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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


TOQUE DE RECOLHER

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 29.03.17

Hoje diante da técnica e da ciência, ninguém mais consegue ser livre. O Watsapp, o Messenger, o rádio, a televisão, o relógio e o telefone móvel, enfim, uma leva de instrumentos a nos ditar ordens. A cada  dia as pessoas ficam mais escravas delas mesmas. Hoje ninguém consegue se distanciar destas coisas. É uma febre geral, todas as pessoas, com os pequenos aparelhos na mão, a navegar pela Internet, ou falam com outras pessoas. O que mais vemos são pessoas a caminhar e a falar pelas ruas, em outros tempos, todos pensariam que estavam malucos.

Apesar de usar toda a técnica e modernidade, ainda consigo manter certa independência, não permito ser dominado pela técnica. Só recebo ordens de mim mesmo. Muito raramente fico a navegar na Internet. Só uso o aparelho quando ele toca. No Watsapp, só procuro algum recado ou alguma mensagem. Meu toque de recolher é sagrado. Quando soa o sinal, eu desligo e me desligo do mundo. É muito bom a gente se desligar de todas as confusões, acender uma pequena luz, na nossa mente e navegar naturalmente pelo nosso subconsciente. E nos nossos devaneios, com os pensamentos bem reduzidos, dar uma revisada naquilo que vivemos durante o dia, aguçar a nossa imaginação, para os nossos desejos, ainda que libidinosos, mas que circulam pela nossa mente.

Na hora de atender ao toque de recolher, nesses momentos não estamos para ninguém, não estamos vendendo e nem comprando nada. Só me levanto para atender uma necessidade do corpo. Não atendo ao zelador do condomínio e nem o entregador do jornal. Que jogue na minha porta. Quando chega o momento de me isolar, não quero saber das manchetes dos jornais. Viver é muito divertido, mas resguardar as nossas horas de recolher é muito bom. É como uma visita ao íntimo de nós mesmos, é como um chá, um cafezinho, ou um vinho do porto, que oferecemos a nós mesmos e ficamos agradecidos. Se neste momento tiver uma música suave e melodiosa, então o gozo é total.

 Refeitos de todos os percalços, voltamos ao nosso ambiente. O trânsito continua confuso. As pessoas continuam a caminhar e a falar ao telefone, ou parados a viajar na Internet. Nós como estamos refeitos do stresse, achamos tudo muito normal. Se tivermos o cuidado de atender ao toque de recolher, tudo ao final vai dar certo. Se ainda não deu certo, é porque ainda não chegou ao final.

  

Deus abençoe a todas

         

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 21:28

OS CATOLISMUNDOS

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 29.03.17

O Brasil é considerado o maior país Católico do mundo, segundo as Estatísticas, são 85% da população brasileira. Porém, isto só acontece no IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Realmente, 85% da população brasileira, é católica de IBGE, pois católicos atuantes e praticantes, não chegam a cinco por cento. Além disso, esta pequena percentagem, ainda se divide em católicos autênticos e catolismundos.

Os católicos autênticos são aqueles conscientes de seus deveres religiosos. Os catolismundos são aqueles que de manhã vão à Missa, à tarde vão para a Macumba e à noite vão para o Espiritismo. Exploram quanto podem os seus semelhantes. Pagam mal a seus empregados fazem negócios escusos, praticam a corrupção, lavam dinheiro. Jamais se escandalizam diante das transgressões da Lei e Deus. A causa dessa miopia religiosa impede muitos cristãos de enxergarem a dimensão social do pecado.

Isto acontece com maior frequência nos países ocidentais e americanos. O acúmulo de grandes fortunas, em detrimento de bilhões de pobres e assalariados. Segundo uma revista sobre capital, apenas oito empresários, detêm a maioria do capital da humanidade e se dizem cristãos. Frequentam as Missas e vivem explorando os necessitados. O Papa Francisco tem razão quando afirma que estes homens deveriam negar a fé em Deus e se proclamarem ateus.

