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BLOGUE PARADA DE AGUIAR - Mais sobre mim


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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


EU GOSTO DE SER ASSIM

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 27.01.16

Na situação da vida de hoje temos velhos e idosos. Ser velho é muito complicado, as pessoas se entregam ao peso da idade cada ano que passa é um pesadelo a mais.  Com isso vem a solidão, os problemas com os familiares, as doenças características da idade, perde o interesse por tudo, reclama da vida, das dores e da idade. Só pensam no sofrimento e na  morte. Por isso são muitas vezes abandonados, passam os últimos dias em asilos quase sempre esquecidos.

O Idoso, ao contrário, não liga muito para os anos e para a idade. Alimenta seus ideais, acompanha a evolução da ciência e da técnica, não é saudosista, se preocupa em estudar e aprender, preocupa-se com política, acompanha o futebol, é normalmente chamado de idoso jovem.

É isso que eu procuro viver e gosto de ser assim. Procuro colocar vida nos meus anos, não ligo para a idade, tenho meus sonhos e cultivo os meus ideais. Sou apaixonado pelo estudo, leio livros, jornais e revistas, escuto rádio, vejo televisão, acompanho política, preocupo-me com o clima, com a situação do mundo. Quero aprender de tudo um pouco. Participo de muitas realizações, dou palestras para jovens, casais e idosos. Não me acomodo, uso o computador, a internet, tenho mais de 300 amigos virtuais no Facebook. Sonho em viajar pelo mundo, por isso arrisco todas as semanas na loto. O que menos me preocupa é ganhar alguns milhões e não ter tempo de gasta-lo. No mundo existem tantos necessitados, que qualquer quantia seria pouco para distribuir.

Eu gosto de ser assim, frequento festas, shows, gosto de me relacionar com os jovens e com os amigos e amigas. Não me importa que me chamem de “velho assanhado”. Eu já andei a pensar em ser “Velhinho de Programa”, hoje existem pessoas programas para tudo. Gosto de ajudar os necessitados. No dia 21 de janeiro voltamos das férias, atendi na farmácia, sozinho dei remédio para 124 pessoas. Terminei muito cansado, mas muito feliz. São dois dias por semana que atendemos as pessoas.

O Cemitério também é outro lugar que me ocupa muito. Trabalho dois dias por mês. Trabalhei dia 22 e voltarei a trabalhar dia 29. Atendo uma média de 15 pessoas por dia, faço orações fúnebres, procuro consolar e transmitir esperança às famílias enlutadas. São tantos dramas que deixam a gente numa forte emoção. Muitas vezes temos que recolher as mãos para que as pessoas não as beijem. Trabalho muito em favor de muitas pessoas que nem conheço. Eu sei que a morte um dia também virá para mim, mas antes que isso aconteça, ainda vou ajudar muita gente. Pois quem não vive para servir, não serve para viver.

    

Deus abençoe a todos

          

Agostinho Gomes Ribeiro 

 

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às 21:06

No Colo da Consciência

por cunha ribeiro, Terça-feira, 26.01.16

Impossível libertar-me das "visitas" dos meus queridos mortos.  É verdade que nada faço para não os voltar a ver. Os seus sorrisos (o que eu mais guardo deles em mim) entram-me no inconsciente, como por osmose, e por um impulso que não sei definir, há uma janela do consciente que logo se abre para que eu os veja melhor.

O sorriso de minha mãe, ainda tão nítido, desassossega-me um pouco, por parecer estar ainda a mostrar-lhe a alma.  Os seus pequenos olhos profundamente videntes continuam a olhar-me  e a gostar de me ver.  Por vezes vejo-os tristes parecendo que há angústias e preocupações que continuam vivas.  De vez em quando ainda oiço ecos das suas memórias: da mãe de Zimão e seus familiares, dos tios que morreram cedo, da Tia com quem cresceu e que viu morrer com 94 anos.

