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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


UMA ESCOLA SEM DESTINO

por Fer.Ribeiro, Terça-feira, 28.07.09

 

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UMA ESCOLA  SEM DESTINO

 

Talvez um dia

 

 

Sentado a um canto da varanda da casa de um simpático casal da minha aldeia, assisto com amarga nostalgia,  a um lento pôr do sol  por detrás da  nuca envelhecida da antiga Escola Primária .

 

Quis o tempo e o destino que, mesmo ao lado da antiga escola,se erguesse como um miradouro, a casa destes meus amigos, assim encetando eles e Ela, um convívio mudo mas cheio de terna cumplicidade, como se de mãe  e filhos se tratasse,  onde a alegria pura, tenra e juvenil  do buliçoso recreio de outrora contraste dolorosamente com a nostalgia de um passado sem retorno.

 

Pudesse o simpático e amigo casal dizer que é um convívio feliz.

 

Mas poderá ser feliz alguém que vê uma mãe arruinar-se pouco a pouco ? Poderá ser feliz alguém que vê mirrar, corroer, definhar uma mãe, devido à incúria dos seus filhos?

Olho para esta escola e relembro:

 

De manhã, à entrada, o Heitor, o Moreiro, a Lela e os outros, esfregando os olhos de um  sono inacabado,  num coro respeitoso:

 

 - Senhora professora, passou bem?

 

E já dentro, depois de uma oração maquinal:

 

A voz aguda da Professora soletra vagarosamente o ditado ( uns escrevem-no, outros copiam-no); lê um texto em voz alta e diz:- a quarta classe vá ensinar a primeira! E a quarta salta orgulhosa por cima da terceira e da segunda , num ar de autorizada humilhação. ; canta-se a tabuada – enquanto a  régua  rija e implacável, espera o grande momento em que o que levou no recreio desanque o agressor num canto da sala.à espera de quem errava, brandida pelos próprios colegas. A professora:

 

 - “cinco vezes sete, João? –  trinta e sete ? Ai são trinta e sete!? Responde tu, Maria? – trinta e cinco! D´

 

Dá Cinco bolos no João - mas sem medo, ouviste! E eis que vinha a lição de história  e o herói Nuno Álvares Pereira – Um Santo! - a desfazer os castelhanos em Aljubarrota; e o Capitão Vasco da Gama a desafiar o medonho Adamastor; e agora,  geografia :  os rios – o Tejo, enorme, a desaguar em Lisboa; o Douro, a correr como um louco desde Espanha até ao Porto); o  Guadiana , preguiçoso – não fosse alentejano -, a entregar-se  ao mar em Vila Real de Sto António) e as serras ( a da Estrela, a tocar o Céu! E a do Marão, e a do Gerês…); de quando em vez a rapaziada descambava numa barulheira infernal… Olha as réguas ( uma, cheia de milímetros, a medir , outra, repleta de furos, a cair); Olha a longa cana - da - índia (que , ora apontava , ora vergastava); olha o tinteiro, e a pena a pingar e a borrar a escrita; e o mata-borrão, sempre sujo, sempre em punho, limpando num lado, sujando no outro ; olha a  lousa preta sempre pronta à espera do ponteiro que lhe descubra a brancura dos números e das palavras ; as contas com “noves fora” infalíveis - e os elogios; as contas erradas… e as bofetadas ! Olha a braseira a aquecer os pés gelados da sra professora.

 

E cá fora, no recreio:

 

Os alegres ecos e chilreios; os saltos,  as correrias,  e os jogos – à macaca, à cabra-cega, ou às escondidas. O futuro, ali, a latejar de alegria, de entusiasmo e vida!

 

E hoje, desta varanda cheia de sol, que vejo eu ?

 

Este corpo desleixado e maltrapilho, outrora bem vestido, com as suas belas cantarias em granito e o branco da sua cal a brilhar ao sol; com o seu soalho encerado e reluzente; com as suas carteiras em fila, numa ordem tolerada e relaxante; com os canteiros a sorrir na primavera cheios de cor; vejo este cadáver adiado que se desfaz numa lenta e imparável agonia.

 

Ali jaz, suja, deformada, triste e a desfazer-se, como se sofresse de lepra, a Escola Primária de Parada de Aguiar -  Mestra da minha infância ! Ilustre mas triste e decadente companheira destes meus amigos, de cuja varanda solarenga, pude ter esta visão tão estranha , tão triste, tão nostálgica , mas paradoxalmente tão feliz!

 

Talvez um dia os teus filhos – sobretudo aqueles que podem - queiram reanimar-te . Talvez queiram e possam dar o corpo que perdeste à alma que  tiveste.

