Created by Watereffect.net Created by Watereffect.net

Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



BLOGUE PARADA DE AGUIAR - Mais sobre mim


Colaboradores - Clique nas fotos para aceder aos textos de cada Colaborador

ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

calendário

Outubro 2015

D S T Q Q S S
123
45678910
11121314151617
18192021222324
25262728293031


CONTADOR DE VISITAS


contador View My Stats

página de fãs


Pesquisar

 

sitemeter


Google Maps


Ver mapa maior

PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


A Educação que nós temos

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 30.10.15

Família

Publicado em 29 Outubro, 2015 por Alexandre Henriques ( Blog ComRegras)

O lusco-fusco da tarde chuvosa ampliava as sombras no gabinete. A dor de cabeça, ferrada há um bom par de horas, toldava-lhe o raciocínio e desfocava as letras, fazendo-as bailar na folha branca à sua frente. Desistiu, afastando o documento com um gesto resignado e começou a arrumar os papéis. Um suave bater na porta interrompeu a enumeração mental das tarefas por concluir.

A rapariguita entreabriu a porta com embaraço e, com os olhos baixos, resmungou: “mandaram-me vir aqui”. Levantou o braço e acrescentou com brusquidão: “isto é para si”, entregando-lhe umas folhas amarfanhadas pela zanga e pela transpiração.  Aceitou, reticente, o convite para se sentar e permaneceu de olhos baixos e semblante cerrado. Nem mesmo para dizer o nome desamarrou a expressão, arremessando um “Natacha” seco e raivoso.

 “Ó Natacha, estou aqui a ler estas participações disciplinares e vejo que te portaste mal em várias aulas. Ora o ano lectivo começou há pouco e já aqui temos um belo molhinho de ocorrências.” A Natacha mirou impassível, com os olhos semicerrados e fez um esgar desdenhoso. “Pois é”, remordeu, abreviando o assunto. “Ao que leio aqui, foste mal-educada na sala de aula, disseste palavrões perante os professores e os colegas e hoje mesmo bateste numa aluna mais nova e ainda insultaste a funcionária que tentou impedir-te. Que me dizes a isto?”

Virou a cabeça com firmeza e apertou os lábios numa linha fina e azeda, mostrando o intuito claro de encerrar as conversações. “Bem, Natacha, já é muito tarde e estamos ambas cansadas, por isso vamos combinar uma hora para conversarmos amanhã, está bem?” E, perante a inutilidade de aguardar anuência, acrescentou de seguida: “amanhã, às quatro, quando acabares as aulas, vens aqui ter comigo ao gabinete. Vai-te lá embora.”

Mais tarde, já no supermercado, deu por si, desnorteada em frente ao expositor dos legumes, a mente ainda apossada de vidas em conflito, à procura de alívios que tardam, de caminhos que tenta abrir à força de teimosia. Sacode a cabeça inconscientemente para afastar os pensamentos e começa a ensacar os alimentos de que necessita.

Vozes alteradas arrancam-na às suas conjecturas. Uma mulher grita: “já te disse que não, parva de m*rda!” “Parva és tu! Nunca fazes nada do que eu te peço, és mesmo estúpida!”, responde-lhe um timbre acriançado. As pessoas imobilizam os gestos e entreolham-se com assombro. As vozes ecoam pelo supermercado, num registo cada vez mais estridente. “Ó filha da p*ta, sai-me da frente, qu’eu ainda cego e enfio-te a garrafa do azeite pelos cornos abaixo! Não me venhas práqui apoquentar, qu’ eu não tenho saúde, vai melgar a p*ta que te pariu!” Do corredor dos enlatados irrompe uma mulher alta e encorpada, seguida de perto por uma outra, mais franzina e muito mais jovem, que brada: “és tu, és tu! A p*ta que me pariu és tu!” A mulher olha em volta e toma finalmente nota da plateia involuntária no corredor central. Queda-se por instantes, a ponderar se há-de também dizer duas ou três coisas àqueles basbaques. Por fim recua, consumida e impaciente, e vocifera: “olha, sabes que mais, minha estúpida? Vou-me embora e já não compro nada, que não estou para te aturar! Não há bolos, nem jantar, nem o c*r*lho!” E abalou determinada por ali fora, seguida de longe pela Natacha, queixosa e atarefada a refundir no bolso do blusão um pacote de bolachas meio comido.