Os mortos que nos foram queridos nunca nos abandonam. Estão sempre prontos para nos voltarem a dar um abraço; para se sentarem à mesa e falarem connosco.

É isso que me acontece: às vezes tenho-os todos na mesma sala, ou junto à lareira, e então deito a minha cabeça num colo, e oiço os outros falar das belas coisas de outrora.

 

A.V.

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às 18:01

NÓS FALAMOS MUITO

por Francisco Gomes, Segunda-feira, 25.01.16

Dentre os dons que Deus nos concedeu está o privilégio de poder falar. Porém, aliado à fala está a audição. Nós temos uma boca e dois ouvidos, para escutar mais e falar menos. Falamos porque aprendemos. Existem muitas pessoas que nunca aprenderam a falar, porque nunca escutaram, são os surdos-mudos que se comunicam por meio de um dialeto próprio composto de sinais.

Nós falamos muito e sentimos necessidade de falar, quando algo nos impede ficamos aflitos. Através da fala, nós nos comunicamos com aqueles que nos cercam e também com aqueles que estão à distância. Junto com a fala, nós fazemos gestos característicos, conforme o jeito de cada um. Falamos com aqueles que conhecemos, mas também com os que não conhecemos, basta que para isso surja um motivo. Falamos para perguntar, informar, ensinar e interagir. Bastam aparecer motivos ou momentos de intimidade, para que surja um “bate papo.”

Pobres de nós, a nossa mente é povoada de fantasias, atrações, pavores, carências, entusiasmos e deceções. Por isso, é imperativa a comunicação. Impulsionados por expressões que sentimos necessidade de transmitir, o fazemos sem qualquer rigor ou sentido. São muitas as palavras de que dispomos, mas, ao mesmo tempo, parecem tão poucas que não conseguimos encontrá-las, ficamos engasgados, queremos falar e não  sabemos  o que dizer.

É angustiante a gente ficar à mercê dos mal-entendidos, quando soa em nós o desejo de nos expressar com palavras certas nos momentos certos. Falar é muito bom quando as palavras que saem da nossa  boca constroem e dignificam tanto quem as pronuncia como quem as absorve. Diz a sabedoria popular que a língua é o menor membro do corpo, mas o mais perigoso. A língua pode elogiar e construir, assim como pode arruinar e destruir. Uma palavra pronunciada num momento errado pode se tornar um flagelo. Se a palavra é de prata, o silêncio é de ouro. Muitas pessoas cometem grandes pecados, falando coisas que jamais deveriam falar.

É muito bom a gente pensar antes de falar e analisar criteriosamente aquilo que se quer falar. Uma palavra uma vez pronunciada, não tem mais volta, por isso, antes de falar, devemos nos submeter ao crivo das ponderações: será preciso falar isto, será verdade isto que vou falar, gostaria que falasse de mim o que quero falar do outro. Uma palavra só é certa quando primeiro é pensada.

   

Deus abençoe a todos

        

Agostinho  Gomes  Ribeiro  

 

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às 21:29

A VIDA NA ALDEIA

por Francisco Gomes, Sábado, 23.01.16

Nos meus tempos de adolescente a vida na aldeia era muito monótona, era  tudo muito atrasado.  Não havia saneamento básico e nem água encanada nas residências. Por todos os cantos se via sujeira, dejetos e fezes. As pessoas moravam nos sobrados e os animais nas lojas (cortes). Era colocado estrume nos pisos para aquecer os animais e formar esterco para ser usado nas plantações, estrumar os campos. Não havia qualquer higiene, além dos parasitas que invadiam os sobrados, não havia casas de banho, por isso, ninguém tomava banho. Banho só no verão, nas represas formadas no Rio Corgo.

