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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


A Procissão

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 30.01.17

 

 

Mordomo da Festa, nesse ano, meu pai escancarou as portas de casa ao armador de Quintã.

- Meta a fatiota toda na sala e na varanda e amanhã vista os anjinhos lá dentro.

Finalmente, pude escolher a roupa que há muito queria vestir: a do padroeiro da Festa - S. Pedro. Na véspera, falava disso com o meu amigo e vizinho, Heitor:

- Eu vou de S. Pedro, e tu?

- Eu vou  de S. Tiago.

- Porquê?

- Porque sim.

Nem dormi, a pensar na figura que ia fazer, com as chaves do Céu e do Inferno na mão. 

Pela manhã, pus-me a observar os trajes que estavam espalhados na mesa e nos sofás: o véu azul de Nossa Senhora; as asas brancas dos anjos; O cajado de S. Tiago, e as chaves do apóstolo, S. Pedro, dominaram a minha atenção.

Muito antes da hora da procissão, já eu estava pronto para o desfile. Entretanto, todos os outros colegas foram fazendo como eu. Os que puderam, escolheram a figura que queriam representar, os que não puderam vestiram o que havia. Uns de santo, outros de santa e outros de anjinho, assim se foi vestindo a garotada, alguns com a ajuda das mães.

- Estão todos prontos? (perguntou o Sr Eduardo)

Homem alto, e de boa figura, o sr Eduardo vinha todos os anos, de Quintã de Jales, armar os andores e vestir os anjinhos a Parada do Corgo. Com ele vinha também o Jacó, um paradense, que era seu empregado.

Meu pai e restantes mordomos conhecedores do rigor do pároco da freguesia, no que respeitava a horários, já tinham acertado agulhas com ele:

- A que horas sai a procissão, sr Padre?

- Às onze, em ponto!

À hora acertada, a procissão estava pronta para sair. Os andores ergueram-se sobre os ombros dos voluntários. Ao sinal de partida, começaram a percorrer as ruas da aldeia. Ao centro, debaixo do pálio, o Padre Amaro, paramentado, segurava um livro na mão.

Nós, os figurantes, visivelmente vaidosos e envergonhados, desfilávamos logo a seguir. A princípio bem alinhados, com o andamento, fomos sendo tomados pelo cansaço, e já destrepávamos, desobedecendo aos mordomos. Os mais pequenos choravam, e alguns faziam perrice para as mães os levarem ao colo.

Debaixo da ramada do ti Firmino Ricote, a procissão abrandou:

- Cuidado com o andor de S. Pedro, que pode tocar na ramada! ( avisou um mordomo)

Talvez por ser o padroeiro da festa, o andor de S. Pedro era o que melhor figura fazia, Era o melhor ornamentado, o mais largo e alto de todos. Julgo que havia uma razão mais profunda para essa honraria: S. Pedro, para além da chave do Paraíso era também senhor da chuva e do Sol. Logo, das boas e más colheitas.

Percorrida a rua central, e a Cruz, o séquito seguiu  pela quelha de S. Pedro e parou no adro, em frente à capela. Começou então a missa campal, com sermão e missa cantada. Cá fora, no átrio, o sol de Junho ardia nas nossas cabeças. A sede secava as gargantas. Pelo largo fora vendiam-se cavacas, fruta e refrescos.

- Minha senhora, quanto custa um refresco!

- Dez tostões.

- Dê-me dois, faz favor.

Exaustos mas satisfeitos, subimos à aldeia despir a farpela ... e vestir a roupa nova que tínhamos para estrear. A festa ia continuar.

 

 

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às 22:23

A Mantança

por cunha ribeiro, Domingo, 29.01.17

- O raio do bicho está bem cevado! 

O ti Augusto, de faca afiada na mão, ficou espantado com o bicho que ia matar.

E era pra estar. O porco estava, de facto, um labrego. Nem um osso se via. Em casa ninguém estranhava:  Desde pequeno, tudo o que sobrava da ceia e do jantar, ia parar à gamela. E tudo sumia.