As Igrejas Cristãs deveriam aproveitar a Quaresma, para meditar e fazer um profundo exame de consciência, analisar como agem, diante de tantos filhos de Deus, excluídos de uma vida digna, por essa sociedade que não prioriza a solidariedade. No Brasil de hoje, temos aproximadamente treze milhões de desempregados, famílias inteiras passando privações. Se as pessoas são Templos de Deus, por que, se gasta tanto dinheiro em construções de Templos de pedra. Por que isentar as Igrejas de pagarem impostos, favorecer o enriquecimento e a lavagem de dinheiro, como acontece com tantas, aqui no Brasil. Possui  iates,  caros de luxo, mansões cinematográficas, tudo em nome de Igrejas para não pagarem impostos.

A Revista “Paris Match” fez uma pesquisa, perguntando qual a diferença entre empresários ateus e empresários católicos. A conclusão, foi que os católicos frequentam as missas, de resto, tudo é igual. “É por isso que nas notas de Dólar está escrito: In God We Trust” ( Em Deus confiamos). Isto é uma afronta à miséria que existe por esse mundo afora.

    

Deus abençoe a todos

       

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 21:23

O CÂNTARO DE BARRO

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 22.03.17

Na aldeia de Parada existem poucas pessoas que se lembrem do Cântaro de Barro Preto. Era a vasilha usada pela maioria das famílias, para buscar água na fonte e guarda-la dentro de casa para seu uso. Nos meus tempos de adolescente, somente o Senhor Joãozinho Chaves, tinha água dentro de casa. Era canalizada de uma mina que tinha junto da Fonte do Neto. O restante das famílias carregava água das fontes da aldeia nos cântaros de barro, onde era mantida para uso diário. As fontes eram: a fonte do Santo, a fonte do Mouro e a Mina do Fundo. Era comum ver mulheres com os cântaros à cabeça, cheios de água, levada para as casas, para consumo das famílias.

Naquele tempo não se falava no fontenário da Cuscarreira. Eu lembro quando foi feita essa obra. A água vinha de Fonte Castanheira e do Regato Porto Cerdeira. Foi construído um Reservatório no Tojal, dali é que ia a água para a Cuscarreira. A Câmara Municipal forneceu os canos, mas as valas até ao alto da serra, quem as cavou foi o povo. Nos meus treze anos de idade, trabalhei muitos dias. Cada dia iam algumas pessoas em rodízio, para cavar as valas. Lembro que um dia, na Corte do Pereira, a vala teria que passar por cima de uma rocha que precisava ser dinamitada. Fizeram o buraco onde foram colocadas três bananas de Dinamite, o rastilho estava rebentado e o fogo não chegou aos explosivos. Ficamos meio dia á espera de um técnico de Vila Pouca, para constatar que era o rastilho rebentado.

 Naquele tempo havia muitas nascentes pela serra, eu conhecia quase todas. A gente fazia pequenas represas para o rebanho beber. Existiam as poças de cima junto da tapada e as poças de baixo, junto do Porto da Bouça. As águas de Fonte Castanheira, que era a melhor fonte da serra, foram desviadas para o Viveiro. Foi uma luta para canalizá-las para a aldeia. As águas dessa fonte juntavam-se ás do Regato Porto Cerdeira, num depósito construído ali.

Lembro o dia que a água jorrou na Cuscarreira, foi um dia de festa. O Empreiteiro da obra foi o Senhor Jeremias, o povo o aplaudiu pela obra. Passados alguns dias, começou a construir a casa no Adro de São Pedro, aproveitou a bondade da aldeia para roubar o terreno do Santo. Essa casa ainda se encontra lá, hoje pertence à Junta da Freguesia.

 Em Parada hoje, todos têm água dentro de casa, poucas pessoas devem se lembrar do “Cântaro de Barro Preto ” , que tantas vezes ia à fonte, até que um dia lá ficava a Asa. A Fonte do Santo, hoje está muito diferente, falta a grande Pia entre a torneira e o Tanque, onde beberiam os animais que subiam ou desciam à rua. Eu sinto saudades dessa Fonte.

    

Deus abençoe a todos

         

Agostinho Gomes  Ribeiro

 

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às 20:59

E AGORA, JOSÉ?

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 22.03.17

Dia 19 de março é dia de São José e pouco sabemos do homem que criou Jesus Cristo. O pouco que os Evangelhos falam dele, dizem que era operário da construção civil. Na Liturgia Portuguesa, sintetizou que era carpinteiro. Por isso, Jesus Cristo era conhecido como o “Filho do Carpinteiro”. Segundo alguns livros “apócrifos”, ao conhecer a Virgem Maria, já era viúvo e tinha vários filhos.  Por isso, a Bíblia tem razão quando se refere a irmãos de Jesus Cristo, pois tem vários irmãos por parte de Pai.