O primeiro dia de Ano Novo, sempre era festejado, mas não como hoje. No dia seis de Janeiro festejava-se o Dia de Reis. Formavam-se grupos e corriam a aldeia, batiam à porta das famílias mais conceituadas e pediam licença para cantar os Reis. Sempre ganhavam  uma linguiça ou um salpicão, que ao final dividiam pelo grupo. Como era tempo de inverno, a gente ficava na expectativa que caísse uma nevada para a gente se divertir. Chegava fevereiro e com ele o carnaval, (entrudo). Não havia divertimentos, apenas alguns “caretos” para assustar a garotada, ou então, o Manuel Benedito a mostrar aquele rabo branco. Na terça feira de carnaval acontecia o leilão das orelheiras que eram oferecidas para Santo António. Quando chegava junho, como não havia festa de Santo António, o dinheiro arrecadado no leilão passava para São Pedro.

Em março tinha a  Novena em Soutelo. Era uma semana de pregações de manhã e à tarde confissões, geralmente vinham pregadores Franciscanos. A Semana Santa não tinha muita repercussão, alguns anos, o Manuel Benedito fazia um boneco para a garotada malhar junto da Capela. Abril era o mês das sementeiras, tendo alguns lugares que se estendiam para maio. Maio, o Mês de Maria, as pessoas se reuniam à noite para rezar, era a Senhora Ana Cunha quem comandava o Mês de Maria. Em maio está tudo florido, vemos flores por todos os lugares. Junho  chegavam as cerejas, as cegadas e malhadas. A festa de São Pedro havia anos em que era feita por Fontes outro ano por Soutelo, mas Parada sempre participava. Nesse dia era Dia Santo, ninguém trabalhava. Julho era o tempo de sachar o milho e as batatas, regar onde houvesse água. Onde não havia água, a gente rezava para que São Pedro mandasse uma chuvinha.

Agosto é o mês tradicional das festas a Nossa Senhora; Senhora da Saúde, da  Guia, da Assunção. Era o mês que já começavam a chegar os frutos.  Setembro, dia oito é a festa de Lamego, a feira das cebolas, começam as colheitas. Outubro, mês das vindimas, das esfolhadas, das  colheitas em geral. Novembro, dia de Todos os Santos, dia de Finados, visita ao Cemitério de Soutelo. Começam a chegar as castanhas. Dia 11 de novembro, São Martinho, dia de fazer “magustos” e provar o vinho de casa em casa dos produtores. Começa o inverno. Dezembro, mês do Natal, da matança dos porcos. Já estamos no inverno vamos nos encaminhando para a noite de Natal, para “o Tição”, para a Missa do Galo. Logo está a chegar o final do ano, para a gente começar tudo de novo.

Era esta a vida que a gente vivia na Aldeia. Não havia Luz, Telefone, Rádio, a gente vivia completamente isolado do mundo e de tudo. Os acontecimentos chegavam sempre atrasados.

   

Deus abençoe a todos

        

Agostinho  Gomes  Ribeiro 

 

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às 21:44

“ HISTÓRIA DE TRÊS BRAVOS PARADENSES QUE PARTIRAM PARA TERRAS DA AMÉRICA DO NORTE “

por cunha ribeiro, Sábado, 23.01.16

 

Mais uma vez venho aqui falar de três bravos Paradenses que se aventuraram numa viagem para terras da América do Norte em tempos difíceis da vida em procura de um rumo melhor, pondo por vezes a mesma vida em riscos em virtude da forma como se aventuravam a irem escondidos nos barcos em situações muito precárias para atingirem o sonho a que se tinham proposto.

Segundo comentários ouvidos, de pessoas desse tempo, muitos deles não se aguentavam na viagem e, pagaram com a própria vida o sonho idealizado da aventura em que se tinham metido. Quando isto acontecia, segundo relatos feitos dos mais antigos - eram lançados ao mar sem mais história para contarem.

Nesta aventura – também três bravos Paradenses, partiram em procura desse sonho para terras desconhecidas - onde se constava haver prosperidade de poder singrar na vida como todo o ser com raciocínio pensa em adquirir – principalmente na pujança da flor da idade como foi o caso destes Paradenses. Estes jovens aventureiros foram nem mais nem menos o Sr. ANTÓNIO LAMA, o Sr. FIRMINO SOUSA, mais conhecido por Firmino Barbeiro e o Sr. ANÍBAL CUNHA.