- Agarrai-o bem que, pelos jeitos, temos aí um reco valente. ( avisou, meu pai)

Eram quatro: dois homens para segurarem as patas, e os outros para o segurar pelo rabo e pelas orelhas. Minha mãe abriu-lhe a porta, e o bicho avançou, estancou, e lançou um olhar, desconfiado, ao ver tanta gente. Foi preciso trazê-lo aos empurrões, pois teimava em não se chegar à beira da faca. 

- Trazei-o pró banco! ( ordenou o matador)

Empurraram-no até ficar de um lado do banco. Agarraram-no todos ao mesmo tempo, e viraram o bicho de lado, ficando o pescoço à mercê do matador. Este, depois de o afagar, durante uns segundos, fez o trabalho bem feito: apenas alguns instantess de agonia,  e já o alguidar saía, cheio, de junto da faca, e seguia para a cozinha.

Seguiu-se a raspagem e lavagem do porco, enquanto se ia queimando o pêlo com palha.

- Chegai palha às unhas!

O ti Augusto exigia mais fogo nas unhas do porco para poder arrancá-las melhor...

Depois de lavado, o bicho voltou ao banco para a habitual operação à barriga. O ti Augusto, de rodilha à cintura, começa então uma cirurgia fantástica, mudando de faca a cada passo:

Primeiro rasgou todo o perímetro abdominal. E com uma habilidade incomum, foi arrancando, aos poucos, todo o "soventre", ficando a zona dos intestinos e outros órgãos à vista. Depois, com toda a perícia que o tornou um matador de porcos famoso, continuou a cortar e a separar as entranhas do animal. Finalmente, pronta para a pendura, os homens levaram a carcaça até à loja,  antando-a a uma trave, de focinho pra baixo, para melhor escorrer o sangue e o vinho que lhe foi espalhado na zona de intervenção.

O melhor ficou para o fim:

 Sentados no escano, o sangue cozido no pote, ou sarrabulho, e o fígado frito com cebolada, mais as batatas cozidas com grelos faziam agora as nossas delícias...

 

 

 

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às 19:25

O Sino

por cunha ribeiro, Sábado, 28.01.17

 «Tem lêndeas..tem lêndeas ... tem lêndeas...»

- Ouço o sino a tocar...será fogo? ( Inquiriu minha mãe)

 Corri logo até à capela. A cremalheira do sino subia e descia, puxada, com grande vigor, na penumbra do fim de tarde.

Instantes depois, o largo, frente à capela, enchia-se de gente.

- Há fogo no Porto da Bouça! ( gritaram) Acudamos depressa!

Cerca de uma dezena de homens e de rapazes galgaram montanha acima. Enquanto subíamos, o incêndio alastrava a cada minuto. Quando chegámos já o fogo lambera a rama de vários pinheiros e devastara o carqueijal que os circundava. Mas a mata era densa e o pinheiral cobria quase toda a montanha entre o Viveiro e o Porto da Bouça.

- Toca a apagar rapaziada! ( gritava o mais velho)

- Se não o dominarmos, amanhã a serra é uma montanha de cinzas.

Espalhámo-nos pela frente das labaredas, com ramos de giesta e de carqueja nas mãos, e desatámos à vergastada nas chamas, com grande furor.

- Cuidado, ninguém se deixe ficar no meio! Fica aí assado como um coelho!

Havia sítios onde o esforço não era vão; mas, noutros lugares, a força das chamas era medonha.

- Chegai-lhe daquele lado!

Há mais de uma hora a lutar, e o fogo não dava tréguas. No alto da serra, ouvia-se agora  o eco agudo de uma sirene.

- Os bombeiros! Força que agora vai! ( Animava mais uma vez o mais velho)

 Para alcançarem o fogo, os bombeiros de Vila Pouca subiram a estrada de Jales, virando em Guilhado. Estacionaram junto ao Viveiro, onde a água escorria a  cachão para os tanques. Em escassos minutos, as chamas desapareceram, deixando o arvoredo da Tapa em paz. E, nós, orgulhosos do nosso a trabalho, regressámos à aldeia, felizes. 

