de ouriços de onde caíam gordas castanhas.

A noite de ventania fizera um grande trabalho: milhares de castanhas jaziam por terra, já fora do seu casulo. Outras ainda lá estavam, muito escondidas.

- Pisa em cima do ouriço, que elas saem ! ( Aconselhou minha mãe)

E assim era: com a pressão do pé e o peso da chanca os ouriços iam cedendo, deixando soltar as castanhas. Umas vezes saía uma, outras aos pares como gêmeas.

Chegámos ao castanheiro final O mais jovem. Minha mãe deu-me a honra da última castanha.

Ofereci-me para ajudar no transporte. Minha mãe, com diplomacia:

- Prá próxima. Deixa primeiro fazer-te um saquinho.

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às 22:39

E tudo o tempo levou

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 05.10.17

MÃO CALEJADA

Fazia sempre o que os pais lhe mandavam. Embora, por vezes, remoesse uma certa revolta por ser ele o mais sacrificado, entre os irmãos, a ir buscar água à fonte. Serviço que era preciso fazer várias vezes por dia, por não haver água canalizada, e que, por razões que lhe escapavam, lhe cabia mais vezes a ele. Desconfiava que era por ser o mais novo.

Porém, quando era um dos irmãos a mandá-lo, fazia tudo para equilibrar a balança.:

- Vai à fonte!

A resposta era, invariavelmente:

- Vai tu!

Nunca ninguém lhe batera. Em casa só ameaças. Na escola, arrufos de longe a longe, a terminar em abraços. Naquele dia, porém, sentiu o choque de uma mão calejada a cair-lhe nas costas.E vinha pesada, puxada com convicção, pelo mesmo braço que há pouco fizera estragos numa laje dura com a picareta.

A irmã insistira em mandá-lo à fonte, mas ele não estava praí virado:

- Não me apetece! (Ripostou, determinado)

Soou então uma ameaça:

- Olha que levas!

E, na resposta, uma espécie de desafio:

- O quê, bates-me?

Correu atrás dele pra lhe bater. Mas ele, habituado a saltar que nem um cabrito, fugiu porta fora. E não contente, durante a fuga, chamou-lhe nomes que a fizeram chorar. O pai, que trabalhava ali perto, veio indagar as razões de tal pranto.

- Não quis ir à fonte e chamou-me nomes! (Acusou, em soluços)

Deixou-se estar algum tempo, na rua, a brincar com colegas de circunstância, a ver se a irmã acalmava. Porém, ao regressar, a atmosfera era ainda pesada. O pai, que já o esperava, chamou-o à pedra:

- Então, meu figurão, que fizeste à tua irmã?!

- Eu, ... Bem, ...Ela ...

- Foste desobediente e ainda por cima chamas-te-lhe nomes, né, seu pirralho!?

Dizia isto, com ar grave e ameaçador, e com a mão pronta a sová-lo. Este, entretanto, fugiu para o quarto, atirou-se pra cima da cama, de barriga colada à colcha e o rosto escondido pelos braços O pai entrou, e sem mais palavra, desferiu-lhe três poderosos azoutes, deixando-o por largos minutos num mar de soluços.

No dia seguinte, ela, de nariz levantado, olhou-o de frente e, segura de si, ordenou:

- Preciso de água daqui a cinco minutos! Está aqui o cântaro!

Ele, alérgico a humilhações, não se conteve:

- Não posso, doem-me as costas!

Nesse exacto momento, a porta de entrada rangeu. Era o pai.

E o cântaro, de imediato, saltou do chão e saiu veloz para a fonte.

