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ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


O Ti Ernesto Nora

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 24.02.17

Morava numa casa de pedra de cantaria, talhada a régua e esquadro, perto do Largo do Santo, com a tia Palmira, sua esposa. Agricultor como tantos outros, atravessou a vida de forma simples e honesta, a cavar, a sachar e a regar.

Os seus dois filhos são o exemplo vivo do devir histórico da nossa diáspora. Um rumou ao Brasil, a outra escolheu a Europa. Os dois tiveram sucesso nas suas escolhas. 

Assisti inúmeras vezes à pungente saudade com que o ti Ernesto Nora falava da filha.  Ainda o estou a ver lá em casa, no escano, curvado, com os cotovelos fincados nas pernas, mãos debaixo do queixo, e os olhos banhados em lágrimas:

- A minha filha nunca se esquece do pai e da mãe ... é tão boa, a minha filha.

E as lágrimas escorriam-lhe pela cara abaixo.

Quis o destino que a minha existência se cruzasse, por algum tempo, em Paris, num convívio ameno e salutar, com a filha do ti Ernesto, amiga de minha irmã, casada com o Manuel Pinto, e com os dois filhos ainda pequenos. Moravam em Clichy, onde, sobretudo ao fim de semana, me deslocava, e aproveitava para partilhar, à mesa, saborosas caldeiradas de berbigão feitas, com enorme talento e pachorra, pelo Manuel.

Eu e o Manuel comungávamos de um gosto comum pelo ciclismo. Por essa altura, Joaquim Agostinho brilhava na Volta à frança, o que nos enchia a alma de orgulho patriótico. Acompanhávamos os seus êxitos pela televisão. Um dia, pouco tempo depois de ter alcançado um retumbante terceiro lugar, a segundos de Zoetmelk, e a escassos minutos de Bernard Hinault, havia uma corrida  nos arredores de Paris. Uma espécie de "clássica".  E o Manuel Pinto lembrou-se de me convidar.

- Vamos ver o Agostinho? 

- Vamos lá.

E fomos os dois, cheios de esperança em ver, mais uma vez,  o nosso Agostinho brilhar. Agora com a vantagem de o termos perto de nós, a correr, de lhe podermos quase tocar. Até o blocozinho para o respetivo autógrafo levei. Quando chegámos, já os ciclistas estavam na estrada, a correr. Andámos de um lado pró outro, sempre a tentar descobrir um ciclista forte e musclado que o L`Éqiuipe, surpreendido com a sua força e perseverança a subir montanhas,  baptizou de "Toro portugais". O pelotão ia passando por nós, mas Agostinho.. nem vê-lo.  Não havia meio de o descortinarmos nem no pelotão, nem à frente , nem atrás.

A corrida acabou, e nem Agostinho nem Agostinha. Só quando chegámos a casa soubemos as razões da desilusão: O nosso herói desistira a meio da clássica. Pudera, com o "cachet" garantido, valia pena andar-se a cansar?

Joaquim Agostinho era português, profissional, honesto, mas, definitivamente, não era burro.

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às 19:43

O CIGARRO

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 23.02.17

Quando comecei a fumar, devia ter levado, não um raspanete, nas um puxão de orelhas seguido de uns tabefes.

Meu pai só percebeu que eu fumava quando, por obra do diabo, se sentou em cima da minha samarra, no escano, à lareira. Por meu descuido, o SG ventil, ficara, quase cheio, no bolso interior. Ao sentir o desconforto debaixo da anca, levantou-se, pegou na samarra, e, perante a minha aflição, descobriu o que, na verdade, não queria nem imaginava.

Receei, por instantes, que meu pai me iria massacrar com o pior sermão de sempre.  Mas não. Seguiu-se  uma reprimenda, tão delicada, que no fim só me apeteceu de o abraçar e beijar. E o efeito dissuasor que teria se tivesse havido sermão a sério, perdeu-se. 