Chegados a terras da América sem perceberem patavina da língua, dos hábitos e costumes, lá se foram desenrascando como é apanágio dos portugueses. O que é certo – souberam-se desenvencilhar e, por lá andaram durante alguns anos até que constituíram família, regressando anos passados à aldeia por motivos das esposas destes terem problemas de saúde graves e, pensando que, com os ares de Portugal a doença fosse ultrapassada. Isso, para infelicidade dos mesmos, não veio a acontecer, acabando por ficarem os três viúvos.

O Sr. António Lama, que eu tenha conhecimento, não voltou a casar. Vivia com a filha Celeste naquela casa que hoje é pertença do Rogério e Ercília. Deixou dois filhos na América. A filha Celeste, casou com o Manuel Ribeiro contra vontade do pai. Embora vivessem no mesmo casarão, as relações não eram das melhores. Mas, com o decorrer dos tempos, como a filha já tinha 3 filhotes, o João, a Inocência e outro mais pequeno que eu já não me lembro do nome. O Sr. António, ao ver que o futuro da filha não estava a ser nada risonho, intercedeu perante os filhos que estavam na Améria, para estes mandarem ir a irmã com o sentido de: seguidamente poder mandar ir o marido e os filhos como de fato veio a acontecer como é do conhecimento da juventude do meu tempo e, dos mais antigos de Parada.

O Casal – Manuel e Celeste, segundo ouvi falar ainda vieram a Parada e, compraram casa em Vila Pouca, onde ainda viveram durante algum tempo. Quando a saudade dos filhos e dos netos começou a apertar, venderam novamente a casa e voltaram de novo para a América, onde acabaram o términus da viagem que se tinham proposto fazerem.

A história do Sr. Firmino, depois de regressar a Parada com 3 filhos e, a esposa muito doente, que veio a falecer pouco tempo depois, ficando com três crianças para acabar de criar nas mãos mas, com o apoio familiar lá se foi arranjando como pode. Voltou a casar novamente. Desse casamento nasceram mais 3 filhos que ficaram órfãos de mãe muito cedo e, mais uma vez recorreu ao apoio de sua mãe e família para os poder criar. Os três mais velhos, como tinham nascido na América, não sei se os levou lá ou como foi – o que é certo – depois de terem ido - nunca mais cá voltaram. Mais tarde, quando a Ana, o Manuel e o António, começaram a atingir a maior idade – o Sr. Firmino voltou à América com o sentido de os puxar para lá como de facto se veio a concretizar. Depois de os ter todos lá - voltou a Parada e, por lá se manteve até ao fim da sua vida. Os três filhos mais novos, depois de bastantes anos lá por terras de América, regressaram a Portugal, fixando-se o Manuel e António, nas proximidades do concelho de Alcanena e a Ana para os lados da Guarda, sem se esquecerem de vez em quando a sua Parada visitarem. Esta história, só eles melhor a podem contar. Eu, simplesmente estou aqui a frisar algo daquilo que ouvia falar.

O Sr. Aníbal Cunha, quando regressou a Parada, fazia-se acompanhar da esposa e, de uma filha destes de nome Vergelinda. Passados alguns tempos – a esposa faleceu. O Sr. Aníbal, ao ver-se com uma filha pequena nos braços para criar – contratou uma pessoa para a filha tratar. Essa pessoa era nem mais nem menos do que a senhora Conceição com quem veio a casar. Desse casamento nasceram mais 6 filhos, o João, Amélia, Aníbal, Adelaide, Manuel, Etelvina e António Cândido. O Sr. Aníbal, não saiu mais da sua aldeia. Fixou-se no amanho das suas terras para sustento dos seus filhos como tantos outros casais que à época viviam em Parada e, de um modo geral por todo o Portugal. Pois, naquele tempo, quem tivesse terrenos para cultivar, já era sinónimo de fartura e, como as pessoas viviam da agricultura – quantos mais terrenos tivessem – mais abastança haveria.