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às 21:01

Fonte do Neto

por cunha ribeiro, Sábado, 28.01.17

- Avelina, prometi que amanhã  ias ajudar a tia Albina. Vão fazer a sementeira na horta da Fonte do Neto.

- Mas ... amanhã não é dia de feira? A senhora não vai lá vender a pedrez e os ovos? E o miúdo, quem fica com ele?

- Terás de o levar contigo...

Minha mãe, criada com a tia paterna, recebia desta as ordens que nunca teve da mãe. Esta, por necessidade, foi obrigada a deixar a filha viver com a cunhada, que era solteira, vivia sozinha, e tinha vários terrenos pra cultivar... 

- A senhora disse p`rá Fonte do Neto? 

- Sim. Mas só vão de tarde. Por isso ainda podes fazer o jantar..

No dia seguinte, depois do jantar, lá foi minha mãe, para a Fonte do Neto. Comigo por uma mão, segurando uma cesta na outra, subiu, na direcção do Valtique, até à terra da tia Albina que tinha dois jeios. No debaixo havia couves e beterrabas; no de cima, iam ser plantadas batatas.

Estávamos, pois, todos no jeio de cima. Os homens abriam regos, de cabo a rabo; as mulheres enchiam de batatas as cestas, de onde as tiravam às mãos cheias, colocando-as, uma a uma, no sulco já aberto. Eu, única criança que ali estava, pus-me a brincar junto à parede.

O muro, junto do qual eu brincava, teria o triplo da minha altura, e emparedava o caminho para Valtique, tapando-me a vista para além dele.  Entre mim e o muro, umas galhas de giestas e carvalhos secos, entrelaçados no chão, pareciam esperar que o dono da terra as levasse.

Distraído na brincadeira, não vi o tempo passar. A meio da tarde, abriam-se os últimos regos.  Semeavam já no lado oposto à minha zona de brincadeira. Enlevado no meu divertimento, descobri um S. João todo florido. As flores desta planta sanjoanina são campânulas que, bem fechadas na ponta, provocam estalidos quado rebentam. Decidi, pois, que ia passar algum tempo a rebentar aquelas flores. Mas era preciso arrancá-lo do muro.

Meu dito meu feito, avancei para o muro. Ao segundo passo, porém, meus pés caíram num vácuo, e todo o meu corpo cedeu, bruscamente, à força da gravidade, em queda livre, por entre  ramos. No último instante, o milagre: minhas mãos, instintivamente dobradas em gancho cravaram-se, firmes. no tôco de um ramo, segurando o meu corpo que já balançava, com as botas à beira da água. Apavorado, comecei a gritar.

Minha mãe, aflita, correu para mim, puxou-me pelos braços, apertou-me com toda a força que tinha, e começo, num pranto:

- Ó virgem Maria... Ó Padre Manuel do Couto ... Ó meu Deus... obrigado, por me salvarem o meu filho!

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às 10:46

Despedida

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 27.01.17

 

O autocarro parou no centro da Vila, onde eu já o esperava, de mala na mão. As despedidas fizeram-se em casa:

- Deus e a divina providência te guiem! – Implorou minha mãe, com os olhos marejados de lágrimas.

- A cama que arranjarás é onde te deitarás! - Advertia, com uma máxima,  meu pai.

Oiço ainda os ecos da despedida, quando o motorista me pede a mala. Num gesto hábil e decidido, coloca-a no meio de outras. Enquanto ia amontoando as malas, pus-me a olhar as despedidas dos outros.  Com um pé a deixar o passado, e outro a entrar no futuro, parecia algo lunático. O passado, aos poucos, ia ficando esquecido. Naquele instante, só o futuro e e sonho ocupavam o meu pensamento.