 

Talvez um dia…

 

Francisco da Cunha Ribeiro

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às 23:57

Homenagem

por Fer.Ribeiro, Domingo, 26.07.09

 

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HOMENAGEM

 

 

Morreu mais um filho da terra. Um homem bom, simples e honesto.

Depois da esposa (  Maria Rei ) falecer, passou a ser um homem mais triste. Mas sempre teve a piada pronta (e bem afiada) na ponta da língua. E, às vezes, cortava… Mas só pela rama… Sempre com o esmero de não fazer “sangue” a ninguém. Pois era um homem pacífico.

No Brasil (onde esteve seis anos), ou em Portugal, sempre se dedicou ao trabalho e ao bem da família, cujos filhos ( a Cândida, a Deolinda e o Manuel)  ajudou a criar e a educar, o melhor que soube e pôde.

 E soube educá-los bem.

Morreu o Sr António Augusto - amigo da minha família e meu amigo.

E eu, em nome da minha família, e em meu próprio nome, aqui lhe presto esta singela homenagem.

Oxalá Deus o tenha levado para junto de si.

O único lugar onde um homem simples e bom como ele foi, merece viver para sempre.

 

 

CUNHA RIBEIRO

 

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às 00:07

PARADA DE AGUIAR : UMA ALDEIA COM PASSADO E COM FUTURO

por Fer.Ribeiro, Sábado, 18.07.09

(Vista Geral de Parada de Aguiar - desde Soutelo)

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Na década de sessenta, Parada era uma aldeia a viver na sombra da fortaleza económica  da família  Chaves. Os poucos sinais de modernidade - carro, televisão, rádio - estavam quase todos naquela casa, que concentrava na sua posse a maior superfície de terra produtiva (e não produtiva) da aldeia.

 

Três automóveis apenas tinham garagem em Parada: a “furgoneta” do Sr. Agostinho Campos; o velho “taunus” do Sr. Tavares ( marido da Dona Alcina, a professora primária) e o carro do Sr “Manuelzinho” Chaves.

 

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Televisões, que me lembre, não passavam de cinco: as do Sr. José Branco, do Sr. Chaves e a da taberna do Sr. Alfredo eram de acesso público . A do Sr. Chaves tinha a particularidade de transformar a enorme sala de visitas da casa numa autêntica sala de cinema. Em duas ocasiões do ano,  autênticas romarias populares  apinhavam-se em frente à mágica TV, sentadas soalho além: Era no 13 de Maio, com as cerimónias de Fátima, e no dia do festival da Eurovisão.

 

As duas televisões que restam estariam nas casas do Sr. José Dias e da professora primária.

 

Quanto aos aparelhos de rádio, haveria certamente mais alguns, mas ainda me está na memória aquele formidável rádio, todo em madeira, em cima de um pequeno móvel, na sala de visitas do Sr. Chaves.

 

A maioria das casas eram já velhas, com telhados também velhos, cheios de pequenas pedras, para que as telhas não voassem em dias de tempestade.

 

Havia um capela minúscula no cimo do povo, onde a dona Glória,( com a capela cheia!) rezava o terço no mês de Maio. Tinha um adro coberto, à entrada, a separá-la do tanque.

 

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Nem o largo da “cuscarreira”, nem o “do cimo do povo” tinham as dimensões que hoje têm .No largo da “cuscarreira” ( a casa do povo da aldeia , onde a  “cusquice” faz de jornal)  havia uma casa em ruínas que por vontade ou inércia de muitos ainda lá estava hoje. E no largo do cimo do povo, havia uma horta com quelhas à volta, cobertas por uma ramada.

 

Veio a década de setenta, o 25 de Abril  e a força da construção. Os emigrantes começaram a levantar as suas casas  no bairro da Cruz. Parada vestia-se de roupa nova para o lado do Rio Corgo. Foi justamente nesta década que o interior da aldeia se transformou, Graças ao entusiasmo de alguns homens e mulheres de mérito ( alguns e algumas já falecidos e esquecidos) reconstruiu-se e alargou-se a capela; construiu-se o largo do cimo do povo; alargou-se o da cuscarreira. E é ainda por esta altura que nasce o primeiro caminho a sério para o viveiro.

 

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Na década de oitenta, já com conselhos directivos e juntas e dinheiro daqui e dali o que é que se fez? Alargaram-se alguns caminhos.

 

Mas, no seu centro urbano, Parada nada mudou. Só alguns telhados novos iam alegrando a aldeia. Quanto a ruas e largos, nada se fez, nada se criou.

 

Na década de noventa tudo na mesma: mais caminhos, só caminhos.

 

E nesta década? Ainda caminhos.

 

Claro que a junta  lá foi fazendo as suas inevitáveis obras: alcatroou dois pedaços de estrada e implantou o inacabado saneamento.