O Sr. Aníbal, como os nossos amigos leitores mais assíduos do Blogue de Parada, de certeza se recordarão de um texto escrito e publicado no Blogue pelo seu filho António Cândido, onde narrava todos os atos heroicos de seu pai, bem como o seu falecimento trágico, sendo ele António, ainda muito jovem mas, ficou-lhe bem vincado na sua mente a aflição em que se viu de uma hora para a outra ao ver o seu pai cair e, ele nada poder fazer.

Quero aqui frisar aos amigos e familiares que fique bem claro. Escrevo isto - não com o sentido de menosprezar seja quem for – mas sim com o sentido de falar em nomes de pessoas da nossa aldeia que partiram em procura de um futuro melhor mas, sempre com o sentido de regressarem à sua aldeia. Exemplo que muitos dos nossos emigrantes poderiam ter em consideração. Assim: a nossa aldeia não ficaria tão despovoada. Àqueles que partiram, que Deus tenha a sua alma em descanso. Para todos os presentes, haja muita paz e compreensão entre todos nós. Um grande abraço a todos e aguardem por mais contos das gentes que foram da nossa aldeia que é Parada do Corgo ou Aguiar como lhe queiram chamar. Eu, ainda vi escrito no apeadeiro o nome de Parada do Corgo. Já era rapazote quando tiraram o Corgo e puseram Aguiar. De uma forma ou de outra – será sempre a nossa terra.

Agostinho Rodrigues

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às 18:32

No "Sr António"

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 21.01.16

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às 19:18

RECORDAR A FAMÍLIA

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 20.01.16

Sempre fui muito ligado para a minha família. Nos momentos de nostalgia, quando recordo tantos familiares espalhados por aí, fico muito feliz em pertencer a duas famílias tão tradicionais, a família Ribeiro e a família Gomes. Dos meus avós, só conheci a minha avó materna, a Mãe Maria. Ela faleceu no dia 4 de agosto de 1954, quando eu já estava no Brasil. Ela era conhecida na aldeia como Maria Cunha, apesar de não pertencer a essa família e somente se assinar Maria dos Prazeres. Gostava muito dos netos e entre vivos e mortos chegou a ter mais de 40.

A Mãe Maria criou seis netos, filhos do meu tio e padrinho Firmino, o filho mais velho. Ele vivia nos Estados Unidos e tinha três filhos americanos. A primeira esposa dele estava com câncer em fase terminal. Levou a família para Portugal, para que a esposa morresse na sua Pátria. Ela era do Couto, uma aldeia perto de Vila Real, mas morreu em Parada. Deixou  os três filhos, a Maria com seis anos, o José com quatro anos e o Francisco com dois anos. Foi a Mãe Maria que criou estes três netos americanos.

O meu padrinho resolveu casar de novo com a tia Anunciação, da família dos Ricotes. Ela morreu muito nova, deixou três filhos, a Ana com seis anos, o Manoel com quatro anos e o António com dois anos. Mais uma vez a Mãe Maria criou estes três netos portugueses. Estes três ainda estão vivos e residem em Portugal. Dos americanos, apenas o Francisco é vivo, a Maria faleceu em 2013 com 92 anos e o José já faleceu há muito tempo tinha 70 anos.

Da parte dos Ribeiros, só conheci três tias e todas com bastante idade. Meu Pai era mais velho que minha Mãe 27 anos. A tia Maria da Glória, a mais velha, morreu em 1947, a tia Adelina morreu quando eu já estava no Brasil, não guardei a data. Meu Pai morreu em 1962 e a minha madrinha tia Laurinda morreu em 1963, no Rio de Janeiro.