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às 10:38

Faleceu, hoje, em Parada de Aguiar, a nossa associada, Adelaide Cunha

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 02.10.17

 

adelaide... (1).jpgFoi com muita tristeza que soube da morte da Adelaide Cunha. À família enlutada quero, em nome da APM, expressar os sentimentos de amizade e solidariedade que nos unem. Lembrando ainda que a Adelaide foi desde a primeira hora uma entusiasta do nosso projecto associativo nele tendo colaborado sempre com muita alegria. Que esteja junto de Deus é o que mais desejamos neste momento.

adelaide.jpeg

 

 

 

 

FCR

 

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às 22:16

FALECEU O IRMÃO DA NOSSA ASSOCIADA, ISAURA MOURA

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 02.10.17

Em nome da APM quero expresar os nossos sentimentos e desejar que Deus o tenha na sua eterna companhia.

manuel formosindo.jpg

 

Manuel Moura.

FCR

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às 22:12

AUTARQUICAS - CÂMARA MUNICIPAL, RESULTADOS: 2013 e 2017

por cunha ribeiro, Domingo, 01.10.17
 
CÂMARAS
PPD/PSD
46.38%
4.449 1
PS
45.26%
4.341 0
PCP - PEV
3.44%
330 0
CDS-PP
1.06%
102 0

Nulos: 150 (1.56%) Brancos: 220 (2.29%) Não Votaram: 7.704

...........................................................................................................................

TOTAIS 2017 VILA REAL > VILA POUCA DE AGUIAR

 
CÂMARAS
PPD/PSD
54.06%
4.984 1
PS
38.12%
3.514 0
CDS-PP
3.44%
317 0
PCP-PEV
0.81%
75 0

Nulos: 160 (1.74%) Brancos: 169 (1.83%) Não Votaram: 6.888

 

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às 17:45

SOUTELO DE AGUIAR, AUTARQUICAS 2013 e 2017, , ASSEMBLEIA DE FREGUESIA

por cunha ribeiro, Domingo, 01.10.17
 
CÂMARAS
PS
57.68%
278 0
PPD/PSD
35.89%
173 0
PCP - PEV
1.66%
8 0
CDS-PP
0.21%
1 0

Nulos: 8 (1.66%) Brancos: 14 (2.90%) Não Votaram: 441

 

::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::::

TOTAIS 2017 VILA REAL > VILA POUCA DE AGUIAR > SOUTELO DE AGUIAR

 
CÂMARAS
PS
54.62%
254 0
PPD/PSD
34.84%
162 0
CDS-PP
2.37%
11 0
PCP-PEV
1.08%
5 0

Nulos: 16 (3.44%) Brancos: 17 (3.66%) Não Votaram: 374

 

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às 17:44

COISAS DO ARCO DA VELHA

por cunha ribeiro, Domingo, 01.10.17

Soube que, algures em Parada de Aguiar, alguém, a quem gabo a inteligência, colou na parede do muro que circunda o seu quintal, a palavra LIXO, com uma seta a apontar para a "borrada" pública que ali deixaram ... de forma que até um morcego pudesse "ler"...
Entretanto, a propaganda, que há 4 anos fora informada, de boca, daquela nódoa evidente, teve que engolir a sábia provocação... E aquilo que deveria ter sido feito há anos, foi resolvido quase de um dia pró outro!!!! ..

 

CR

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às 11:07

VIAJAR SEMPRE PREOCUPA

por Francisco Gomes, Quinta-feira, 31.08.17

Julho é um mês de férias, tanto no Brasil quanto na Europa, portanto, é o tempo em que a maioria reserva para viagens. Na verdade, as três coisas mais agradáveis que existem, são comer, dormir e transar. Mas é viajando que melhor se pode desfrutar desses prazeres. Não há rotina, não há horário, cada um tem o tempo livre para fazer o que quiser. Por isso é que viajar é mais excitante.

Conheço pessoas que viajam todos os anos, para vários lugares do Brasil e até para o mundo. Ainda que sejam contumazes viajantes, admitem que todas as vezes que entram num avião, sentem um temor incomodo que não sabem explicar. Estranho, tendo essas pessoas milhagens, não me surpreendo, pois também fico aflito quando embarco ainda mais quando o percurso da viagem é longo, como do Rio de Janeiro para Lisboa ou Porto, quase dez horas a voar.