Não foi o mesmo como naquela dia em que um de nós ousou questionar a sua autoridade quando estava em causa  a negação de uma saída nocturna mais prolongada, e explodiu:

- Debaixo deste telhado, quem manda sou eu! 

 Embora, a partir daí, os cuidados redobrasem,  continuei pois a fumar.

Mas a "culpa" de eu começar a fumar foi de um vizinho. Achava piada à postura dele com o cigarro, e quis imitá-lo. É certo que se ele puxasse de um cigarro na rua, ninguém acharia anormal. Já se fosse eu, ainda aquém dos 18, assim não seria. É um abuso dizer que a culpa foi dele, quando, na verdade, foi minha. O certo é que, ao vê-lo fumar, achei piada à figura de jovem crescido e independente que o cigarro lhe dava. E quis  experimentar a ver se o milagre da maturação se dava comigo. Claro que, antes, fui vendo como ele fazia. E fiz mesmo perguntas:

- Como é que fazes pra travar o fumo?

 Riu-se. Mas tentou explicar:

- É simples: aspiro o fumo (como já era estudado, usava palavras caras), e, logo a seguir, travo-o na garganta..

- Travas?! Mas como?

- Ó pá, faço com que o fumo desça até à garganta e fique lá uns segundos até o expulsar.

Teoricamente era assim. Mas não era fácil perceber a sequência, sem experimentar. Por isso, o meu vizinho e amigo deu-me uma aula prática de como fumar.

- Olha, faz como eu.

Pegou num cigarro, acendeu-o, e começou a aspirar o fumo, levando-o, de facto, à garganta. Aí o fumo aguentou uns segundos  e voltou a sair, só que às bolinhas...

- Assim às bolinhas, é complicado.. Mas o que sentes tu na garganta, para gostares de fumar?

- Não te sei explicar. Sei que gosto. E basta.

 Mal comecei a experimentar, a aprendizagem foi rápida. As primeiras vezes, em vez de travar, engolia. Não tinha graça nenhuma. Se não aprendesse a travar, depressa esquecia os cigarros. Não demorou muito a sentir o sabor do tabaco a afeiçoar-se à garganta. Não sabia a chocolate nem caramelo, mas sabia a qualquer coisa quer viciava, pronto.

O apego ao cigarro seguiu viagem comigo prá França. Onde não havia SG, nem Ritz, nem Porto. Experimentei uma marca barata  a ver se  gostava enquanto poupava. Mas não ... sabia a mata ratos. Tentei Marlboro, fumei um cigarro, e bastou. Percebi o que ia fumar a partir desse dia.

Porém, um belo dia, após meia dúzia de anos estupidamente pregado ao vício, enchi-me de brio, e decidi mandar o cigarro às urtigas.

Para o fazer tive de me socorrer de tudo o que pudesse ajudar. Recordei, então, a reprimenda de meu pai e os ralhetes de minha mãe  e imaginei a felicidade que lhes daria se lhes dissesse: "deixei de fumar". Rememorei  a ironia do Padre Amaro, quando um dia, no corredor do colégio me  quis envergonhar, com uma tirada que nunca esqueci: " Pareces a chaminé da fábrica". Mas a ajuda maior foi  a tosse a catarro,  quase diária ... Essa sim, decisiva para  acabar com o vício.

Andava a ler um pequeno livro sobre o assunto. A certa altura escrevia o autor: " Deixar de fumar é mais fácil se  tomarmos  uma atitude psicologicamente firme de negação, através de um gesto original e categórico".

 "Um gesto categórico e original?" - matutava eu, enquanto caminhava numa rua parisiense, pela manhã, depois de mais um ataque de tosse catárrica. "Só se..." (A ideia veio-me depois de ouvir o barulho de um comboio que se aproximava )  "Só se arrancasse o marlboro do bolso, e o lançasse na linha, de encontro à locomotiva e gritasse: " Acabou!"