Os tios da parte da minha  Mãe, já são todos falecidos. Só a segunda esposa do Tio José, a tia Mariana, ainda está viva. Todos faleceram quando eu já estava no Brasil. Aqui no Rio de Janeiro, faleceram três. O tio Francisco, o tio António e a tia Alcina. Esta faleceu em setembro de 1993. O tio Firmino, o tio Américo e a minha Mãe tinham mais idade, os outros morreram relativamente novos. Todos deixaram filhos, alguns ainda não consegui conhecer. O tio António não teve filhos e o tio Francisco teve apenas um, foi morar em Santa Catarina e nunca mais tive notícias dele. De todos os irmãos o que morreu mais novo foi o tio João. Convivi com ele algum tempo quando ele servia em Vila Pouca, como Guarda Republicana. Já conheci bastantes primos, principalmente os que moram em Lisboa. Em 2012, na casa da Manuela, teve uma feijoada, onde estiveram presentes todos os irmãos. Tenho pena de não haver conhecido o António. Quando estive lá em 2008, ele já havia morrido, mas tive a satisfação de almoçar com a tia Mariana, que nos deixou em 2010.

Aqui no Rio de Janeiro só tem um primo, o Manoel António, com o qual tenho boa convivência. Uma irmã dele a Maria Augusta morava na cidade serrana de Teresópolis onde em 2010 morreu muita gente nos deslizamentos provocados pelas chuvas. A partir dessa data, nunca mais tive noticias dela. Tenho muito orgulho de todos os meus primos, tenho pena de não conhecer ainda todos. Os que morreram no Brasil, filhos do tio Américo e um da tia Alcina, senti a morte deles.  Cada um que parte, é um galho da grande árvore, que é a família Ribeiro Gomes que seca. Aqui no Brasil já morreram cinco irmãos, três por parte de Pai, a Ana, o Germano e o António. Dois diretos a Maria em 1993 e o Antônio em 2015, além da minha Mãe que morreu em 1989.

                                       

Deus abençoe a todos

            

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 21:16

Presidenciais

por cunha ribeiro, Terça-feira, 19.01.16

 Se há factos preocupantes que merecem a atenção crítica e o combate firme dos portugueses, a corrupção é um deles. Aliás, este é um problema tão grave que deveria estar à cabeça de todos os outros no combate político.  Paulo de Morais,  que não é virgem neste combate, é o único candidato a Belém com um discurso claro e convicto contra este triste e cada vez mais presente flagelo. Estranhamente, porém, Paulo de Morais não surge como um dos favoritos nesta corrida eleitoral, e nada me espantará que o estabanado e excêntrico "Tino de Rans" venha a ter melhor resultado nas urnas que o Ex-vereador da Câmara do Porto.

 

( Introdução do próximo artigo a publicar no "Notícias de Aguiar")

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às 16:50

Pobres e Ricos

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 18.01.16

Diferenças entre ricos e pobres...

 

Rico vestido de branco :- Médico
Pobre vestido de branco:- Padeiro

Rico a pescar :- Lazer
Pobre a pescar :- Necessidade

Rico a subir um monte :- Montanhista
Pobre a subir o monte :- De volta a casa

Rico num restaurante :- Cliente
Pobre num restaurante :- Empregado
 
Rico barrigudo :- Bem sucedido
Pobre barrigudo :- Cirrose

Rico a coçar a cabeça :- A pensar
Pobre a coçar a cabeça :- Piolhoso

Rico parado na rua :- Peão
Pobre parado na rua :- Suspeito

Rico a conduzir um Mercedes :- Proprietário
Pobre a conduzir um Mercedes :- Motorista

Rico na loja :- "Eu compro."
Pobre na loja :- "Estou só a ver."