São José é venerado em duas datas. Em 19 de março como Pai Adotivo de Jesus Cristo e Protetor da Igreja Universal e no dia primeiro de maio como São José Operário, numa alusão ao Dia do Trabalho. José trabalhava com madeira e com pedras, fazia construções de residências. Trabalhou na construção de Séfores, primeira capital da Galileia, que fica a sete quilômetros de Nazaré, onde morava. Também trabalhou junto com Jesus Cristo, na construção de Tiberíade, a capital ao lado do Mar da Galileia, mandada construir por Herodes Antipas, em homenagem a Tibério, Imperador Romano. Foi durante o seu governo que nasceu Jesus Cristo e foi crucificado sob as ordens do Governador Romano, Pôncio Pilatos. Jesus em sua vida terrena, nunca esteve em Tiberíade, chamava de “cidade do mal”.

Quando José começou o seu relacionamento com Maria, era bem mais velho do que ela. Depois de três meses na casa de sua Prima Isabel, quando do nascimento de João Batista, ela voltou a Nazaré, grávida. José não querendo acusá-la de adúltera, para não ser apedrejada, resolveu assumir, abandonando-a em segredo. Quando se afastava de Nazaré teve em sonhos uma visão angélica, que lhe dizia ser aquela gravidez, obra do Espírito Santo, que Maria fora escolhida por Deus, para trazer ao mundo o seu Filho Jesus. Ele deveria voltar aceitar Maria e assumir a Paternidade Adotiva do Filho de Deus.

José voltou, recebeu Maria e assumiu ser o guardião do Templo Vivo da Santíssima Trindade. Pois Maria fora indicada pelo Pai, para gerar o Filho, pelo Espírito Santo. Maria transformou-se em Templo da Santíssima Trindade neste mundo. Assumiu também Jesus Cristo, sendo seu Pai Adotivo. Que bom seria se o Natal não fosse só um dia. Se todas as Mães fossem como Maria. Se todos os Pais fossem como José. Se nossos filhos se parecessem com Jesus. E o nosso Lar fosse aquele lugar humilde, cheio de felicidade, a semelhança daquele Lar de Nazaré.

    

Deus abençoe a todos

         

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 20:54

SER SEMPRE JOVEM

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 15.03.17

A juventude não está na vida material, mas na vida espiritual. Um ser humano pode ser um idoso, mas com espírito de jovem. Para o jovem, a vida é um desafio, um compromisso e um constante caminhar. Ser jovem é ter objetivos definidos, ter projetos e ideais. Ao assumir a sua vocação de jovem, abrevia seus caminhos e chega mais rápido ao seu destino, sem gastar energias em ruelas secundárias, sem perder tempo em assuntos banais, em questões ridículas, sem qualquer valor.

Jovens são todos aqueles que lutam por uma causa, que trazem o entusiasmo estampado na fronte, o alimento na mochila e um estilo todo próprio de encarar a vida. Quando caminha, não pode se fixar apenas no solo que pisa, mas apreciar o horizonte que descortina mais adiante. Quanto mais ampla for a nossa visão, tanto mais seguros e carregados de esperança, serão os nossos caminhos. É preciso se convencer, de uma vez por todas, que não existem problemas sem solução. Em qualquer situação adversa, a resposta virá no momento oportuno, basta ter paciência para esperar. O jovem deve simplificar sua vida, pois a complicação é um veneno. A complicação inferniza a própria vida e a vida dos outros.

O jovem precisa ser objetivo e calmo. Os impulsos precipitados,  sempre trazem o arrependimento depois. Ser jovem é um estado de espírito, que todos gostam de viver. Ser jovem é amar a vida, cantá-la e abraçá-la, perdoando as ofensas e as pedradas que a maldade humana lhes atira. Ser jovem é ter altos e baixos, entusiasmos e desalentos, é vibrar com os momentos bons e passar por cima dos maus, é sorrir da sua própria tristeza. Ser jovem é ter os olhos molhados de tristeza, mas cheios de esperança. É dormir com seus problemas, mas acreditar na solução, ao romper a aurora.