Meu dito, meu feito - arranquei o maço do bolso, arremessei-o, sem hesitar, para a frente da locomotiva, e, a plenos pulmões, berrei:

- Acabou!

Nunca mais fumei um cigarro.

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às 22:18

O LUGAR DO MEDO

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 22.02.17

A natureza colocou em cada um de nós, dois mecanismos de defesa, a Dor e o Medo. Se não tivéssemos esses dois elementos, deixaríamos de  andar alerta e viver em estado de atenção. Todos nós somos vulneráveis ao medo e à dor. Quando qualquer um dos dois ataca o nosso sistema emocional, ficamos descontrolados diante das circunstâncias.

A dor é muito comum em todas as fases da vida. Existe a dor instantânea e a dor crônica. A dor instantânea funciona no organismo como um sistema de alerta de que alguma coisa não está caminhando bem dentro de nós. Toda e qualquer dor, precisa ser investigada, e ser descoberto  motivo pelo qual ela apareceu. Existem também as dores psicológicas, provocadas  pelos remorsos, ao fazermos algo errado ou fora do contexto da realidade. Quase sempre uma dor psicológica, dá origem a uma dor física. Qualquer ser vivo, está sujeito à dor física, porém a dor mental, é típica do ser humano.

O medo quando nos ameaça de modo exagerado, pode virar “pânico”. Uma pessoa dominada pelo pânico, é uma pessoa doente. Hoje existem muitas doenças provocadas pelos medos, principalmente a “depressão”, um flagelo do mundo moderno. A “depressão” está sendo apontada pela Organização Mundial da Saúde, como a maior epidemia do século XXI. As maiores incidências do medo, surgem com o desenvolvimento da criança. Os pais devem fazer o possível para evitarem a formação de uma criança medrosa.

O medo está presente em todo o mundo, mas não existe um medo Universal. Existem vários tipos de medo, mas o que mais preocupa é o medo  da solidão e do abandono. Nós somos seres agregados, ficar sozinho ou viver solitário, causa desespero. Algumas pessoas colocam a Morte, como  o medo Universal. No entanto, a Morte não tem a mesma repercussão em  toda a humanidade. Em várias culturas, a morte está ligada à existência humana. Em outras culturas é a passagem para outra forma de vida. Muitas crenças afirmam que ninguém  morre totalmente, apenas o corpo deixa de ser aquilo que é.

Encontramos muita imaturidade em relação ao medo. Muitos Pais criam seus filhos em estado de medo. A criança  precisa aprender desde cedo, o que é o medo e onde ele está. Eu, particularmente, não tenho medo da morte, só espero que quando ela vier me buscar não me encontre. Todos têm medo do próprio medo. A  coragem não é ausência de medo, mas o poder de enfrenta-lo. Todo aquele que passou dos 40, se ao levantar de manhã, não sentir uma dor em qualquer parte do corpo, é porque morreu durante a noite.

   

Deus abençoe a todos

         

Agostinho Gomes Ribeiro 

 

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às 21:56

A NOSSA TERRA

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 22.02.17

“A nossa Terra que é sinal de consciência, não aprendeu a conviver. São tantos reinos, cada um querendo tudo, e as multidões, caminham a sofrer. Lutar pelo progresso e pela Paz, é um compromisso de todos nós.”

Sabemos que esta Terra em que vivemos não é propriedade de ninguém, ela pertence exclusivamente a Deus. Mas na prática, ninguém pensa assim. Muitos usam a Terra como uma simples propriedade, exploram comercialmente seus recursos naturais, numa especulação desenfreada. É um gesto criminoso usar aquilo que pertence a todos, como que sendo somente sua. Praticam desmatamentos, alterando as condições do clima no Planeta, procuram metais preciosos contaminando os rios e os córregos.