O ruído de um motor  acordou-me deste torpor. O autocarro ia partir. Subi. Sentei-me.  Olhei à volta: dezenas de emigrantes, mais homens do que mulheres, de regresso ao trabalho. Todos na casa dos cinquenta e sessenta.

Partimos.  De Chaves até à fronteira, curvas sem fim iam desenhando um cenário de filme. O autocarro ia e vinha, subia e descia, num percurso assombroso de giestas e de carvalhos, atravessando furtivos riachos, que escoavam sob salgueiros.

À beira da noite, Quintanilha surge guardada a rigor pela polícia que faz sinal de paragem. Na época, era  a única fronteira aberta em Trás-os-Montes. Um lugar ermo, e inóspito, onde nevava e gelava.

- Passaportes, fazem favor!

Dezenas de livretes, de capa verde, saltaram dos bolsos dos passageiros.

- Garrafas de água ardente à vista, façam fineza!

Uma garrafa que fosse  além do limite, era certo e sabido que não atravessava a fronteira. Como ninguém ali fosse a prevaricar:

- Boa viagem! (Desejou o agente)

- Obrigado! (balbuciaram alguns passageiros).

Entrámos em Espanha como se tivéssemos voltado pra trás: as mesmas curvas, os mesmos montes e vales, a mesma roupa a vestir a paisagem. Aquela monotonia, e o véu nocturno a ofuscar a paisagem, fez-me cair num sono profundo, apenas interrompido, longos quilómetros depois, num restaurante  com o sugestivo nome  de “Suco” .

A Espanha, para o emigrante luso de além-Pirineus, foi, e sempre será, um longo e penoso caminho. Percorre-o, levando consigo a saudade e trazendo a alegria. Vai e vem como se atravessasse  uma ponte entre o coração e a razão. Quando vem é o coração que o acolhe; quando vai, é a razão que o espera. Para mim, aldeão de existência, mas cosmopolita de essência, aquela viagem  era o desflorar de um mundo novo

 Por isso, raiada a aurora,  meus olhos, virgens de curiosidade, sorveram as mais agrestes paisagens, como se fossem já os “Campos Elíseos”. O longo percurso, entre Castela e Hendaye, foi um passeio fugaz de tão divertido.  Até Hendaye percorre-se a  espinha dorsal de Castela. Atravessado o lombo da fria Sanábria, percorremos o dorso norte de Espanha até penetrarmos as estreitas gargantas dos Pirinéus . Estes erguem-se, alvos e hirtos, à nossa volta, roçando, por vezes, as nuvens.

Chegamos a Hendaye de madrugada. Carros e camionetas, cheios de gente, parados ao lado de nós. Homens fardados entram e saem dos autocarros. Eu, dentro do nosso, aguardo assustado que pronunciem o meu nome.

Estávamos na década de setenta, do século passado. Giscard no Eliseu. As fronteiras eram vigiadas à lupa. Sem "carta de trabalho ou residência", a França era um destino  apertado. As ordens eram repatriar o "turista" que não levasse dinheiro, nem justificação aceitável. Comigo, levei o mínimo exigível e uma justificação plausível e verdadeira:

- Vou estudar pra Paris (Disse eu, num francês cacafónico).

- 350 francs?! très peu, pour trois mois, jeune homme! (Implicou o polícia).

Mais pálido que o luar da noite, balbuciei:

- Tenho uma irmã, em Paris...

  - Suivez-moi! ( Ordenou)

O passaporte tremia-me na mão descontrolada.  Atarantado, a pensar no pior, segui o polícia. Entrámos num gabinete. A mão do agente deambulou pela secretária. Depois abriu uma gaveta, apalpou, e voltou a fechá-la. Abriu outra... Lá estava o que procurava. Segurou com a mão direita  num pequeno carimbo. Abriu o passaporte  e , de um golpe, fixou, a vermelho,  a sentença:

" Visiteur temporaire".