Ser jovem é admirar o por do sol, o ar puro da natureza e as noites estreladas. É se preocupar apenas com sua vida e deixar de lado a vida dos outros. Ser jovem é ser compassivo e silencioso, ficar ao lado das crianças, gostar de leitura, sentir ódios pelas guerras e se deliciar com a Paz. Ser jovem é combater as drogas, a promiscuidade, é amar a todos, sem distinção de pessoas, é pisar firme no solo da realidade. Ser jovem é olhar a vida de frente, saudar cada novo dia como uma dádiva de Deus. É ser eternamente criança.

Em seu  Reino, Jesus Cristo disse que só queria crianças, crianças idosas, crianças corcundas, mas somente crianças. Só entrará nesse Reino, quem for como uma criança.

    

Deus abençoe a todos

                   

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 21:51

FILOSOFIA PARA A VELHICE

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 15.03.17

Se não leres este texto até ao fim, terás perdido um ano de vida. Sabias que a única época da vida, em que gostamos de ficar velhos, é quando ainda somos crianças. Se temos menos de dez anos, ficamos entusiasmados em ser velhos, principalmente envelhecer a frações. Nós nunca teremos quatro anos e meio, mas sempre arredondamos para frente, esta é a chave.

Quando estamos na adolescência, ninguém nos segura queremos ser velhos e puxamos sempre os nossos anos para cima. Muitas vezes, ainda temos 13 anos e já afirmamos que temos 16. Quando menos nos precatamos, chegamos a 21. É um grande dia para nós, pois assumimos a maioridade absoluta. Até as nossas palavras passam a ter ressonância de adultos. Sem que a gente se dê conta, batemos às portas dos 30 anos. Agora ficamos diferentes, parecemos leite estragado, ficamos azedos, passamos a ser olhados com indiferença. Ninguém gosta de bolo  azedo. O que mudou? O que está errado em nós? Nada, é que chegamos sem notar, aos 40 anos. Agora já começamos a nos preocupar, precisamos dar uma trava, mas tudo parece derrapar. Antes de nos dar conta, estamos nos 50 anos. É o meio do caminho, os nossos sonhos passam a ficar mais longe e mais difíceis.

Mas, espera aí! Fizemos 60 anos, ninguém sequer pensava que iríamos conseguir. Mas chegamos. Fizemos 21, alcancemos os 30, empurramos para 40, chegamos a 50, e agora estamos nos 60! Ficamos a meditar porque o tempo correu tão depressa, na preocupação com a velocidade da vida, batemos à porta dos 70. Agora, a nossa vida será uma incógnita, passaremos a viver dia após dia. Tentamos chegar aos 80. Será que vamos conseguir? Já chegamos à hora do almoço, esperamos para ver se vem o jantar. A nossa vida agora são pequenos círculos. Com algum esforço, eis-nos chegando aos 90. Agora a vida começa a andar para trás, todos os nossos atos e as nossas ações são infantis.

Quem sabe se não vai acontecer algo estranho e nós chegamos aos 100 anos. É difícil, mas não é impossível, nosso comportamento  será de uma criança. Mas  que importa, a vida é bela, tanto faz sendo ancião de 100 anos, como uma criança de cinco anos. Esperamos que todas as pessoas que lerem este texto cheguem a pelo menos 100 anos e meio. Porque, a 100 anos pretendo chegar eu que estou a escrever. E para isso, já não falta muito, pois 84 já estão a passar.

   

Deus abençoe a todos

                            

Agostinho Gomes  Ribeiro  

 

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às 21:48

Srª da Graça

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 10.03.17

 

Era o meu primeiro dia de festa, na Srª da Graça, em Quintã.

- Ó mãe, leva merenda?

- Sim. Levo maçãs, pão e marmelada.

- Marmelada?! Que bom!

Minha mãe gostava de ir a tudo o que eram capelas. Já me tinha levado à Srª do Extremo, a Tourencinho. Agora, era um pouco mais longe, e o percurso bem mais acidentado. Pegou no saco com a merenda, deu-me a mão, e saímos. À nossa frente, cerca de três quilómetros, a pé, quase sempre a subir na encosta da serra que descai pra Parada do Corgo; na outra vertende, cerca de quinhentos metros sempre a descer, porque a Santa tem capela a meio do monte.