Algumas pessoas se apoderam de grandes glebas de terra impoluta, surgem assim os grandes latifundiários improdutivos. Enquanto uns poucos são proprietários de 98% das terras, milhões estão privados de um pedaço, onde possam plantar e colher. Por isso, surgiu no Brasil o Movimento dos Sem Terra, clamando por uma justa reforma agrária. O governo  começou a fazer doações, mas as pessoas vendiam e voltavam a reclamar outro local. Com isso, esse Movimento passou a criar problemas e a invadir terras produtivas. Hoje é um Movimento “parasita”, que vive nas costas  dos governos. Até os Índios, donos virtuais de todas as terras estão sendo confinados em pequenas glebas, e não raro estão sendo expulsos de suas terras.

São Francisco de Assis,  agradecia a Deus pela Terra em que vivemos e a chamava de “Mãe Terra”, que nos abriga e sustenta, produz frutos, legumes e cereais, essenciais à nossa alimentação. A Terra é a “Casa Comum” de bilhões de vidas, por isso exige ser amada e respeitada. Além disso, a Terra é muito inteligente. Se enterrarmos nela qualquer corpo físico, ela o reduz a pó. Mas se enterramos um grão de qualquer semente, ela  o faz germinar e produzir segundo sua espécie.

Se o São Francisco de Assis, vivesse nos dias atuais, com seu grande amor pela natureza, certamente ficaria revoltado diante das agressões que o Planeta Terra, sofre por todos os lugares.

    

Deus abençoe a todos

        

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 21:53

Aldeias Gêmeas de Aguiar

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 22.02.17

As aldeias aguiarenses de Freiria e Montenegrelo são uma espécie de casal que contraiu matrimónio com separação de bens. Não sei se também de pessoas, mas julgo que não. Desde tempos imemoriais que são vizinhas e aparentemente se dão muito bem. 

Habituei-me a distinguir estas duas simpáticas povoações aguiarenses, quando, em pequeno, lá ia à missa. Talvez por se tratar de uma lufada de ar fresco na nossa rotina em Soutelo, tendo de ouvir há anos o Padre Amaro, gostávamos de ir àquela missa. Na véspera já combinávamos:

- Amanhã, vamos à missa a Montenegrelo? 

- Vamos!

Não tínhamos missa em Parada, e, por qualquer razão, deixámos de ir a Soutelo, e passámos frequentar a missa de Montenegrelo e da Freiria. Celebrava-as o Padre Agostinho de Telões.

O caminho era penoso. Quase três quilómetros  sempre a subir e às curvas.  Mas não nos custava nada. Até à Abelheira , mesmo os mais velhos se safavam bem. O pior vinha a seguir, entre a Esculca e os soutos de Montenegrelo. O caminho afunilava entre bouças, e era quase sempre a subir.

- Isto agora sobe mais que na Cruz! ( Dizia uma)

- Nem Cristo no Calvário subiu tanto! ( Comparava outra)

- Eu cá não me queixo. ( bazofiava um terceiro)

Ninguém se queixava mesmo. Era obrigação, era obrigação. Minha mãe, sempre assertiva, tinha a certeza absoluta que só assim chegaríamos ao paraíso:

- Somos obrigados a ir à missa a uma légua de distância! (Afirmava, convicta)

Sabia lá quanto era uma légua. Mas tinha a certeza que era longe. E que era para cumprir com zelo católico.

Bebia as convicções e os dogmas no famoso livro " Missão abreviada" do Padre Manuel do Couto, que leu e releu vezes sem fim.

Quando a missa era em Montenegrelo, poupávamos quase um quilómetro à caminhada. Que a capela era mesmo à entrada da aldeia, junto à escola primária. A instrução, na mentalidade da época, estava a léguas da fé. Por isso, uma só escola servia as duas aldeias, enquanto capelas, havia duas.

Por maioria de razão, assim era em Parada do Corgo, uma única aldeia, com duas capelas, confirmando a grande religiosidade do povo de outros tempos.

