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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


SOMOS O QUE SOMOS

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 17.05.17

Nós nos apegamos tanto a esta vida, que quando sentimos que vai se extinguindo a nossa existência, procuramos ao menos deixar um rastro no caminho percorrido. Todos serão lembrados, uns pelo bem que fizeram, outros pelo mal que praticaram. Porém, diante da hipocrisia da humanidade, a pessoa para ser boa precisa morrer primeiro.

Um dos maiores exemplos que eu pretendo deixar para a posteridade é a solidariedade. Nos meus tempos de jovem, li a  Vida de São Francisco de Assis. O seu cuidado com os pobres e os necessitados, o seu desapego aos bens materiais, me tocou muito e influenciou muito a minha vida. Nunca me preocupei com a riqueza. Para mim, a maior riqueza é ter o que precisar, no momento que precisar. Formei minha família, sempre voltada para o amor ao próximo e para a humildade. Consegui construir minha casa, grande e acolhedora, talvez maior do que eu sonhava. Sempre dei à minha família aquilo que ela precisava Sempre me preocupava sentar em volta de uma mesa farta, sabendo que muitas pessoas passavam fome.  Sempre me preocupei profundamente com a miséria e o sofrimento, principalmente, de crianças e idosos.

Quando vejo filmes da Guerra na Síria, o sofrimento de tantas pessoas, desesperadas a buscar ajuda, ou imagens de terramotos, enchentes, secas, ver os animais mortos por falta de água, fico muito triste, ainda mais quando vejo que a maioria das tragédias atinge sempre os mais pobres. Já fui criticado até por familiares por me preocupar tanto em ajudar os outros. Mas eu vivo muito aquele ensinamento, “é dando que se recebe”. Não devo nada a ninguém, não preciso que ninguém tenha pena de mim. “Quem tem Deus, tem tudo.”

 Hoje meus filhos vivem independentes, cada um tem sua vida. Eu ganho o suficiente para pagar meu Plano de Saúde e todas as minhas contas. Tenho o necessário para viver e ainda sobra algum para ajudar um indigente qualquer. Nunca me preocupei com o que falam de mim. Falem mal, mas falem de mim. As únicas pessoas a quem eu devo uma satisfação são os meus filhos, que me dão todo o apoio e ainda me oferecem ajuda. Nunca tive privilégios, não me sinto bem ter aquilo que muitas pessoas não podem ter.

Todos os dias eu rezo como se tudo o que eu preciso, dependa de Deus, mas luto e trabalho como se tudo  dependa de mim.

    

Deus abençoe a todos

        

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 21:13

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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1 comentário

De João Ribeiro a 23.05.2017 às 14:36

Parabéns, esse sim o sentido da vida, ajudar sem olhar a quem, nós com dinheiro ou sem dinheiro, o destino é o mesmo, para todos, pois como diz a Bíblia, viemos do pó e para o pó voltaremos, o resto só Deus sabe!

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