Com os "tojais " à ilharga, iniciámos o nosso percurso, subindo à beira de um pinhal até um valado, onde medram meia dúzia de castanheiros. À nossa esquerda, num lombo do monte, um denso pinhal estendia-se até à Veiguinha; À nossa direita, seguia o caminho que levava às poças debaixo e ao Porto da Bouça.

- Estamos na Côrte do Pereira. (informou, minha mãe)

Seguimos, depois, em frente, pela ladeira de um cerro. E, no alto, minutos depois, alcançámos um prodigioso conjunto de cedros, de copas espessas, quase alapadas, por onde se esgueirava, entre juncos, um  pequeno ribeiro.

- Que lindo lugar! ( Exclamou, minha mãe)

Gostava daquele sítio. Cultivava aí um lameiro, com o nome de Ribeiro Côvo.

Subimos agora por uma curta garganta entre montes.De um lado o Sardão, do outro o Cornelho. Cem metros depois, já na Tapa, ao fundo de um lameiro, ouvem-se ruídos de pequenas cascatas  de um outro riacho que ali passa. Minha mãe apontou:

- Escorre por ali abaixo, atravessa o Pôrto da Bouça e as Algobadas, depois desce pelos Moínhos, segue pelas Valsadas, até encontrar o Rio.

- O Corgo?

- Sim.

- Mãe, nos Moínhos, existem moínhos?

- Sim, é de lá que vem a farinha com que fazemos o pão.

Aquela peregrinação estava a ser, para mim, uma prodigiosa  lição. Subimos mais um pouquinho, e eis-nos numa "mata" de vidoeiros. 

- Depois desta mata, é o Viveiro. 

Era um dos sítios mais badalados na aldeia. Aí ganharam o sustento várias pessoas. Entre elas, a minha avó.

- A Mãe Maria trabalhou aqui muito tempo! Um dia, lutou com dois lobos,  lá em baixo, na tapa, quando vinha pra cá. 

- Dois lobos?!

- Sim.

Seguiu-se uma narrativa incrível de uma mulher só, em plena montanha, ainda a manhã vinha longe, a lutar com dois lobos:

- Pareciam dois "assassinos", de dentes arreganhados, cheios de fome, com o focinho no ar.  Estancaram a olhar pra ela.  Eram dois "matulões", e estavam  prontos a degolá-la. Ela enervou-se e ficou sem saber que fazer. Mas, pouco depois, acalmou, ripou da pá e  começou a dar com ela nas lajes. Com os choques na pedra, fazia faíscas. Mas os lobos não iam embora,  pareciam estar à espera que aquilo acabasse pra poder atacar. E ela, coitada, estava cada vez mais aflita, ó pé da bocarra daqueles bandidos,  prontos a desfazê-la em pedaços.Quase a cair de cansaço, ouviu, à distância, vindos dos lados do "Porto da Bouça",  uns ruídos que pareciam sair das goelas d`uma matilha. Eram os cães dos trabalhadores de Zimão, que acompanhavam os  donos até ao Viveiro. Esperançada na ajuda dos cães, ficou de repente com mais força nos braços, e continuou a dar golpes na laje. Até que, com a matilha já próxima, os lobos viraram o focinho pra trás, e desapareceram por entre os pinheiros.

Contava isto cheia de orgulho. Para ela, minha avó era uma mulher corajosa. Aquele episódio fizera dela uma heroína. E, em Zimão, onde nascera, "toda a família era valente, como ela".

Estamos já a descer pra Quintã. A meio do monte, ergue-se a capela da Srª Da graça. À volta,  magotes de gente. Chegámos. Minha mãe vai disparada para a capela, e eu logo atrás dela. 

- Vamos rezar à Srª da Graça para que pela sua divina graça nos dê saúde....

Começou o terço. Respondia que era o remédio. Mas ia olhando para as cavacas, brancas e doces, ali mesmo ao lado.

No fim do terço, descobri uma sombra.  A fome tinha tomado conta de nós. Estava na hora de  dar o devido valor ao pão, às maçãs e à marmelada.

  

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às 11:18

Faleceu a Armanda

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 10.03.17

Nora do ti Augusto Ferreiro. Esposa do Domingos Carvalho, já falecido. Mãe do Filipe e do José Manuel Carvalho.

Paz à sua alma.