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às 09:59

TUDO É NOSSO

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 15.02.17

Quando olhamos o nosso corpo, cada coisa tem sentido. Os nossos Olhos são para admirarmos a beleza do universo, as flores da natureza, o verde das florestas, o Céu azul sem nuvens, a prata do luar e o cintilar das estrelas.  Olhar ao nosso redor ver a fisionomia dos nossos irmãos, presenciar suas  alegrias e suas tristezas, cada um diferente do outro, não existem dois seres iguais. O nosso Nariz, para sentir o perfume das flores e o olfato das coisas boas da vida. A nossa Boca, para receber o alimento para o corpo, falar palavras que construam. A nossa Língua, o menor membro do nosso corpo, mas o mais perigoso. A língua constrói ou destrói uma vida. Os nossos Lábios circundam a boca, são os responsáveis pelos gestos de carinho. O beijo, pode ser um gesto de ternura  ou de traição. As Mãos para trabalhar e afagar, para repelir ou agredir, para estender, para abraçar. Os Pés, para caminhar, levar nosso corpo, para acompanhar os irmãos de caminhada. A Cabeça, para pensar, para dirigir, para ordenar e controlar os nossos ímpetos. O nosso Coração para amar, para se alegrar com a presença dos nossos amigos.

Todo o conjunto do nosso corpo, prova que somos alguém, real e autênticos, não somos miragens. Temos vida e ocupamos nosso lugar no espaço. Se todos os nossos órgãos funcionam com perfeição, somos muito felizes. O nosso Corpo é maravilhoso, é único, é Imagem e Semelhança de Deus. Por isso, devemos agradecer constantemente, pela nossa vida e pela nossa saúde. Porque o nosso corpo é Obra de Deus e Templo do Espírito Santo,  não podemos profana-lo, entrega-lo á promiscuidade, aos vícios.  Só temos este corpo, que recebemos, puro e sem manchas, é nossa obrigação toma conta dele, tratar dele. Quem não ama a si mesmo, não terá condições de amar ninguém.

                       

Deus  abençoe a todos

                     

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 21:21

ETERNO DESCONHECIDO

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 15.02.17

Todo o ser humano que vive neste mundo de Deus, é um eterno desconhecido. Muitas pessoas passam a vida a estudar, mas não conseguem descobrir nada a respeito delas mesmas. Não sabem quem são de onde vieram, desconhecem onde vivem e não sabem para onde vão, ao terminar seus dias neste mundo.

Eu, nos meus 84 anos, pensava que já sabia tudo a meu respeito. Mas, mergulhando na minha existência, cada dia que amanhece me traz a sensação de que nada sei  de mim mesmo e nem conheço a minha história. Sei quem sou até ao momento em que escrevo este texto, mas nada me garante que ao terminar de escrever, não saiba mais quem sou. A cada momento de nossa vida, há sempre a chance de tudo mudar. Pode o telefone tocar e me transmitir uma notícia agradável, alguém pode estar à minha procura para me ajudar. Ou também posso receber uma notícia desagradável, que me deixe triste, às voltas com problemas difíceis de resolver.

A minha vida sempre foi uma estrada, porém, cheia de curvas insinuosas. Existiram poucas retas, mas não havia acostamentos. Foi preciso muita perícia e muita paciência, para chegar até aqui. A cada dia um fato novo aparecia nas ondulações e nas curvas da minha vida. Alguém que no passado caminhou ao meu lado, mas hoje é apenas uma ilusão de ótica, se desfaz com a aproximação, deixando a minha mente mais confusa e distante da realidade. Assim como o Céu troca as suas cores nas mudanças de temperatura, nós também mudamos nossos pensamentos, diante de uma identidade que nunca se confirma.