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às 21:24

Trovoada

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 26.01.17

- Vem aí uma valente trovoada! (augurou minha mãe, olhando o céu negro e os sucessivos relâmpagos atrás da montanha)

Uma "trovoada valente" era um fenómeno raro que merecia toda a atenção e cuidados por parte do lavrador. Em casos de maior tormenta, os trabalhos - que remédio! -  paravam mesmo.

O anúncio de minha mãe deixou-me, por isso, entre o perturbado e o feliz. Faltava semear ainda metade da terra, e nem horas eram de merendar. O resto da tarde ... já estava a vê-lo ... todo na pândega com os amigos.

- Parou tudo! Vamos merendar a casa. (decidiu, com autoridade, meu pai) Arrumem as cestas, cubram o adubo e as batatas, e escapem-se o mais depressa possível.

Larguei a frente das vacas, pousei num canto a aguilhada, peguei na guia e no arco, e corri, como um doido, atrás do arco, desde a levada até casa, subindo pela Cruz.

Um pouco mais tarde, chegaram eles e elas, alagados, como gatos saídos de um poço. Na subida, a meio da quelha de S. Pedro, começara a chover a cântaros, e como ninguém se prevenira com guarda chuva...

 Com a fogueira acesa e a mesa posta, começámos a merendar. Chovia cada vez mais. Do lado de Cabeça Gorda, o desalmado do vento vinha com os foles ligados. Relâmpagos, uns a seguir aos outros, iluminavam o céu e a terra.

- Ó Srª Ana, tem loureiro benzido? (Era a tia Mariana, aflita, a perguntar pela planta bendita)

- Eu, loureiro não tenho, mas tinha uns raminhos de oliveira… já estão aqui na fogueira…

A tia Mariana sentiu o cheiro a oliveira, e ficou logo mais descansada. Foi chamar a família e sentaram-se todos à volta do lume.

Lá fora, o vento assobiava, rodopiava, quebrava os galhos mais secos da velha figueira, ameçava levar as telhas velhas do telhado do ti Carmim Nogueira... Um pandemónio!

Na cozinha, toda a gente rezava:

"Santa Bárbara bendita, que nos Céus estais escrita, com pena e água benta, livrai-nos desta tormenta".

 

 

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às 19:35

ORAÇÃO DO IDÓLATRA

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.01.17

A maioria das pessoas no mundo, recita sem cessar esta Oração Idólatra. Senhor, tu és meu Deus e meu protetor, penso em ti todos os momentos da minha vida. Acordo e me alimento, trabalho e me divirto, pensando em ti, tua existência é a razão do meu viver, és a origem dos sonhos que povoam as minhas noites. Ao despertar, meus pensamentos vão logo para ti. Ao longo do dia, deixo me guiar pela tua luz. Ela refulge em tudo o que me cerca, és a origem de tudo o que tenho e que uso, as roupas que visto e os adereços que preciso.

Na tua presença sinto meu pisar mais firme, porém, a tua ausência, tira-me o sono e me dá a sensação de que estou abandonado. Só tu podes me livrar da pobreza e me conduzir pelas trilhas da prosperidade, és o meu consolo e a minha alegria. Em ti coloco toda a minha confiança. O que seria de mim sem a tua presença? Como poderia viver sem ti? Pois tu és a minha garantia de vida. Guardo-te com todo o carinho em lugares especiais, confio no teu valor e nos teus abundantes dons. Contigo, sou amado e valorizado, salvo dos males e dos infortúnios, muito comuns naqueles que não contam com a tua proteção. Em ti coloco toda a minha segurança e graças à tua presença, sou amado e abençoado.