MC

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 09:11

O PRÓXIMO TEXTO A SAIR NO " NOTÍCIAS DE AGUIAR"

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 29.10.15

COMEÇA ASSIM:

 

Quem augura a Portugal o apocalipse, caso venha aí um governo de esquerda liderada pelo Partido Socialista, examine com atenção o seguinte: Em que contribuiu a Direita, até hoje, para a felicidade da maioria dos portugueses, nomeadamente da classe média? Não foi ela - a direita – justamente, a grã causadora desta desilusão económica e social que temos vivido? Pode o leitor objetar, alegando que não foi só a direita a encostar o país à miséria. Claro que não. Mas, em sentido lato, a direita não é apenas a que veste “Lacoste”, bebe "D. Perignon", e tece laudas a Cavaco Silva; é também ...

 

(continua)

 

CR

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 11:25

A LINHA DA VIDA

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 28.10.15

Se cada um repartisse o que tem com os mais necessitados, seria a forma mais avançada de fraternidade, tanto dos bens materiais quanto dos bens intelectuais. Mas isso não passa de "Utopia". No entanto, existem três tipos de pessoas que são infelizes na vida. Aquele que sabe mas não ensina, aquele que não sabe, mas não pergunta, e aquele que ensina uma coisa, mas faz outra. O povo afirma que as palavras convencem, mas os exemplos arrastam. Mas o progresso de um País está relacionado com a cultura de seu povo e com as raízes do conhecimento. As Leis nascem das necessidades do povo e são para o bem comum, porém, as leis se tornam inúteis diante da impunidade. A cultura de um povo está intimamente ligada ao valor que é dado ao ensino. Ensinar as crianças e os jovens a respeitarem as leis é um meio de formar cidadãos para a sociedade. As famílias devem ser as primeiras escolas.

O Brasil é o país com maior contingente jovem. No último recenseamento em 2010, o País tinha 30 milhões de jovens entre 15 e 24 anos. Sempre se associou o jovem com a escola, com o estudo. Ao olhar a situação dos jovens brasileiros, sentimos uma realidade muito diferente,  pois encontramos um número bem maior de jovens no mercado de trabalho, do que na escola. A grande maioria dos jovens são trabalhadores estudantes, procuram associar o ensino com o trabalho. No entanto, concluímos que muitos jovens ingressam no mercado do trabalho, com pouca escolaridade, a maioria não termina nem o Curso Primário. Os jovens abandonam a escola muito precocemente, para trabalhar. Um em cada três jovens abandona a escola, para trabalhar.

Mas o que mais preocupa a sociedade brasileira, é o percentual de jovens que não estudam e não trabalham. Um em cada quatro jovens está nesta situação. Estes jovens transformam-se em presas fáceis para os traficantes, transformam-se em marginais, praticam assaltos e assassinatos. A maioria dos grandes crimes tem jovens de menor idade no meio. Os reformatórios estão superlotados e não corrigem ninguém. Todos os dias acontecem fugas. Na cidade de São Paulo, foi criado um grupo de voluntários, que procuram atuar junto destes jovens. Não tem havido sucesso e muitos já foram mortos pelos próprios jovens rebeldes.

Esta situação é um desafio para as autoridades, que precisam fazer alguma coisa para amenizar a situação. O Congresso Nacional pensa em baixar a maioridade penal para 16 anos. Está havendo muita discussão sobre a assunto. Todos os dias acontecem choques da Polícia com estes jovens, muitos são mortos em combate. Muitos pais chegam a abandonar os filhos, pois não suportam tal situação. 

Estranha esta sociedade, o filho apronta, e o pai é que paga a conta.

                                                                          

Deus abençoe a todos

                                                                       

Agostinho  Gomes Ribeiro 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 21:08

TEMPO QUE FOI TEMPO

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 28.10.15

Outro dia parei na frente do espelho, coisa que não faço há muito tempo e fiquei assustado com o meu aspeto físico. Não imaginava que estivesse tão encarquilhado e de fisionomia tão velha. Minha pele muito enrugada, minhas mãos tremulas, meu cabelo branco como a neve, meu semblante de cansaço. Confesso que fiquei muito preocupado comigo mesmo. Mas depois de uma profunda meditação e de uma análise da minha vida, me conformei com tudo o que tinha visto. Afinal, eu tenho é que ficar alegre e feliz, pois estou vivo, gozando de perfeita saúde. Quantos familiares, amigos, pessoas conhecidas, bem mais novas do que eu, já partiram há muito tempo. Se meus cabelos pratearam e minha pele enrugou, está previsto no tempo que já vivi, pois ao final deste ano, vou completar 83 anos, muito bem vividos. "Se muita neve tem na serra, é porque já é tempo dela". Pelo meu estado de velho, não culpo nada e nem ninguém, pois tudo o que se relacionou comigo envelheceu também.