Rico a chorar :- Sensível
Pobre a chorar :- Piegas

Rico traído :- Adultério
Pobre traído :- Corno

Rico com dor de barriga :- Desarranjo Intestinal
Pobre com dor de barriga :- Caganeira

Rico bem vestido :- Empresário
Pobre bem vestido :- Corrupto

Rico de fato :- Administrador
Pobre de fato :- Morto

 

(De autor desconhecido)

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às 17:22

Conto Breve

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 18.01.16

A sorte do senhor Hermenegildo

 

 

O senhor Hermenegildo tinha 67 anos e uma vida de muito trabalho às costas. Fora guardador de ovelhas, trolha, marçano e, finalmente, porteiro. A mulher e os filhos já tinham ido. Ela, para o Alto de S. João. Os filhos, ainda solteiros, para o estrangeiro. Um, o rapaz, estava em Inglaterra; a filha, no Canadá. Homem sensato, ia-se amanhando com o pouco que tinha. No fundo, só tinha a reforma, que rondava os quatrocentos euros. Dava para a renda daquela casa velha, ali para os lados do Poço do Bispo, para a bucha, para os comprimidos para a tensão e o colesterol, volta, não volta lá precisava de um anti-inflamatório para as dores nas cruzes e nos joelhos. E para mudar as lentes dos óculos. Ah! Dava também para dois descafeinados por dia. Luxos.

 

Uma noite, teve uma dor de dentes mais persistente e violenta. Já lhe faltavam vários, que foram sendo sacrificados à teoria do mais vale arrancá-los do que tratá-los. Sai mais barato e não voltam a doer. Mas lá foi ao dentista.

 

- Ó senhor Hermenegildo, a sua boca precisa mesmo de um arranjo a sério. Isto já não é boca que se use. Vamos tratar disto? – disse o estomatologista amavelmente.

 

- Acha mesmo? – perguntou Hermenegildo desconfiado? – E quanto ao pilim, ao bago, se é que me faço entender?

 

- Pois… Para se fazer aqui uma coisa que não seja atamancar, andará aí pelo três mil e quinhentos euros.

 

A dor de dentes do senhor Hermenegildo desvaneceu-se milagrosamente.

 

- Sabe uma coisa, doutor? Então não é que a dor desapareceu? Mas vou hoje mesmo jogar no euromilhões. Pode ser que a sorte olhe para mim pela primeira vez na vida. Trato dos dentes, chamo os meus filhos para fazer logo as partilhas e pronto.

 

Era sexta-feira. Saiu do consultório e viu que na porta ao lado havia uma agência de aposta.

 

Ainda pensou duas ou três vezes. Era o destino a dizer-lhe qualquer coisa. Jogo? Não jogo? Jogo! E lá foi jogar no euromilhões. No sábado, descobriu, sem acreditar no que via, que os números apostados eram iguais aos números sorteados, a fazer fé no que o jornal dizia. Números tais e tais, e o prémio viera para Portugal. O feliz apostador ia arrecadar um jackpot de mais de 65 milhões de euros. Fingiu que não era com ele, limpou o suor da testa, pagou o descafeinado e dirigiu-se para porta do café.

 

- Está bem disposto, senhor Hermenegildo? Está tão pálido. Sente-se bem? – perguntou a dona Bia, proprietária do café.

 

Hermenegildo voltou-se.

 

- Uma dorzinha aqui num dente. Amanhã já vou tratar disto.

 

Comprou mais dois jornais, confirmou que todos diziam o mesmo. Foi ao agente onde apostara, e lá estavam, preto no branco, os números maravilhosos. Olhou discretamente para o talão e viu que não havia lugar a dúvidas, Era tudo dele. 65 milhões!

 

- Espera aí, Hermenegildo – disse para si mesmo. – Se não houvesse agora um imposto, ou taxa, o lá o que é, seriam 65 milhões. Mas agora os sacanas tiram 20 por cento. Não interessa. Que se lixe. Ainda dá… ora deixa cá ver… sei lá, para aí 50 milhões. Logo se vê.

 

E logo se viu. Tratou de tudo em segredo. Telefonou para os filhos, que rapidamente começaram a pensar que Portugal se transformara num país habitável. Ela, não gostava do frio do Canadá. Ele, porque era muito moreno e tinha umas barbas que lhe davam um ar islamizado, começava a sentir-se desconfortável na velha Inglaterra. Viriam imediatamente para cá acertar as coisas.