Tua divina luz resplandece em minha casa e em meu trabalho. Teu manto protetor cobre a minha figura, por tua presença, sou tratado e recebido com muita reverência. Teu miraculoso poder aplaca os sofrimentos e afasta as dificuldades. Nas aflições e nas carências, recorremos a ti, pois de ti emana uma força que desata todos os nós e derruba todas as barreiras. Diante de ti, dobram-se os joelhos dos poderosos e abaixam as cabeças em reverências submissas. Sou teu servo, teu escravo, faze de mim o que quiseres. Por ti sou capaz de correr riscos e infringir leis humanas e suportar até má fama. Tua presença encobre tudo, tua atração e teu fascínio são irresistíveis. Tu me conduzes, me agasalhas e eu te amo e te adoro acima de todas as coisas. Se me privas da tua presença, fico como órfão. Tu és meu guia, de ti depende a minha saúde e a minha felicidade. Sem ti não sou nada, só encontro razão para viver, na tua presença.

Tu me seduziste com tua presença. Ainda que te acusem de divisões e maldades, eu te defendo e dependo de ti. Tu és meu Pastor e contigo nada me faltará. Ao teu poder não há fronteiras e nem obstáculos, tu mudas até o caráter das pessoas. Tu és o Senhor de tudo e de todos. Tu és sua Majestade  O DINHEIRO.

   

Deus abençoe a todos

       

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 20:31

COMO VIVER A TERCEIRA IDADE

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.01.17

O idoso deve ser independente financeiramente. Não gastar à toa seus proventos, mas não se privar do prazer que o dinheiro pode proporcionar em razão de um maior tempo de vida. Realmente o idoso não consome muito, além do Plano de Saúde e dos remédios, provavelmente já tem tudo o que precisa, se juntar mais coisas, aumenta seu trabalho. Não deve se preocupar com a situação financeira dos filhos ou netos. Não deve se sentir culpado em gastar em conforto o seu dinheiro. Os filhos já receberam o que lhes pertencia na infância.

Não deve se transformar em amparo de ninguém. Ser um pouco egoísta, mas não usurário. Procurar uma vida saudável, sem muito esforço físico. Fazer ginástica moderada alimentar-se bem, mas sem exagero. Deve continuar a dirigir carro, se não houver perigo. Nada de estresse, na vida tudo passa, tanto os bons como os maus momentos. Os bons momentos devem ser vividos, e os maus, esquecidos. Deve namorar sempre, não importa a idade, com sua “velha” companheira. O amor rejuvenesce. Deve ter cuidado com as “Marias Gasolina” que andam por aí atrás de um bom partido.

Procure andar limpo, tomar ao menos um banho por dia. Ser vaidoso, frequentar barbeiro, manicure, pedicure, dermatologista e dentista. Usar perfumes e cremes com moderação. Por que não uma Plástica? Se não é bonito, seja bem cuidado. Nada de ser muito moderno, é melhor ser eterno. Procurar ler bons livros, jornais, revistas, ouvir rádio, ver bons programas de TV. Use a Internet, mande e responda emails, mantenha-se sempre atualizado. Respeite a opinião dos jovens e não seja saudosista. Seja o dono de sua casa, por mais simples que seja, nela é você quem manda. Não queira morar com ninguém, a não ser que esteja perto do fim. Um bom Lar de Terceira Idade poderá ser uma solução. Pois, vai conviver com pessoas como você.

Cultive um “hoby”, caminhar, cozinhar, pescar, jogar, dançar, cuidar de animais ou plantas. Colecione lembranças. Faça o que quiser e sua situação permitir. Aceite todos os convites, para festas, batizados, casamentos, aniversários. O importante é sair de casa. Fale menos e ouça mais. A sua vida e o seu passado, só interessam a você. Jamais se lamente da vida, seja otimista, educado, não critique, aceite tudo na boa.

As dores e as doenças, vão aparecer, mas sofra com resignação, ao final tudo passa. Seus problemas só pertencem a você e a seu médico.

Não se prenda a nenhuma religião, não viva rezando e pedindo todo o tempo. Seus pedidos faça-os diretamente a Deus quando chegar lá. Ria de tudo e de todos, mas sem exagero para não ser taxado de louco. Mostre que é um felizardo, por que tem uma vida longa. A morte será apenas uma etapa da vida. Dirija-se a Deus a cada manhã, pedindo que o trate como você trata seus irmãos. Se conseguir viver assim, será uma pessoa feliz.