Existem quatro situações, que uma vez concretizadas, não têm volta. A pedra depois de arremessada, a palavra depois de proferida, o rio depois que passou e o tempo depois de vivido. Realmente, a nossa vida é semelhante a um rio, depois que suas águas passaram, não voltam mais. O rio caminha rumo ao oceano, ajuda no aumento do seu volume, mas perde totalmente sua identidade. Nós também caminhamos a passos firmes para o final da nossa vida, para a noite que não terá fim, porém, nós nos preocupamos em deixar ao menos um rastro, no caminho percorrido.

Nossa vida pode ser comparada com um dia do nosso calendário. Temos o raiar da aurora, o nosso nascimento. Logo chega a manhã radiante, a nossa adolescência, a nossa juventude. Sem que demos conta, chega o meio dia, a meia idade. É hora de assumir responsabilidades, formar nossa família, traçar nossos rumos para o futuro. É um tempo que passa muito rápido, às vezes nem sentimos ele passar. Quando nos damos conta, já chega a tarde. Os filhos já estão criados, os netos aparecem para completar nossos dias. É hora da aposentadoria, de colher os frutos que semeamos. É um tempo muito bonito, principalmente, quando é vivido na companhia do amor que escolhemos, desfrutamos da família que formamos. A tarde da nossa vida é um período de transição, entre o nosso vigor do meio dia e a noite que começa a despontar. É nesta fase que nos preparamos para a noite sem fim.

É esta a minha situação. Está para chegar a noite, ás vezes já sentimos até o frio. A minha "ficha" já está sobre a mesa de Deus, espero apenas que ele a selecione e mande executar. Ninguém nasce para morrer, a morte é uma consequência da vida. Todos nascemos e vivemos para servir, por isso, quem não vive para servir, não serve para viver. Hoje se fala muito no "Fim do Mundo". O mundo vai acabando todos os dias, para alguém. Se assim não fosse, não haveria mais lugar no mundo. Os cientistas já descobriram muitos mistérios, mas não conseguiram descobrir de onde viemos, quem somos e para onde vamos. Só Deus pode revelar este mistério. O que está certo em tudo isto é que o Cristão vive para morrer e morre para viver.

Antigamente, achava que seria muito ruim, acabar a vida sozinho. Hoje descobri, que a pior coisa é acabar a vida cercado de pessoas que fazem a gente se sentir sozinho.

                                                               

Deus abençoe a todos

                                                           

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 20:58

Caminhos de Pedra

por cunha ribeiro, Terça-feira, 27.10.15

 

 Fins de novembro. Noite de breu. Chovia. Ceávamos, junto à lareira, quando, do escano, avistámos, pela janela encostada ao chupa, uma sombra a vaguear de um lado para o outro. Olhámos melhor: o vulto subia e descia uma escada em frente à janela, à entrada de casa.

Alguém quis saber,  sem mais demora,  que vulto era aquele, ali a cirandar. 

- É o Abílio!

- Quem?!

- O nosso Abílio, repetiu minha irmã. 

Ao tempo - um pirralho - a estudar em Godim. Em pleno mês de novembro, saudoso do lar, resolveu largar as sebentas, e regressar ao regaço da mãe. Pegou nos vinte mil reis destinado ao bilhete das férias de Natal, e, sem se chibar a ninguém, apanhou o comboio na Régua, e ala morena até Parada do Corgo.

Incrédulo, olhar grave, mas meigo no gesto, meu pai veio à porta  e lá sossegou o rebento.

No dia seguinte, chovia a cântaros, mas o Abílio já tinha o destino traçado: levantou-se cedo, almoçou, abotoou a samarra, e subiu, de vara na mão, a encosta até  ao  meio da urze  e do gelo, onde algumas pernadas de erva iam enganar a fome aos animais. 

 

A.V.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 16:05

Caminhos de Pedra

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 26.10.15

Toda a noite fora um inferno. Rajadas de vento sem fim, barulhos, ruídos de latas a rodopiar no lajedo, bátegas, chuvas torrenciais.

Ao serão, já o vento e a chuva se soltaram em fúria. A candeia apagara meia dúzia de vezes. No "estrevão", ouviram-se silvos por entre as fendas das telhas. Os  adornos de jornal no louceiro buliram sacudidos pelo vento.

