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ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


MARIA GERALDA

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 27.09.10

Os dois "assassinos" estancaram, ali, a sua marcha faminta. De rabo no chão,longo focinho no ar, sondaram a "presa", à espera de um flanco desprevenidamente aberto para atacarem.

Maria Geralda caminhava  ao pé do "Cornelho", já perto da "Tapa". Ao deparar com o olhar felino das alimárias, ficou, por segundos, petrificada, sem saber que fazer.  Os dois "matulões", ali estavam, boca rasgada até às orelhas, longos caninos  prontos a rasgar fosse o que fosse, de papo no ar, olhar atento,  no alto de um pequeno cerro, para além do caminho que levava ao "Viveiro".

 

Depois de um leve suspiro de hesitação, ripou da pá, que trazia num ombro, e  começou a rodopiá-la à volta do corpo,  agora hirto de energia e coragem.  Agitada a golpes nervosos mas firmes, a pá raspava na laje junto ao caminho, projectando na escuridão assassina, faíscas de lume ziguezagueantes que feriam o olhar desesperado dos bichos, obrigando-os a respeitar as distâncias. O choque metálico   contra o lajedo ecoou na encosta da serra durante largos minutos.  As bestas porém, apesar de medrosas, não arrepiavam caminho.  Pareciam estar à espera que a criatura desfalecesse, para o festim poder começar.

Eram cinco da manhã. " Maldito relógio aquele... Uma hora antes, o malandrão fizera com que a pobre criatura saltasse do meio dos cobertores, avisando estridentemente que eram seis horas, quando, afinal eram quatro"!

 

E agora ali estava ela, aflita, nas barbas daqueles bandidos, famintos, prontos a desfazê-la em pedaços...

 

 

Quase desfalecida, à beira de ser vencida pelo cansaço, ouviu, à distância, vinda dos lados do "Porto da Bouça", uma raposódia viril  de sons estridentes que parecia sair de goelas agudas de cães. Eram os fiéis companheiros dos trabalhadores de Zimão, que acompanhavam e guardavam os  donos,  nas suas caminhadas diárias até ao Viveiro.

 

Entretanto, com a esperança daquela ajuda, Maria Geralda renovou de energia e de  ânimo, desferindo mais uma série de golpes em cima da laje. Até que, com a matilha já próxima, as feras levantaram o rabo do chão, esgueirando-se, num ápice, na direcção de "Cabeça Gorda".

 

Já com o perigo à distância, aquela coragem que o perigo lhe deu começou, aos poucos, a desfalecer. Até que cedeu, imóvel, prostrada, quase sem vida.

Maria Geralda tivera ali a sua prova de vida. Esteve cerca de quinze dias em recuperação. Mas. depois, regressou mais forte que nunca.

 

Morreu muito tempo depois. Não de medo, mas  de coragem, porque a vida lhe foi sempre difícil, e a sorte bastante madrasta..

 

CR

 

 

 

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às 21:27

A Blogosfera por vezes tem conexões imprevistas...

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 27.09.10

 

... Como esta de a simpática mãe de Paulo Portas  "me agradecer" ter trazido à caixa de comentários do DUAS OU TRÊS COISAS ( o Blog do Embaixador, Seixas da Costa ) um ditado diplomático...

 

 

cunha ribeiro disse...

Cá está mais um belo naco de prosa do Sr Embaixador, muito mal acompanhado com o vinho "lá da quinta"...

E a sabedoria do Diplomata a relembrar que "Um bom diplomata é aquele que se lembra sempre do aniverário de uma mulher, mas nunca da sua idade".


27 de setembro de 2010 02:32

Helena Sacadura Cabral disse...

Interessantes post e comentários. E um agradecimento especial a Cunha Ribeiro pelo "ditado diplomático", que não conhecia!
Embora pertença ao número das mulheres que se não importa de dizer a idade, é sempre bom ter na manga este ditado para poder, em caso de necessidade, dar uma resposta à altura...

 

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às 17:58

Curtas

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 27.09.10

 

1.  "Peçam sempre factura que Sócrates está a precisar de muito dinheiro para gastar..."

 

2. Quando Sócrates sair do governo vai tudo ver o filme " E tudo o vento levou"

 

3. Com Sócrates a gramática é outra: "mentir" e "endividar" são agora verbos do mesmo grupo.

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às 01:41

JOÃO QUEIROGA leva-nos à feira das cebolas de ontem, de hoje, e de sempre

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 27.09.10

 

Eu ainda sou do tempo…..