O importante é que todos estão neste mundo de passagem. Se chegamos até aqui, devemos agradecer, Devemos viver e aprender enquanto Deus o permitir.

                                 

Deus abençoe a todos

                               

Agostinho Gomes Ribeiro

 

o

 

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às 20:27

A propósito de um Livro ainda não publicado

por cunha ribeiro, Sábado, 21.01.17

Uma aldeia só tem história se tiver pessoas, lugares e factos. Sem pessoas seria uma aldeia fantasma; sem factos e sem lugares, um grande vazio. Parada do Corgo não seria a aldeia que é sem o Sr Francisco Pedreira (pessoa) e sem a Escola Primária ( lugar) que este mandou fazer (facto). 

Se evocasse aqui todas as pessoas que, até ao momento, fizeram a história da aldeia, não teria espaço suficiente para o fazer. Todavia não conheço nem uma página, para além das que foram aqui publicadas por quem tem escrito no Blog, que nos fale das gentes de Parada do Corgo.

O mesmo sobre os lugares e os factos ou acontecimentos.

Quem tem um escrito que seja sobre esse lugar, certamente carregado de história (ou mesmo de lenda), chamado "fraga do Iteiro"? Onde há um manuscrito que nos relate a origem da Fonte do Mouro? Onde encontrar a narrativa do nascimento, vida e morte das Capelas de S. Bartolomeu, de S. Pedro, e de Stº António?

Dir-me-ão que o mesmo se passa com outras aldeias. Não é completamente verdade, mas se fosse, seria esta uma boa justificação?

O Conselho Diretivo do Baldio de Parada de Aguiar, no primeiro ano que ajudou a Associação Prazer da Memória, doou 750 euros para  um eventual livro sobre a Aldeia. Esse dinheiro faz tanta falta para a sede que ainda não temos que não tendo ainda sido aplicado no livro, terá, a meu ver,aplicação condigna se o for na tão desejada sede. Um dia, com a sede já edificada, o Conselho Directivo faria bem, em minha opinião, apoiar novamente esse projecto. Devo contudo dizer que o trabalho que um livro dessa envergadura dá a quem o leve a efeito, vale muito mais que esse dinheiro. Refiro-me só ao trabalho de escrita, porquanto, a esse trabalho acresce a correcção, a ordenação ou compilação, e a despesa com a editora que o venha a publicar.

Sei que as Juntas de Freguesia não dispõem de orçamentos por aí além. Mas, mesmo com o pouco que há não seria de apostar um pouco mais na cultura das suas aldeias? Em benefício da memória colectiva dessas aldeias e freguesias?

Fica a pergunta no ar. Não como crítica a quem quer que seja. Apenas como sugestão a quem de direito.

 

 

 

 

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às 17:45

Diálogos com o meu Pai

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 20.01.17

 

Na Eira do Lameiro, em Parada do Corgo, ia uma azáfama.

Malhava-se a meda do ti Firmino Ricote - a primeira de meia dúzia.

Era a maior de todas. Na época, o ti Firmino era um dos maiores lavradores da aldeia. Muitas cabeças de gado. Bastantes alqueires de milho e centeio.

- Sobe lá pra cima, vá! (pedia o ti Firmino, ao filho mais novo)

Subiu. No cimo da meda, pegava nos molhos, ainda atados, e fazia-os voar pra cima da malhadeira.

- Mais devagar! ( dizia o da Júlia que cortava os vincelhos com uma faca, e introduzia os molhos na boca da trituradora)

- E tu, pega na gancha, anda! ( gritava a tia Emília)

À tardinha estavam as medas todas malhadas. A eira, cheia de montes de palha. Alguma, porém, já recolhera aos palheiros.

Antes da noite cair, o tractor atrelou na malhadeira; desceu a rua central da aldeia, e deixou-a na Eira das Segurelhas.

No dia seguinte, nova rodada, agora com os do fundo do povo.

 

 

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às 17:28

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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