 

Entretanto, Hermenegildo ligou para o consultório do estomatologista.

 

- O senhor doutor está num congresso nos Estados Unidos. Só volta daqui a três semanas, senhor Hermenegildo – informou a recepcionista.

 

- Não faz mal. Cá o espero.

 

Os filhos chegaram num abrir e fechar de olhos, trataram do que havia a tratar, e voltaram a Inglaterra e ao Canadá para resolver as questões inerentes ao seu regresso à pátria bem-amada.

 

Entretanto, abrira-se um conta comum para a qual a Santa Casa transferiu cerca de 52 milhões de euros.  Hermenegildo era feliz. No Poço do Bispo, contudo, ninguém suspeitava que andava por ali um multimilionário. Hermenegildo fazia a sua vida de sempre, salvo aquilo que nunca fizera antes: sonhar acordado! Quando os filhos voltassem, iria viver com qual? E não poderiam viver todos juntos? Talvez… Não interessa. E viajar? E compraria um carro? Porra, mas não tenho carta. Tiro a carta? Ou contrato um motorista? E para onde iremos viver? Para o Parque das Nações, mesmo ali ao lado? Ou para o Algarve?

 

- Para onde eu quiser. Sou rico. Sou um homem com sorte! Com muita sorte. Seria bom era que isto tivesse acontecido mais cedo, há vinte anos, ou trinta, para a Zulmira ainda gozar a vida a sério. Talvez até a doença dela tivesse cura. Com dinheiro, vive-se mais tempo. E melhor.

 

Continuava Hermenegildo a ir ao café da dona Bia, a beber os seus descafeinados, enfim, o costume. Hoje, está particularmente feliz, pois os filhos regressam daí a dois dias. Distraidamente, começa a ler o jornal.

 

- Mas espera aí! Este não é o banco onde eu meti o dinheiro? – perguntou a si próprio, alarmado. E, com um mau pressentimento, começou a suar. Um suor frio.

 

- Sente-se bem, senhor Hermenegildo? – perguntou a dona Bia, sempre atenta aos seus clientes.

 

- Não é nada, não é nada. Olhe, está aí o seu filho, aquele que anda a estudar?

 

- Está. Quer que o chame?

 

- Se fizer o favor.

 

Limpou o suor da testa e das mãos. Tinha frio.

 

- O que era, senhor Hermenegildo? Quer falar comigo? – perguntou um moço alto, sorridente. – A minha mãe disse que perguntou por mim.

 

- Olá, Bruno. Explica-me esta notícia aqui, deste banco. O que é isto de situação de insolvência, banco sob resolução, depósitos afectados?

 

- É esse banco das notícias que a televisão tem dado. Não tem visto?

 

- Televisão, eu?! Quero lá saber da televisão! É só aldrabices!

 

- Neste caso, não é. Mas não se preocupe com isso, senhor Hermenegildo. Os banqueiro fazem merda e depois a União Europeia manda apresentar a conta aos clientes do banco. No caso desse banco aí, quem tiver lá o seu dinheiro, perde tudo o que for superior a cem mil euros.

 

Os filhos do senhor Hermenegildo chegaram mesmo a tempo de tratar do funeral do pai.

 

(Autor anónimo)

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às 17:19

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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Comentários recentes

  • cunha ribeiro

    Absolutamente de acordo!

  • Cláudio Dias Aguiar

    Sou Cláudio Dias Aguiar, único filho do casal Raim...

  • mami

    domingo gordo é mesmo para enfardar :D :D :D

  • Anónimo

    Os meus pesames a familia.

  • Ebe Taveira

    Como assim??

  • cheia

    Muitos parabéns pelas suas oitenta e quatro Primav...

  • cunha ribeiro

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  • cheia

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  • cunha ribeiro

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  • João Ribeiro

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