Gostaria muito de saber quem realmente eu sou, mas como arriscar se em mais de 80 anos nada consegui descobrir, como poderei saber diante de tão pouco tempo que tenho para viver. Quantos anos terei ainda de vida? De uma coisa eu tenho certeza: o caminho que já percorri, não volta a trás e o caminho que me resta percorrer, é tão desconhecido como eu o sou para o mundo da razão. Tenho na minha vida, dúvidas que gostaria desvendar. O que vim   fazer a este mundo? Como vim parar aqui? Quem sou eu, neste universo tão desconhecido?

Diante de tantos “não sei”, eu me iludo de que sou alguém, escolhido por Deus, para viver minha vida, sem dar atenção para as dúvidas. Certamente, sou aquilo que sou aquilo que Deus colocou neste mundo e que um dia chamará à sua presença e lhe pedirá contas de tudo o que ele fez não daquilo que ele era. Pois em qualquer circunstância, sou Imagem e Semelhança de Deus.

    

Deus abençoe a todos

        

Agostinho Gomes  Ribeiro

 

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às 21:20

A Primeira Vez

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 15.02.17

 

Um dia, em viagem, assisto, incrédulo, a um curioso diálogo entre dois cavalheiros de meia idade. Um, com um ar desenvolto e sabido,  ia incitando o outro ao diálogo; o outro, titubeante, mas receptivo,  acabou por entrar no jogo daquele.

 

-  Já experimentou falar da sua primeira vez?

- E que tem você com isso?

- Nada. Estou só a sugerir que fale sobre o que as pessoas mais gostam. Daquilo que é "proibido" falar. Vai ver que tem muita audiência.

- E que me interessa a audiência...  Não sou editor, nem livreiro. Aliás, nunca tinha pensado nisso.

- Ou se pensou, não admitiu fazê-lo, talvez por receio, ou pudícia.

- Sei lá...  Mas , sim, por pudícia... Talvez.

- Ou será por receio... de algum adultério?

- Desculpe, mas não entendi...

- Que as pessoas adulterem o que você quer dizer,  interpretando mal as suas palavras.

- Olhe, quem sabe, se não será por isso...

- Mas deve imaginar como seria interessante revelar  tudo o que esconde, sem grandes razões para tal, num segredo egoísta, e nada didáctico.

- Mas a nossa vida privada não deve ser exposta, não lhe parece?

- Vá lá, ganhe coragem e diga como foi a sua primeira vez. Não diga que não teve a sua primeira vez. Toda a gente tem.

- Bem, é que ...

- Um momento. Se ousar contar a sua primeira vez, comece  pelo princípio, não omita essa parte. Que é no fundo a mais melindrosa, aquela em que nos descobrimos mais estúpidos e ignorantes.

- Bom, acho que você me convenceu. Vou então contar como foi a minha primeira vez.

- Calma! Mas veja lá como conta. Evite pormenores escabrosos, ou imorais.

- Bem, mas você quer que eu conte, ou quer o mande dar uma volta?

- Faz favor. Já disse o que tinha a dizer. Agora, sou só ouvidos.

- Não sei se consigo, que eu sou mais tímido do que você. Mas ...vou contar:

" Foi numa tarde de verão, era eu ainda um jovem imberbe. Note que é a primeira vez que eu conto isto em público, o que o faz de si um privilegiado. Uma testemunha, em primeira mão, do meu destino. 

- Em público?! Mas eu não passo de um confidente. Não sou público nenhum.

- Certo, pois... claro... Mas continuando:

"Eu sempre morara num rés do chão. Nesse dia. Melhor, nessa tarde, tentei subir a um andar acima do rés do chão. Bastante acima, aliás. Mal a porta do elevador se fechou, não imagina o que senti. Um estremecimento, umas sensasões estranhas... comecei a suar, a suar muito..! Um receio de falhar... De não saber exactamente o que fazer...onde tocar..."

- Continue, continue, você está-me a surpreender.

"Entretanto, fui subindo, subindo, até que tudo à minha volta paralizou".

- E você, também paralizou?

