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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


NESTE TEXTO DA REVISTA "ROTAS E DESTINOS", O NOME "PARADA" TERIA ORIGEM NO FACTO DE OS PEREGRINOS QUE IAM A PÉ A SANTIAGO DE COMPOSTELA "PARAREM" NA NOSSA ALDEIA PARA DESCANSAR. ( Então porque havia na GRALHEIRA uma casa destinada a tal fim!?)

por cunha ribeiro, Domingo, 13.09.09

 


2º dia - De Lamego a Vila Pouca de Aguiar

Saímos da cidade pelo fresco da manhã. O rasto de Tiago volta a cruzar-se connosco na freguesia de Sande, onde a igreja do século xii, reconstruída no século xviii, lhe é dedicada. Também ela clama por melhores dias. A paisagem muda quando começamos a atravessar as terras do Douro. Aqui a estrada toma o rio como bússola e segue-lhe as curvas, através das encostas talhadas pela mão do homem. As vinhas aconchegadas por oliveiras e por estreitos caminhos muito íngremes lembram um quadro impressionista. No vale corre o rio Varosa que se junta ao Douro em Peso da Régua, altura em que nos perdemos. Desde aí e até Vila Real enganamo-nos na estrada e, durante esses trinta quilómetros perdemos o rasto a São Tiago. As encostas da Serra do Marão vigiam-nos a jornada.

Já em Vila Real a nossa demanda recebe um ligeiro fôlego ao cruzarmos caminho com alguns registos históricos que dão conta da passagem, por esta cidade, da rota jacobeia. Até ao início do século havia nesta antiga vila real um largo conhecido como o Tavolado onde uma capela de Santiago era também sede de uma confraria do Apóstolo. Ao pé desta capela haveria outra, chamada do Espírito Santo mas conhecida como Capela do Hospital, por fazer parte de um hospício para peregrinos pobres. O largo foi entretanto destruído com a abertura da Avenida Carvalho de Araújo, uma das principais da cidade. Aqui o culto principal é a São Gonçalo de Amarante, por influência dos frades dominicanos estabelecidos em Vila Real no decorrer do século XV.

Que se saiba, o Solar de Mateus, a três quilómetros da cidade, nunca fez parte das rotas dos peregrinos. No entanto, este expoente da arquitectura barroca em Portugal merece uma visita. Depois de Vila Real os peregrinos passavam por Calçada topónimo que recorda que este chão foi local de passagem desde eras remotas Vila Seca, Gravelos, Escariz, Benagouro e Vilarinho de Sarmadã. Aqui não são os caminhos de Santiago que nos fazem parar mas antes uma curiosidade literária. Foi nesta pequena aldeia, da margem direita do rio Corgo, que Camilo Castelo Branco passou, em casa da irmã, os "primeiros e únicos felizes anos da mocidade".

A casa está indicada com uma placa e é, ainda hoje, morada de familiares do escritor. Neste domingo, no pico do sol, o único café da aldeia é o ponto de encontro dos homens acabados de sair da missa, enquanto as mulheres estão provavelmente dentro das casas a fazer o almoço. Na eira, o grupo de escuteiros aí acampados joga à bola quando voltamos a entrar no carro estacionado junto à igreja, em cuja frontaria várias placas lembram a família Castelo Branco e o Padre António José de Azevedo, irmão do cunhado de Camilo e seu mestre. À medida que rumamos mais a norte em direção a Gralheira, a veiga do planalto de Vila Pouca substitui as serranias do Alvão.

Damos início a um pedaço da viagem que foi até ao século passado um dos troços jacobeus mais difíceis de vencer. De Vila Real a Chaves, os peregrinos viviam momentos de dor e abençoavam tudo o que os ajudasse a curar os males do corpo. Às portas da aldeia da Gralheira podiam mitigar as dores: a albergaria em frente ao cruzeiro ainda hoje se mantém de pé. A população não parece fazer a mais pequena ideia do que são aquelas ruínas. Acaba por ser um rapaz com pouco mais de 20 anos quem nos dá as indicações que nos levam até ao que resta da albergaria. Ime-diatamente a seguir a Gralheira, Zimão tem Santiago por orago, mas é São Gonçalo, na sua capela, quem recebe os peregrinos que tentem cruzar estes caminhos velhos.

As ruínas do Castelo de Aguiar equilibram-se ainda nos penedos que dão continuidade à serra do Alvão. Ficam a poucos quilómetros de Zimão e devem ser fraca amostra da imponência de outros tempos. Provavelmente erguido entre os séculos x e xi, foi alicerce destas Terras de Aguiar nos primórdios da administração cristã dos reis de Leão. A história, porém, conta-nos que estas rapidamente se fizeram portuguesas durante as campanhas de D. Afonso Henriques. Continuamos o nosso périplo em busca de Santiago ao longo desta veiga e acabamos por nos cruzar com a nascente do rio que nos acompanha já desde Vila Real: o Corgo.

Em Soutelo de Aguiar, a capela é dedicada ao apóstolo Tiago. Passamos depois por Parada, denúncia do acolhimento que ali seria dispensado a peregrinos e viajantes, apesar de não haver nenhuma edificação que confirme esse amparo. Chegamos, enfim, a Vila Pouca de Aguiar. Entre duas veigas, a de Aguiar e a de Chaves e outras tantas serras a da Padrela e a do Alvão, Vila Pouca de Aguiar reuniu sempre condições para ser encruzilhada de caminhos. Nos séculos xii e xiii foi uma das sete paróquias das Terras de Aguiar, mas nessa altura dava pelo nome de S. Salvador de Jugal. As águas termais deste concelho, já exploradas pelos Romanos, seriam com certeza um bom alívio para as penas e chagas dos peregrinos.