 

E assim, com tanta dedicação aos caminhos e nenhuma às ruas e largos da aldeia, qual o resultado?

 

Parada tem caminhos para dar e vender no meio do monte e das bouças .Mas tem uma rua no meio da aldeia onde nem os carros podem passar.

 

 

DEOLINDA PIRES DA CUNHA, Paris

 

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às 01:01
editado por cunha ribeiro a 20/10/09 às 12:56

DE S. PEDRO À “FONTE DO MOURO”

por Fer.Ribeiro, Quinta-feira, 16.07.09

 


No dia da “festa de S.Pedro”, em Parada de Aguiar, depois de bem comidos e bem bebidos, eu e alguns convidados zarpámos da sala de jantar do João ( “Brasileiro” de nome, mas português gema) e, com as barrigas em arco, rebolamos estrada acima, pela encosta da “Cruz”, até à “Cuscarreira”.

 

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Aí chegados, encostámos as ditas ao balcão da Lígia, enquanto tomámos um saboroso café. Cá fora, na “esplanada”, a Banda de Música do Pontido, alegrava, afinadíssima, os populares que ali estavam; lá dentro, à ilharga de dois ilustres representantes do povo (os Srs. presidentes, da Junta e da Câmara) bebia-se e jogava-se “a sueca”.

 

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Depois de um breve relaxe musical, ziguezagueámos pelas ruas da aldeia, até chegarmos ao ermo da dita, lá onde brota a fresca água da Fonte do Mouro.

Manda a verdade dizer que, quase me arrependi de lá ir, já que, a páginas tantas, a curiosidade de um dos que me acompanhavam me encostou a memória à parede, e indagou:

- Qual é a origem histórica da fonte?

Não tive saída. E confessei a minha rotunda ignorância sobre o assunto.

Já refeito dos exageros do cabrito assado e do vinho da Régua, e também, da triste  figura que fiz, pus-me a remoer o assunto (enquanto fui descorando a vergonha, com a  íntima  convicção de que, ninguém na aldeia teria, afinal,  mais airosa saída que a minha):

 

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Será que o nome, “do Mouro”, com que baptizaram a fonte - com larga abóbada em granito a coroar-lhe a frescura, e dois grandes bancos em pedra, a convidar ao namoro - se liga à história do nosso passado mourisco?

Ou, pelo contrário, essa designação não passa de um truque moderno, fazendo “recuar”  as origens da fonte a um passado fantástico, onde as lendas de fadas mouriscas (e as histórias de bruxas e lobisomens) faziam sonhar o povo?

Talvez o Sr. Presidente da Junta se lembre de, no seu programa eleitoral, encontrar uma rubrica que valorize a história e da cultura da(s) nossa(s) aldeia(s), concluída que está a obra prima do seu mandato: “ A sala de baile da Cuscarreira”.

 

Francisco Ribeiro

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às 03:01

Parada de Aguiar na Blogosfera

por Fer.Ribeiro, Quinta-feira, 16.07.09

 

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UM BLOG DE ALDEIA COM VISTA PARA

O MUNDO

 

 

O BLOG “Parada de Aguiar” nasceu com um objectivo primordial:

 

Levar Parada às gentes que aí nasceram, ou viveram, e a todos os que, por algum motivo, sintam por esta terra um tudo nada que seja de carinho e sedução.

 

E tem um desejo:

 

Ser anfitrião, franco e aberto, de toda a sua diáspora.

Diáspora que vive, hoje, por esse mundo além, com o coração prenhe de recordações da sua aldeia.

 

E uma esperança:

 

A de ser visitado por todos, e que todos se sintam, no blog, como em sua própria casa.

Podendo, ao visitá-lo, reviver, com emoção, o passado. E conversar, como se estivessem sentados, naquela escada de pedra da Cuscarreira, ou a beber um copo no café da Lígia, lembrando os que, outrora, também beberam na “taberna da Graça” ou na do “Ti Alfredo”.

 

E mais:

 

Que seja um espaço onde a crítica construtiva, descomplexada, e sem preconceitos,  tenha lugar, mas sempre guiada pelo respeito e consideração de uns pelos outros, sejam uns e outros quem forem.

 

Este blog será, pois, um sítio aberto, plural e transparente. Será do povo e para o povo. E o povo, no nosso conceito, é toda a gente, tenha o nome ou a profissão que tiver: o velho e o novo, o pobre e o rico, o culto e o inculto.

 

Neste Blog só a perfídia, a má fé, a reserva mental, a desonestidade, ou a falta de educação serão objecto de censura.

 

Não contem, por isso, com discriminações de nenhuma ordem.