…..em que o apito do comboio a vapor, da linha do Corgo, ouvido no planalto do Alvão, era sinal meteorológico a prenunciar nortada ou mau tempo em função do qual se ajustavam ciclos de sementeiras e colheitas!...

De um tempo em que a FEIRA DAS CEBOLAS era o grande encontro anual das gentes das terras do Concelho que, nesse dia, desciam dos povoados, a pé ou a cavalo, tocando por carreiros, filas de gado para venda no toural, em sofisticados rituais de peça teatral entre vendedores e compradores, quase sempre rematados num acordo final publicamente atestado num aperto de mão e pagamento em notas de reis habilmente contadas ali mesmo a partir de um enorme maço delas!...

Eu ainda sou deste tempo em que a tradição roubava ao calendário o dia 25 de Setembro transformando-o no dia da FEIRA DAS CEBOLAS, simplesmente, sem mais!...

O que haveria de fazer-se, pensar-se ou combinar-se, podia fazer-se, pensar-se ou combinar-se para antes ou para depois da FEIRA DAS CEBOLAS!...

A FEIRA DAS CEBOLAS era, assim, um marco com sentido profundo nas vidas das gentes!...

Eu sou ainda igualmente do tempo em que

a FEIRA DAS CEBOLAS terminava o dia intenso de transacções dos produtos da terra, dos gados, dos agasalhos e das alfaias e se vestia de gala para o BAILE DAS CEBOLAS, à noite, no CLUBE(?) ao toque de conjunto(?)!...

Era o que havia de mais IN, por assim dizer à luz do novo dicionário da Língua Portuguesa, permissivo a este e outros anglicismos!...

A minha casa chegava, invariavelmente, por essa altura, um convite da organização das festas para o Baile de Gala, impresso a letra de ouro o qual me impressionava vivamente na ingenuidade da minha juventude!...

Em abono da verdade, tenho que dizer que o tal convite era claramente muito mais dirigido às minhas irmãs, que não perdiam aquela oportunidade!...

 

Bom, foi pois, assim, levado por toda esta nostalgia que sendo, ainda por cima, dia de Sábado, aí fui eu a mais uma FEIRA DAS CEBOLAS, edição moderna, versão 2010!....

 

Como a própria Vila, mais urbana, mais pretensamente cosmopolita e moderna, em todo o caso menos genuína na medida da representatividade social e cultural das suas gentes, também a FEIRA DAS CEBOLAS se globalizou sob o efeito das AAAs 7 e 25 que a cruzam, abrindo mercado aos produtos, incluindo as cebolas que lhe deram fama, do resto do mundo, correndo o risco de ser hoje mais uma feira de cebolas como dezenas de outras que se realizam por este país!...

Compreenderão a minha frustração, transmontano, ido de Braga, ter corrido o risco de comprar cebolas das hortas da Apúlia aqui ao lado!...

Mas, não foi em vão esta minha visita à FEIRA DAS CEBOLAS de Vila Pouca de Aguiar;

Esteve um magnífico dia de sol, uma temperatura amena e eu gostei de reviver os sítios e tudo o que ainda resta da memória da minha FEIRA DAS CEBOLAS!...

Claro que comprei bons produtos das terras, que ainda os há e aqui partilho e aconselho:

- Cebolas de Loivos, na feira;

- Um pé de malagueteiro cheio das ditas;

- Azeite Rosmaninho de Valpaços, no edifício do antigo Grémio da Lavoura;

- Umas feijocas brancas, no Grémio;

- Uma variedade de fumeiro da Gralheira, no mercado Municipal;

- Umas sacas de Batatas de Cabanes, como não há outras!...

E foi assim!...

Abraço

João Queiroga

 

Comentário:

O professor João Queiroga, que os indefectíveis do Blog já conhecem, oferece-nos, por ocasião da Feira das Cebolas, um belo "cabo" cheio de excelentes "tubérculos", que é este texto notoriamente vindo do fundo do seu coração de genuíno e "ancestral" aguiarense.

Podia especular que João Queiroga respondeu ao meu "apelo", feito num post anterior, e veio por aí acima até à feira porque eu lha tinha lembrado.

Mas não, não foi nada disso! Foi antes o apelo dos cheiros da sua terra, que têm fragâncias nunca esquecidas na sua memória, pr`aonde foram levadas através das narinas da sua infância e juventude...

 

 

Se não for assim, caro João Queiroga, faça o favor de me desmentir.

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às 00:14

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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