3º dia - De Vila Pouca de Aguiar a Monterrey


A manhã vai a meio quando voltamos à nossa rota. Em vez da estrada nacional para Chaves tomamos uma outra, secundária, ao longo do vale. Não se vê vivalma quando chegamos a Cidadelhe, onde antigamente havia uma ponte romana, da qual, mais uma vez, não se encontram vestígios. Nada a que não estejamos já habituados. Continuamos a atravessar a veiga de Chaves até Pedras Salgadas, a primeira das várias estâncias termais da zona, e aí fazemos uma pequena pausa no bonito parque que circunda o balneário sobre o ribeiro de Avelames.

O troço da estrada romana entre Pedras Salgadas e Sabroso uma típica aldeia construída ao longo da estrada antiga ficou já para trás quando deparamos com Oura e com a sua igreja paroquial de oráculo de Santiago. Está fechada. As águas termais, agora de Salus e de Vidago, continuam a acompanhar o nosso itinerário. Chegamos a Chaves. Cidade monumental, com os seus castelos e torres defensivas, era porto seguro para os peregrinos, cuja ponte romana sobre o rio Tâmega fazia evidentemente parte dos caminhos a Compostela. O bulício da cidade é o contraponto do abandono e desertificação das terras em que temos parado. Chaves foi sempre um importante núcleo de apoio aos peregrinos.

Comprova-o a existência de vários mosteiros e a recordação de diversas albergarias, algumas nascidas com a nacionalidade. A rainha D. Mafalda, mulher de D. Afonso Henriques, fundou aqui uma sob a invocação de Santa Maria Madalena, próxima do actual largo da Madalena. Funcionou durante vários séculos e ainda hoje as paredes da sua capela-mor estão de pé, integradas no edifício que veio substituir a albergaria. No Jardim-Museu da Cerca da Torre de Menagem, no castelo, está uma cantaria de janela pertencente à capela. Um Hospital de Nossa Senhora de Roquemador, estes especialmente vocacionados para a assistência aos peregrinos a Compostela, e durante a Idade Média espalhados por várias cidades do Norte, seria algures no actual centro histórico da cidade. Identificavam-os uma palma, símbolo dos romeiros a Jerusalém.

Junto às termas, a capela de Santa Catarina pertenceu há muitos séculos a uma albergaria com o mesmo nome. Mas o maior e mais rico albergue seria o dos duques de Bragança, instalado num edifício contíguo ao paço e onde, em 1498, se viria a instalar a Confraria da Misericórdia de Chaves. Nos arredores desta cidade transmontana, em Eiras, a capela dedicada a Santiago fica em propriedade particular, murada. Não estava ninguém em casa e por isso não a pudemos visitar. Dois homens sentados nos degraus do cruzeiro jacobeu explicam que "também não valia a pena, porque o recheio foi todo vendido, há algum tempo, a umas senhoras de Lisboa que andaram por aí". Mais uma desilusão.

Santo Estêvão, a sete quilómetros de Chaves, é uma vila que mantém a aparência medieval. Aqui, em casa senhorial antigamente pertença do castelo, a Rainha Santa Isabel terá passado a noite anterior ao seu casamento com D. Dinis e conta a tradição popular que este seria também abrigo de viajantes, peregrinos incluídos. Vale a pena uma visita demorada. Vilarelho da Raia fica apenas a 200 metros de Espanha, e por aqui se podia sair a salto. A porta entreaberta da igreja paroquial, dedicada a Santiago, convida-nos a entrar. Está às escuras e ainda tentávamos perceber qual das imagens seria a de Tiago quando as luzes se acendem. Uma mulher de negro, beata local, quer saber porque estamos na igreja a um dia de semana, a horas que não são de missa.

Dizemos-lhe a que vimos e a imagem do santo ilumina-se. Parece-me a mais bonita do mundo. É com certeza uma recompensa depois de tantas horas passadas à procura de Tiago. Quando saímos a mulher encarrega-se imediatamente de fechar a porta a sete chaves. A paragem seguinte é já em Espanha. Verin, a quinze quilómetros da fronteira, é o local onde o percurso que temos estado a fazer se une com a chamada Via da Prata, antiga rota comercial proveniente do Sul de Espanha. A vila não tem vestígios das peregrinações jacobeias mas a dois quilómetros, o castelo de Monterrey, erguido no topo de uma colina, conserva, dentro de muralhas e em ruínas, um hospital para peregrinos. O cruzeiro num cruzamento da estrada, datado de 636, indica que estamos no bom caminho. É segunda-feira e por isso o castelo está fechado.

O guarda de serviço só nos responde quando percebe que somos portugueses. Não tinha gostado que lhe falássemos em castelhano: "Portugal e Galiza são irmãos. Podem visitar o castelo mas cuidado com as obras", adverte-nos em galego. Entramos no terreiro do castelo. Classificado como monumento nacional, está a sofrer obras de restauro, financiadas pela União Europeia, que já devolveram à Torre de Menagem, à Torre das Damas e à igreja românica do século xiii a dignidade de outros tempos. Construído sobre a acrópole de um antigo castro, rodeiam-no três muralhas diferentes que se mantêm quase intactas. No hospital, situado fora do terreiro, as obras de reconstrução começaram em Julho. O dia está a acabar e vamos ficar por aqui, bem instalados no Parador o equivalente às nossas Pousadas mesmo ao lado do castelo.


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às 18:00

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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