 

Está pois aberta a confraternização e a “discussão” de Parada com o mundo e do mundo com Parada.

 

 

 

Francisco Cunha Ribeiro e Fernando Couto Ribeiro

 

 

********************

 

 

Mas, para além do que fica dito, e que é muito, o que é que, de dentro de nós, nos animou, e fez com que este blog surgisse?

 

Eu, Cunha Ribeiro, falo por mim:

 

Nasci em Parada de Aguiar há 50 anos. Logo, tenho comigo um pedaço da história da aldeia para contar. Vi nela os carros de bois a chiar; muito centeio a malhar; muita gente a lavrar, semear, sachar e regar.

Vi gente a fazer tudo isso e muito mais. Gente que fez em Parada toda a sua vida e, até, gente que fez de Parada uma das razões dessa vida.

E hoje, apesar de viver fora da aldeia, sinto que estou perto dela. Porque a recordo; porque a relembro; porque gosto dela.

E é tudo isso (e mais) que tentarei registar neste blog.

Com a preciosa ajuda do Fernando Ribeiro, que é da minha família, e espero,  de toda a “família” que neste blog se encontrará.

 

Francisco Cunha Ribeiro

 

********************

 

“Vou falar-lhes de um reino maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois , não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecíveis. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.(…) “

 

In Reino Maravilhoso de Miguel Torga

 

Embora eu seja flaviense de nascença, Parada é o meu reino maravilhoso. Um reino que foi descoberto nos primeiros anos da minha vida, com a  tal virgindade original de quem descobre as coisas primeiras e as regista para todo o sempre na memória. Parada faz parte da minha memória mas também da minha formação, não aquela que se aprende na escola, mas daquela formação que se aprende em contacto com a terra, com a natureza, com as pessoas,  com os dias que nascem com o nascer do sol e morrem quando o sol se põe.

 

Recordo de Parada os acordares manhã cedo com o chiar dos carros de bois, as cabras a pedirem a abertura de portas, as noites iluminadas pela candeia de azeite, o carrar a água da fonte da igreja ou da escola, o sabor da sêmea fresca, as viagens monte fora até ao “muro”, as brincadeiras no Corgo junto ao “amieiro”, os sonhos de liberdade no “fojo”, as vindimas, o pisar as uvas, o fazer o vinho, o frio das manhãs de primavera, o cantar das pedras pelo tio Augusto pedreiro, a “amarela” e a “castanha” do tio Alberto e toda a importância do mundo que eu assumia quando atravessava a vara à frente do nariz delas… Recordo o meu avô Alfredo, o único que conheci e a minha avó Carminda, que sem ser minha avó, era a melhor avó do mundo, mas sobretudo, recordo a alegria do meu pai nos seus regressos à terra mãe. Alegria que se desenhava no rosto mal descia-mos no apeadeiro e o acompanhava cruz acima até chegarmos a casa. Recordo o estranhar a pronúncia dos “setantas, oitantas, novantas, cem” e o tratarem o meu pai por Manel, o encanto dos  canastros, o cantar do cuco, a taberna do tio Alfredo… enfim, recordo esse reino maravilhoso que faz parte da minha infância e juventude, mas também a aprendizagem das vidas simples e humildes, do trabalho da terra, do merecer o pão que se come e da inter-ajuda das tornas e outros saberes que faziam da aldeia uma comunidade e, para mim, uma escola da vida e de aprendizagem das coisas primeiras, que fazem também com que Parada seja a minha aldeia.

 

Com a globalização dos dias de hoje, reencontro na NET o Francisco Cunha Ribeiro, o meu primo, com quem partilhava em Parada alguns desses momentos de infância, de trabalho mas também de lazer e algumas cumplicidades próprias de quem é da família, amigo e da mesma idade e não poderia deixar de aceitar o repto de pormos Parada na Internet e levá-la a todos os seus filhos e descendentes. Ele com o conhecimento da realidade de Parada e eu com aquilo que sei e que posso contribuir, ou seja com a imagem e com algumas recordações desse Reino maravilhoso que é Parada do Corgo ou de Aguiar, embora sem saber porquê, goste mais do primeiro termo.

 

Da minha parte, fica a grata colaboração neste blog e que seja também, em jeito de homenagem, um obrigado ao meu Pai (o Manel “fiscal”) ao meu avô Alfredo e à minha avó Carminda, mas também a toda a aprendizagem de vida e da terra, que aprendi em Parada. Blog que servirá também de pretexto para de vez em quando passar por Parada para a recolher em imagem. As palavras ficarão a cargo do meu primo Francisco ou de quem se queira juntar a este projecto de Parada estar presente na Internet.  

 

Fernando D. Couto Ribeiro

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às 02:35

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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