- Tenha calma. Oiça:

" Mais do que paralizado, fiquei petrificado.Tentei respirar normalmente...em vão. Procurei desesperadamente uma saída ... e nada. Estava cego pra tudo. Tudo me parecia estranho e errado. A oportunidade soberana de aprender, de crescer, chegara, e eu, estupidamente começava a perdê-la. Desorientado e nervoso, não soube o que fazer. O meu objectivo, a um passo de se concretizar, mas eu encalhei na inércia, por ignorância, por falta de prática".

- Pois, dois problemas de muita gente... Mas continue.

 "Subitamente, porém, à minha frente, começa a abrir-se lentamente uma espécie de ... não, não conto mais...

- Vá lá, conte! Então agora que estava no ponto...

- No ponto não, na vírgula ... ou melhor, na fenda... Uma fenda enorme, a abrir-se ... E eu de pé,  a tremer, hesitante. A fenda a alargar-se, cada vez mais. E eu sem saber ... sem perceber.

- Sem perceber?! Não percebo...

-  É que eu pus-me a hesitar:  Vou? Não vou? E se por qualquer razão tenho de sair e entrar outra vez, e não sei o que fazer? 

- Hum...

- Pois ... Aquilo que me aconteceu foi único. Não deve ter acontecido a mais ninguém. Por isso hesitei tanto em contar.

- Fez bem contar. Mas ainda não acabou. Vá, conte lá esse final. Foi feliz ou infeliz? A ver pelos lamentos ...

- Pois, a ver pelos lamentos, só podia ter sido um final infeliz. E foi, efectivamente.

- Então que final foi esse?

"Foi um inferno.  No Elevador, a suar, cheio de dúvidas: Estarei no sétimo, onde mora o meu amigo Gervásio? Ou será no sexto, onde reside a Carla com quem acabei ontem ,ao fim da tarde? Na dúvida - já as portas se tinham aberto - deixei-me ficar. E voltei a descer. Trouxe o livro que levava ao meu amigo Gervásio, que  me emprestara para estudar, e, por receio de me atrapalhar no elevador. e ficar preso dentro...sabia lá ...  vim-me embora sem o entregar.

"Um terror ... a minha primeira viagem de elevador".

 

Afonso Valtique 

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às 10:48

Arco de Triunfo

por cunha ribeiro, Sábado, 11.02.17

Terminara o sétimo ano escolar (hoje 12º). Estávamos ( eu e ele)  sentados debaixo de uma figueira, em Parada do Corgo. Um livro fechado em cima da mesa de pedra,  cotovelos fincados nas pernas, junto aos joelhos,  mãos em concha, entre o queixo e as têmporas, segurando a cabeça, imaginação a galope. 

Ele olhou-me e disse:

- Estás com um brilho nos olhos. Vê-se que estás empolgado com a tua nova aventura.

 A foto de capa, do livro de francês do 3º ano, impressionava qualquer jovem cujo olhar nunca tivesse ido além do pequeno casario da aldeia: Um arco em pedra, de grande porte, erguia-se solenemente ao centro de um vasto conjunto de ruas e avenidas, em forma de estrela.

- Aquilo sim, é o mundo ! É a civilização!

Véspera de viajar. Estou agora sentado, nas escadas de pedra, ao lado do meu vizinho, já reformado, o Sr João Guarda. Pressentindo a angústia que me assolava, tentou animar-me:

- Fazes bem sair, lá fora tens mais oportunidades.

Este conselho atento e preocupado, calou fundo na minha memória. Ainda agora o relembro.  Assim como aquela oferta simples mas tão de dentro da alma:

- Toma lá estas moedinhas, podem vir a dar jeito.

Eram várias moedas. Francos franceses, que obviamente me deram jeito, logo que o autocarro parou em França, depois dos Pirineus.