Cedo, de manhã,  galhos de árvores no chão, lixo a entupir os caleiros, pedras e pedregulhos fora de sítio. Um cenário desolador.

Silvava o comboio das dez, quando chegou minha mãe, um saco de serapilheira enrodilhado à cabeça. Castanhas! O vento outonal fizera o seu trabalho noturno semeando de grossas castanhas o chão da Abelheira.

Ali estava a ceia diária para uma quinzena: Castanhas e batatas cozidas no pote.

- Então, nem uma castanhinha tu comes, meu filho?

Que as comessem os outros.  Assei as batatas nas brasas, espremi-as na palma da mão, e prato com elas. Depois, um fio de azeite, e toca a comer.»

 

Afonso Valtique

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 11:15

Onde é que há gente normal neste mundo?

por cunha ribeiro, Sábado, 24.10.15

Caro Fernando Pessoa,

Tal como tu, eu também  nunca conheci alguém "que tivesse levado porrada"

Na verdade, tal como dizes, " são todos campeões em tudo". Só que, olhando à nossa volta, o que vemos são campeões débeis, frágeis, e até covardes!

Queria acrescentar que nunca conheci ninguém pobre, é tudo rico ... Mas andam  à rasca, a pedir ao banco a juro baixo quando há intenção de pagar, ou mesmo a juro alto, quando não há essa intenção. Também há outros que passam “vergonha” (quando a têm, o que é raro), pedindo aos amigos que os safem que logo lhe pagam; vivem à grande e à francesa, esses.


Concordo contigo: Nunca ouvi ninguém confessar um ato ridículo na vida. E a gente a vê-los ser tão ridículos, tão fúteis, tão como os outros, tantas vezes piores que os outros…

Por que não se confessam fúteis e ridículos? Que são pessoas, vulgares, normais, e até anormais? Que não tomam banho, não lêem, não escrevem, e são preguiçosos? E se são preguiçosos por que razão são eles ricos? Ou dizem que são? Ou querem parecer que o são?

Estou farto de inteligentes de aviário. De galos sem capoeira. De nabos “extra-terrestres”.
Caro F. Pesssoa, pelos vistos, ainda não é possível saber “Onde é que há gente normal neste mundo”

 

Geraldo de Sá

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 23:14

Meu pai "vive" comigo

por cunha ribeiro, Sábado, 24.10.15

 

 

Vi pela primeira vez o meu pai, quando já tinha seis ou sete anos. Até aí imaginara-o apenas. Fizera dele o melhor retrato possível. Era alto, belo e boa pessoa.

Até essa idade, não me recordo de qualquer sentimento de carência relacionado com a sua ausência. Tento escavar na memória momentos tristes na minha pequena infância,  e nada descubro que me tenha feito sofrer por não ter o meu pai junto de mim.

De vez em quando falavam nele, e eu ia escutando. Lembro-me de perguntar, numa dessas conversas:  “ O meu pai é grande?”

Quase todos os meus colegas e amigos tinham os seus pais presentes. E eu sabia-o. Porém, nunca vi nessa diferença imposta pelo destino uma injustiça. Jamais me causou revolta não ter o meu pai por ali.  As minhas “duas mães” - uma tia-avó e a autêntica, souberam poupar-me a essa orfandade.  O meu pai era então para mim um ser  vago, indefinido, e a sua presença não era uma necessidade premente. Porém, quando soube que ele regressaria, no meu sétimo aniversário, pelo Natal, caí num desassossego ininterrupto.

Na verdade, dias antes da sua vinda, o alvoroço da notícia deixou-nos a todos muito excitados.  A minha grande preocupação, porém, continuava a ser a de saber se o meu pai tinha uma estatura decente. 

 Certo é que, ainda ele não tinha embarcado, já se faziam planos para a sua chegada. Não sei quem teve a ideia de tentar surpreender o meu pai sentando no mesmo banco três catraios da minha idade. Confesso que não me recordo se o plano se concretizou. Julgo que este lamentável lapso da minha memória se deve ao atordoamento com que fiquei,  quando à porta de entrada da antiga casa, surgiu  realmente um homem alto, vestido de fato e gravata, que de imediato percebi ser meu pai.

  Depois dos abraços, o meu interesse centrou-se na mala mais funda que ele trouxera. Imaginei um mundo de coisas raras e interessantes, e  certamente que algumas delas  seriam para mim.  E foi com o coração aos pulos, que assisti ao esvaziamento da mala, de onde foram saindo peões, frascos de brilhantina e  pó de arroz, fatos, gravatas, e, - com que surpresa -  um rádio !