Este receio que as pessoas sentem, é por um motivo tosco e infantil, de que vão morrer. Mas analisando com racionalidade, todos vão morrer um dia, porém, não sabemos onde, nem como e nem quando. Se for na queda de um avião, que seja feita a vontade de Deus. Mas, viajar é sempre uma preocupação, não é verdadeiramente um medo. É abrir um parêntese em nossa vida e se predispor ao desconhecido. Sempre acontece um misto de alegria e tristeza, quando nos despedimos de quem fica. Eu sempre que vou viajar, tenho por hábito, antes de fechar a porta, dar uma olhada em tudo o que fica, e, naturalmente, penso: será que voltarei?

Quando nos despedimos dos familiares e amigos, por um momento, passa pela nossa cabeça que seja a última vez que falamos com eles. Não consigo entender essa idéia descabida, quando algo maravilhoso nos espera, temos a impressão que não merecemos a alegria de rever novos amigos e novas paragens, do outro lado do mundo. Naturalmente, essas preocupações, são de que o avião possa sofrer uma avaria e cair. Mas, as chances de que isso aconteça, são remotas, afinal, o transporte aéreo, é o mais seguro que existe. Morrem mais pessoas no transporte terrestre, do que no aéreo. Se levarmos em conta a quantidade de aviões que cruzam os céus, não há razões para temer. Mas, o ser humano é assim, por isso fica radiante quando a viagem chega ao fim.

     

Deus abençoe a todos

         

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 21:09

A MATEMÁTICA DA VIDA

por Francisco Gomes, Quinta-feira, 31.08.17

Nos meus tempos de estudante, nunca fui íntimo da matemática. Trabalhar com números, resolver equações, decifrar problemas, nunca foi o meu forte. Isto explica porque nas provas mensais, eu levava sempre um NS (não satisfatório) o mesmo que zero. Nas provas de final do ano, sempre tirava notas baixas. Na maioria das vezes, conseguia passar de ano sempre raspando, quase sempre em segunda época.

Até que eu simpatizava com alguns problemas que eram dados para resolver, o pior é que eu me perdia nas soluções. Por exemplo, um: Maria tem 42 abacates, 75 bananas e 17melancias. Quantas frutas ela têm. Não era complicado somar, o complicado era entender para que a Maria queria todas essas frutas? Quantas crianças ela tinha para alimentar? Será que a Maria morava num pomar? Ela conseguiria consumir todas as frutas antes que viessem a apodrecer? Era por causa destas coisas que eu me enrolava com os problemas e me perdia nas soluções.

Outro problema: uma escola tem 1750 alunos, num só dia faltaram 357 alunos. Quantos alunos foram à escola nesse dia? Eu sabia que se tratava de uma subtração. Mas não podia acreditar que o professor estivesse interessado apenas na resposta. Seria mais importante saber por que faltaram tantos alunos num só dia. Houve alguma epidemia de gripe? O transporte entrou em greve? Aconteceu alguma escaramuça entre os traficantes e a polícia? Num só dia de aula, onde se meteram todos esses alunos?

Se o Presidente da República precisa comprar o voto de 172 deputados, ao preço de cinco milhões cada um, quanto será o rombo nas finanças do país? Se um jogador de futebol ganha 100 milhões por ano e gasta oito milhões por mês, quanto economizou no final do ano? Um traficante disparou 37 tiros em duas horas, um policial disparou 24 tiros no fim de semana, quantas crianças morreram de balas perdidas? Quantos adultos foram parar no hospital? Será que existem leitos para todos ou precisam ser atendidos nos corredores?

 Eram estes tipos de problemas que me deixavam de cuca fundida. Por isso, eu nunca conseguia acertar com as soluções. É esta matemática na nossa vida, que nos deixa preocupada e quanto mais a gente estuda, menos a gente aprende. Realmente, a matemática é uma Ciência Exata, mas muito difícil de compreender.

    

Deus abençoe a todos

               

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 21:08

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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