FCR

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às 01:53

RELAÇÃO DOS SÓCIOS DO PRAZER DA MEMÓRIA, QUE ATUALIZARAM AS SUAS QUOTAS ATE31DEC2016

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 10.03.17





  1. ADELAIDE CRISTINA CUNHA RIBEIRO -SÓCIO Nº.23
  2. ADELAIDE RODRIGUES DE CARVALHO -SOCIO Nº.183 (2)
  3. AGOSTINHO MACHADO DE SOUSA-SOCIO Nº184 (2)
  4. AGOSTINHO RODRIGUES - SOCIO Nº17
  5. ANA SOUSA - SÓCIO Nº.115
  6. ANDREIA CARLOTA GOMES - SÓCIO Nº.116 (MENOR)
  7. ANGELINA RIBEIRO LOPES - SÓCIO Nº.101
  8. ANTONIO JOAQUIM P DIAS - SÓCIO Nº.6
  9. AMY JOE MIRANDA - SÓCIO Nº.113
10. AGOSTINHA REIS PEREIRA - SÓCIO Nº.170
11. ABILIO RIBEIRO - SÓCIO Nº.111
12. ANTONIO MONTEIRO - SÓCIO Nº. 104
13. AVELINO SOUSA FERREIRA - SÓCIO Nº.84
14. BRUNO PIRES - SÓCIO Nº.79
15. CAMILLE LECOUVEY - SÓCIO Nº.47
16. CANDIDA DE JESUS REIS DIAS PINTO - SÓCIO Nº.8
17. CÁTIA DIAS PINTO - SÓCIO Nº. 30
18. CÉLIA CARLOTA RIBEIRO - SÓCIO Nº.10
19. DEOLINDA CUNHA PIRES GOMES - SÓCIO Nº.11
20. EMANUEL GOMES RODRIGUES - SÓCIO Nº.92
21, EMILIA GONÇALVES PINTO - SÓCIO Nº.27
22. EMÍLIA BRANCO AMARAL - SÓCIO Nº.93
23. EDMA RIBEIRO - SÓCIO Nº.49  (2)
24. ERMELINDA SOUSA FERREIRA - SÓCIO Nº.167
25. FRANCISCO DA CUNHA RIBEIRO - SÓCIO Nº.3
26. FÁTIMA RODRIGUES MONTEIRO SÓCIO Nº.198
27. FRANCISCO JOSÉ GOMES - SÓCIO Nº.56
28. FERNANDO AMARAL - SÓCIO Nº. 190
29. ISAURA MOURA - SÓCIO Nº. 194
30. JOÃO MANUEL PINTO SÓCIO Nº.2
31. JOÃO FERREIRA (DE SOUTELO) SÓCIO Nº. 193
32. JOÃO SOUSA FERREIRA - SÓCIO Nº.85
33. JOÃO PEDRO RIBEIRO - SÓCIO Nº.128
34. JOÃO BATISTA MACHADO RIBEIRO - SÓCIO Nº.4  (2)
35. JOAQUIM MAGALHÃES DE SOUSA - SÓCIO Nº.129
36. JOSÉ AUGUSTO PEREIRA - SÓCIO Nº.88  (5)
37. JOSÉ BENJAMIM GOMES - SÓCIO Nº. 5
38. JOSÉ CARLOS RENDEIRO - SÓCIO Nº.177
39. JOSÉ MANUEL PIRES DA CUNHA - SÓCIO Nº.173
40. JOSÉ FERNANDES COUTO - SÓCIO Nº. 130
41. LINO LAGOA DIAS - SÓCIO Nº.197
42. MARIA DE FÁTIMA MONTEIRO - SÓCIO Nº.25
43. MANUEL JOAQUIM DIAS (DE FONTES)- SÓCIO Nº.196
44. MANUEL PIRES PEREIRA - SÓCIO Nº.179
45. MANUEL JOAQUIM SOUSA ALMEIDA - SÓCIO Nº.69
46. MANUEL JOAQUIM RIBEIRO - SÓCIO Nº.68
47. MANUEL PINTO - SÓCIO Nº. 13
48. MANUEL AGOSTINHO CAMPOS - SÓCIO Nº.7
49 -MANUEL SOUSA FERREIRA - SÓCIO Nº. 132
50. MANUEL FERNANDES COUTO - SÓCIO Nº.131 (2)
51. MANUELA DE JESUS GOMES - SÓCIO Nº.31
52. MARGARIDA FERREIRA BORGES - SÓCIO Nº.133 (FALECIDA)
53. MARIA GORETI FERREIRA - SÓCIO Nº. 87  (5)
54. MARIA CLARA FERREIRA - SÓCIO Nº.191
55. MARIA FERNANDA CARDOSO DIAS - SÓCIO Nº. 26
56. MARIA FERNANDA PINTO - SÓCIO Nº.187
57. MARIA GUIOMAR - SÓCIO Nº.49
58. MARIA EDITE F COUTO FERREIRA - SÓCIO Nº.86
59. MARIA LUISA FERNANDES TEIXEIRA - SÓCIO Nº.109
60. MIGUEL ANGEL POSE MOREIRA - SÓCIO  Nº.71
61. RUTE PORTELINHA - SÓCIO Nº. 189
62. SUSANA MIRANDA - SÓCIO Nº, 143
63. VALDEMAR PEREIRA (VILA POUCA)
 AGOSTINHO GOMES RIBEIRO - SÓCIO Nº.112  (Do ant.  quota paga)