 Meu pai, vendo-nos tão curiosos, e querendo saborear a nossa emoção, não perdeu mais tempo: rodou um botão, que deu um pequeno estalido, e  aquela caixa encarnada desatou milagrosamente a  tocar e a falar, deixando-nos completamente eufóricos, com as emoções ao rubro.

 O Pai Natal, no qual a minha inocência infantil ainda acreditava, trazia-nos  - naquele maravilhoso ano de 1963 - duas magníficas prendas:  um rádio que nos divertiu por muito tempo; e um Pai incomum que nunca esqueremos.

 

FCR

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 22:43

OS AMIGOS QUE NÃO ESQUEÇO‏

por Francisco Gomes, Sábado, 24.10.15

Em março de 2012 minha esposa partiu, depois de um longo período de enfermidade. Resolvi então voltar a Parada, onde cheguei no dia 10 de agosto. Desta vez, livre das preocupações com a família, resolvi ficar 50 dias, só voltei no dia 30 de setembro. Como sempre, foi uma viagem muito boa. Desta vez, além da companhia da minha irmã Laurinda, viajou também o Alfredo da Padaria, o João Ribeiro, a esposa e o filho que retornavam da viagem ao Brasil.  Eu e a Laurinda ficamos em Vila Pouca, na casa do Sr. José Campos, mas logo fomos para Parada, para a casa da Sra. Cândida Reis. Ali já pude conhecer pessoalmente algumas pessoas que conhecia pelo Blogue, principalmente o Sr. Cunha Ribeiro, a quem a Associação o Prazer da Memória deve a honra da sua fundação.

Desta vez, aproveitando as festividades do mês de agosto, pude fazer algumas excursões como a São Bento da Porta Aberta. Viajamos pelo Minho, até Caminha, onde atravessamos com o autocarro para a Espanha pelo estuário do rio Minho. Estivemos num monte onde havia uma pequena igreja em honra de Santa Teresa D'Avila, a mesma Santa Teresinha de Jesus, a padroeira dos professores. Seguimos por dentro da Espanha até Valença, onde atravessamos para Portugal. Também conheci Coimbra, o convento onde morreu Lúcia, a última vidente de Fátima, conhecemos a Universidade, uma das mais importantes do mundo, também visitei Portugal dos Pequeninos, muito interessante. Além da viagem a Fátima que é praticamente obrigatória para todos os católicos que visitam Portugal.

Passeamos tanto, que chegamos ao último fim de semana, com dois lugares que faltavam visitar, Braga, a prima da minha esposa, e Lisboa, os primos que moram por lá. Por causa da quantidade, resolvemos ir para Lisboa. Chegamos na sexta feira de tarde, dormimos na casa do Agostinho e Manuela, passamos o sábado na casa do Chico e da Olimpia. Um dia que nunca vou esquecer. No Domingo, na casa da Manuela, fizeram uma feijoada à brasileira, onde estiveram todos os primos que moram por lá. Tive a alegria de vê-los e conhecê-los a todos. Nesta reunião faltou alguém muito importante, pois já havia partido em 2010.

Este ano de 2012, tive o prazer de participar pela primeira vez da festa da Associação no dia 19 de agosto, pude sentir a quantidade de pessoas que já conheço ou elas me conhecem, pela minha participação no Blogue de Parada. São pessoas espalhadas pelo mundo que têm a caridade de ler as coisas que escrevo. O que escrevo são factos  do dia a dia, que procuro traduzir para uma linguagem mais acessível, pois afinal não tenho a capacidade de ser um "erudito". Se assim não fosse já teria parado de escrever por falta de assuntos.

Enquanto a vida durar e tiver pessoas disponíveis para ler o que eu escrevo, vou continuar a escrever.

                                               

Deus abençoe a todos os meus amigos, do passado e do presente

                                                                              

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 21:34

O ONTEM E O HOJE

por Francisco Gomes, Sábado, 24.10.15

Ao longo da história de Parada, um tema se faz constante, os paradenses de ontem e os paradenses de hoje. Entre eles há um longo período que nos leva ao esquecimento daqueles que existiam ontem, e ao desconhecimento daqueles que existem hoje. É isto que está a se passar comigo. Quando em junho de 2008, voltei a Parada, depois de 58 anos de Brasil, pensei em percorrer a aldeia de cima até ao fundo. Conhecia todas as Casas, recordava os nomes dos antigos moradores, porém, não conhecia e nem lembrava os moradores de hoje. Também, não podia ser diferente, afinal, uma pessoa que nascera no ano em que viajei, hoje estava com 58 anos, quase o período normal de uma vida. Por isso eu me considerei um estrangeiro nas fronteiras da aldeia que me viu nascer, um estranho a circular por aquelas ruas, que tanto conhecia, mas não conhecia as pessoas que passavam por mim.

