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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


...

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 10.08.09

 

O PADRE AMARO
 
 
 
 O sábio e bom Padre Gil, vindo das terras de Barroso cheio de sonhos, instalou-se na larga freguesia de Telões e, embora habituado a proclamar as virtudes espirituais, quis dar ao espírito dos seus sonhos os sólidos contornos duma obra . E eis que o verbo se fez carne.
 Lançou-se decidido numa obra cultural e social de grande valor, a qual o recordará para sempre, imprimindo o seu nome nas páginas  mais nobres da história da Vila .
Essa obra é o saudoso “Colégio” , conhecido com o pomposo nome de “Externato Liceal Duarte de Almeida”, e foi, durante anos, o grande “livro” por onde estudou muita gente do concelho.
Quando lá entrei, no longínquo ano de 1971, já muitos aguiarenses por aí tinham passado e ouvido as longas palestras disciplinadamente escutadas da boca dessa figura única que foi o Padre Amaro.
 Do alto do estrado, de livro na mão, parece que ainda hoje o estou a ouvir:
- Não esqueçais que as pirâmides do Egipto nos mostram que aquela civilização  é uma das mais importantes e …
- Ó rapaz, que estás “ p`raí a dizer” ? Vá, vê lá se te calas e estás mas é com atenção, sim?
E o rapaz, que estava mais virado para a civilização contemporânea ( na treta com a colega do lado), surpreendido pela intercalação afiada, vermelho de vergonha, ficava logo calado, sem tugir nem mugir.
Mas o mais disciplinador, e talvez o mais respeitado dos professores do colégio, não se ficava por aqui. Quando algum “moço” ou “moça” saía dos eixos, lá descia ele, sorrateiro, por entre as filas de carteiras e … zás… com o punho bem dobrado, e os nós dos dedos rijos e salientes, desferia bruscamente um golpe imprevisto sobre a cabeça do prevaricador, e eis mais um “croque” para a colecção.
 E não fazia qualquer distinção de sexo ou de classe: fosse rapaz ou rapariga, levava; fosse da Vila ou da aldeia, apanhava.
 No princípio das aulas, todos se levantavam, num gesto quase militar, quando o professor de história entrava! Todos, sem excepção!
Mas o que mais caracterizava o Padre Amaro era a sua imparcialidade. Podia ter dado um bom Juiz. Para ele tudo era geral e abstracto como a lei. Doesse a quem doesse!
E essa preocupação pela imparcialidade era tanta que nem mesmo a sobrinha, sua aluna, e a viver com ele na casa paroquial de Soutêlo, tinha a condescendência de um favor. Se tinha testes negativos tinha nota final negativa! “Santa paciência”, tinha de ser! Fosse um nove, fosse um sete! A sobrinha não escapava à sentença justa, imparcial e implacável do Tio Amaro.
 Mas o rigor do Padre de Formoselos não se ficava por aqui. Ele nunca faltava à escola. Ele nunca chegava, nem um segundo, atrasado às suas aulas. Ou chegava à hora certa, ou antes da hora certa.
E até na sua Paróquia ( Soutêlo de Aguiar) se sentia este extremo rigor: Não falhava uma missa, um baptizado ou casamento.
E mais:
 No carro do Padre Amaro não entrava uma alma viva da sua paróquia ( e  não se tratava de infligir qualquer penitência … Era mais um reflexo da sua preocupação com a igualdade de tratamento. Assim ninguém podia dizer que fulano, por ser rico ou importante, tinha boleia do padre. Ou que só dava boleia aos homens, ou às mulheres…).
 Nunca aquela alma aceitou um convite que fosse para uma festa. Baptizava e casava, sim senhor, mas já todos sabiam que não ia ao banquete. Por isso já ninguém ousava fazer-lhe o convite.
Homem justo e recto o Padre Amaro, por ser assim, com excessivo rigor, parecia um ser humano frio, individualista, e pouco afectuoso. E essa frieza de alma não lhe granjeou simpatias. Bem pelo contrário.
Um dia ouvi-o dizer-me que era assim por defeito de educação. E eu acredito que sim. O Padre Amaro, a meu ver, ao revestir a alma com a sua batina sacerdotal, ficou definitivamente enclausurado numa espécie de sacristia temperamental. E esse refúgio que ele criou tornou-o distante, evasivo e intransigente.
A maioria dos paroquianos ou dos alunos não lhe terão apreciado o temperamento. Mas, querendo ser rigorosos e justos, como ele sempre procurou ser, talvez não deixem de ver no Padre Amaro um exemplo como professor, como padre e como homem.
 
 
                         Cunha Ribeiro
 

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