SOCIOS DO PRAZER DA MEMÓRIA QUE JÁ PAGARAM AS QUOTAS DO ANO DE 2017:

1. JOÃO SOUSA FERREIRA - SÓCIO Nº.85
2. MARIA EDITE F COUTO FERREIRA - SÓCIO Nº.86
3. MARIA LUISA DE SOUSA TEIXEIRA - SÓCIO Nº.109
4. AMY JOE MIRANDA - SÓCIO Nº.113
5. SUSANA MIRANDA - SÓCIO Nº.143
6. VALDEMAR PEREIRA - SÓCIO Nº.195
7. JOSÉ FERNANDES COUTO - SÓCIO Nº.130
 AGOSTINHO GOMES RIBEIRO - SÓCIO Nº. 112 (D ant.quota paga).


Para todos os meus amigos,
um grande abraço


João Ferreira

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às 01:46

QUOTAS/COMO PAGAR

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 10.03.17


Caros amigos sócios do Prazer da Memória e Paradenses em geral, para todos as minhas saudações.

PARADA, terra onde todos nós nascemos e aí fomos criados pelos nossos pais e avós, naquele tempo, tempo que não volta mais.
Por Parada e como tesoureiro da Associação, informo que somos 182 sócios efetivos do Prazer da Memória, mas nem todos têm as quotas em dia.
É disto que vos quero informar: quando aderimos e nos registamos como sócios, foi um compromisso voluntário que assumimos, com a obrigação enquanto sócio, de anualmente pagarmos a quota administrativa.
Assim, aos sócios com quotas em atraso, faço um apelo como amigo,  para as regularizarem dentro da brevidade possível. Normalmente e segundo os Estatutos de qualquer instituição, as quotas são sempre pagas em Janeiro.
Este apelo é feito, porque estamos numa fase de elaboração do processo da construção da Sede da Associação "O Prazaer da Memória" e necessitamos de saber qual o valor com que podemos contar, relativo a quotas pagas pelos sócios.
O Projeto será elaborado, conforme as disponiibiilidades financeiras. Depois de os sócios estarem todos em pé de igualdade, no que se refere a pagamento de quotas, tomaremos a iniciativa de procurar mais apoios junto das Instituições mais próximas e outros.

QUOTAS
Lembro a todos os que puderem, para liquidarem a sua quota anual antes do convívio, altura em que informaremos o saldo existente e disponível na Associação
Para os residentes em Parada, no João Ribeiro(João de Parada)
Para os residentes fora de Parada, mas a residirem em Portugal: através do Banco Montepio, na conta da Associação com o NIB: 0036 0544 99104400145 21.

Para os residentes no Estrangeiro, também através do Banco Montepio na conta da Associação com o NIB:
0036 054499104400145 21, BICMPIOPTPL.
Os recibos dos depósitos são a prova de pagamento. Todos os meses atualizarei a caderneta e desta registarei no livro todos os depósitos, na pagina referente a cada sócio.
O ano passado 25%, fizeram o pagamento através do Montepio, e foram registados 6 novos sócios.

RESULTADOS DO ANO 2016
Foram pagas 75 quotas de adultos e uma de menor.

Para todos os amigos Paradenses
Vai o meu grande abraço
Qualquer dúvida encontro-me ao dispor

João Ferreira

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às 01:43

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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