Cheguei de viagem no dia 5 de junho de 2008, por volta de onze horas. Fiquei em Vila Pouca, na casa do Sr. José Campos, mas logo fui para Parada, para casa do João Ribeiro, um dos poucos que eu conhecia desde o Brasil. Aliás, em Parada, só conhecia o João e sua família, o José Campos e o António Moreira, isto porque eles estiveram no Brasil. Em Lisboa, conhecia os primos Agostinho e Manuela, que também haviam estado no Rio de Janeiro, e uma família, meus vizinhos, que alguns anos antes haviam viajado para Portugal e tinham um restaurante no bairro do Chiado em Lisboa. Estive uma semana em Lisboa, na casa dos primos Agostinho e Manuela. Me levaram a conhecer Sintra, o famoso Palácio da Pena, juntamente com o primo Manuel, me levaram a Évora, numa viagem inesquecível. Eu que sou apaixonada pela história, tudo o que vi de importante, agradeço a eles. Em Lisboa, também  revi a Tia Mariana, que juntamente com outra Mariana que existe em Parada, eram as duas Tias que tive a felicidade de rever. No final da semana, o Agostinho e a Manuela, me levaram até Fátima, o Altar do Mundo.

Fiquei muito feliz em saber que em Portugal ainda tenho muitos primos, embora não pudesse conhecê-los a todos. Na viagem fui acompanhado da minha irmã Laurinda, que estava a fazer a décima viagem, por isso, ela conhecia tudo e a todos. Só fiquei 30 dias, mas foram maravilhosos. Não podia ficar mais, pois minha esposa estava doente e carecia da minha presença. Também estive quatro dias em Braga, na casa da Cristina, prima da minha esposa, que vive e trabalha lá. Ela mostrou-me os lugares mais importantes de Braga. Também conheci Vilela do Tâmega, a terra dos pais da minha esposa. Fiquei feliz em saber que ela ainda tinha muitos primos por lá.

Em 2010, os primos  Agostinho e Manuela, Francisco e Olimpia, estiveram no Rio de Janeiro. Tive a alegria de conhecer o Chico e a Olimpia que ainda não conhecia. Foi por intermédio do Chico que passei a escrever para o Blogue de Parada. Tudo o que escrevi até hoje passou por suas mãos, pois ele é quem publica no Blogue. Agradeço-lhe pela atenção e pela paciência que até hoje ele teve de ler e publicar tantas coisas tão insignificantes. Mas graças ao Blogue de Parada hoje conheço tantos paradenses espalhados pelo mundo afora, que nunca imaginei conhecer. Escrevo tudo com grande  força de vontade, mas estou muito longe de aspirar a ser um escritor, embora faça o principal, procure escrever, é este o caminho.

                                                           

Deus abençoe a todos aqueles que têm paciência comigo.

                                                                                 

Agostinho Gomes Ribeiro

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 21:34

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


Created by Watereffect.net
Created by Watereffect.net


Comentários recentes

  • cunha ribeiro

    Absolutamente de acordo!

  • Cláudio Dias Aguiar

    Sou Cláudio Dias Aguiar, único filho do casal Raim...

  • mami

    domingo gordo é mesmo para enfardar :D :D :D

  • Anónimo

    Os meus pesames a familia.

  • Ebe Taveira

    Como assim??

  • cheia

    Muitos parabéns pelas suas oitenta e quatro Primav...

  • cunha ribeiro

    À Emília e ao Orlando Branco, filhos da Dona Alice...

  • cheia

    Já não bastava  as agencias de rating conside...

  • cunha ribeiro

    Grande texto sr Agostinho Gomes Ribeiro. Partilho-...

  • João Ribeiro

    Parabéns primo Agostinho pelo belo texto sobre a S...




IMAGENS DA NOSSA TERRA

CLIQUE NA FOTO PARA ACEDER À GALERIA DE IMAGENS DE PARADA DE AGUIAR parada em ponto grande para imagem de fundo.

GENTE DA NOSSA TERRA

minha imagem para.jpg


subscrever feeds



Pág. 1/7