Depois de uma travessia pela aridez da velha Castela, pelas gargantas do país basco e pela fresca planície da Aquitânia,  à beira da realidade , quase defronte com ela, começava a assolar-me o receio, o preto e branco da desilusão . Cheguei a Paris, já era noite. De táxi até casa, só luzes, só carros, só gente. No quarto do sétimo andar: abraços, beijos, brincadeira, queres ir dançar ao Bataclan, Não, vou dormir, um croque monsieur, xixi e cama.

No dia seguinte, saio decidido a descobrir o meu monumento. O metro trouxe-me a Charles de Gaule. Saí. À minha frente ergue-se, portentoso, o Arco de Triunfo. O impulso da descoberta governa-me os passos e o olhar. Em círculo, vou contornando o colosso de pedra. A cada rua, a cada avenida, o olhar avança e recua, alarga e estreita. Ora pára nos pormenores ora se estende em amplitude. Estou no cimo dos Champs Élysées. Demoro-me. Deixo-me teleguiar pela sofreguidão da descoberta. De um lado e de outro da grande avenida, uma excelente promessa de dias felizes. Sou jovem.

Regresso a casa com uma certeza: Paris não tem horizontes, Paris é o próprio horizonte que nunca se toca, nem nunca se enxerga.

Volto de metro. Saio. Cá fora, as fachadas dos edifícios desfiguraram-se ao meu olhar. Sozinho, perdido no meio de uma floresta de prédios setecentistas, receio ter perdido o desenho mental da fachada do nº 106, da "Avenue des Ternes".

Decido avançar na direção que me parece acertada. Ando uma centena de metros, olho à esquerda e à direita a ver se descubro algo de familiar. Nada. Regresso ao ponto de partida, e sigo por outra rua. Sinto que me afasto outra vez. Volto. Agora tento pela Avenida. Avanço. Olho. Ainda não. Ando um pouco mais. Lá está o 106, em letras douradas, ao lado de uma enorme grade que protege a loja de fruta de Ternes.  Atravesso. Entro. Subo ao sétimo andar.

Já era noite quando entrei no meu quarto. Tarde magnífica, aquela!. Começara por descobrir a cidade sozinho. O metro fora o meu único guia.

Deitei-me, feliz. Olhei pela janela: O Concorde Lafayette estava todo iluminado, vinte e nove andares acima de mim. Que diferença ao pé da torre da capela da minha aldeia!

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às 10:58

O Sr. Sete Ofícios

por cunha ribeiro, Sábado, 11.02.17

Nunca o vi palmilhar a Serra à caça, mas era o terror dos coelhos. A forja, onde concertava artigos em ferro, sobretudo pernas de potes, dar-lhe-ia o nome com que ficou conhecido em Parada e arredores. Também fabricava e reparava socos e chancas.

Graças a outras actividades que teve - matador de porcos, trolha e Pedreiro - foi-me possível conhecê-lo melhor.

Vi-o vários anos matar, esventrar, e desfazer porcos em minha casa, domínio em que era imbatível. Os recos com ele não faziam farinha, e os ajudantes agradeciam, já que o acerto era tal que o bicho  ficava sem tempo para espernear ou grunhir. A faca ia como uma seta ao coração. E quanto a higiene, exemplar:

- Tem uma toalha?

- Não.

- E uma rodilha?

- Também não.

- Então arrange uma, se quer que lhe mate o animal.

As facas vinham sempre impecavelmente amoladas de casa. Meu pai metia-se com ele:

- Olha essas facas...Se fizer falta, há aí pedra de amolar..

- Amolar?! Podes correr o que quiseres...Ninguém em Parada tem facas tão bem afiadas!

Como pedreiro, o auge do ti Augusto foi picar pedra para a nova capela de Santo António.

Um dia, o ti António Augusto, com aquele ar brincalhão, muito dele, atirou:

- Se não fosse o mestre, com os pedreiros que aqui andam, coitada da capela!

E veio logo a resposta:

- Mestre?! Qual mestre? O mestre sou eu!

 

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às 00:10

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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