Created by Watereffect.net Created by Watereffect.net

Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



BLOGUE PARADA DE AGUIAR - Mais sobre mim


Colaboradores - Clique nas fotos para aceder aos textos de cada Colaborador

ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

calendário

Outubro 2012

D S T Q Q S S
123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
28293031


página de fãs


Pesquisar

 

Google Maps


Ver mapa maior

PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


DEOLINDA PIRES CUNHA - " A Esturrinheira"

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 24.10.12

 

 A Esturrinheira, nome que deram a uma zona situada quase no cimo do monte da minha aldeia, é um sítio que está muito presente na minha memória. Na minha infância ia lá muitas vezes com a minha avó materna, Maria Geralda.

 Nesse tempo, década de sessenta do século passado, muita gente de Parada do Corgo cultivava terrenos no monte. Sobretudo aquelas famílias que as não tinham, ou tinham pouco mais que uma horta para cultivo. Era, infelizmente, esse o caso da minha avó, cujo marido emigrou mas nunca a ajudou, ou pôde ajudar, acabando por morrer longe do seu país, na Argentina.

 A minha avó todos os anos semeava batatas na Esturrinheira, numa leira encravada no meio de fragas, próximo da antiga estrada florestal que passava em Novais.

 Lembro-me que no tempo da rega, tínhamos que subir ao cimo do monte, quase todos os dias. Saíamos de madrugada, para não levarmos com a torreira do sol, o que tornava a subida bem mais penosa. Começávamos a sentir a londa inclinação ali pela casa do Ti Pedro, um dos barbeiros da aldeia. A seguir vinha o Tojal; depois a Côrte do Pereira, e o Ribeiro Côvo. Chagados aí já o nosso corpo fumegava com o vapor da transpiração.

 Seguia-se uma passagem entre umas fragas, antes da tapa, onde a minha avó tivera uma perigosa aventura, uns anos antes, enfrentando dois lobos. Nas primeiras vezes que a acompanhei, aquele lugar era para mim uma espécie de "cabo das Tormentas", pois estava sempre a temer que  aparecessem outa vez os temíveis carnívoros. A seguir vinha a Tapa. Depois passávamos junto da terra que cultivava o Ti Carlos Silva, conhnecido por Carlos Sapateiro, por ser da arte. Subíamos mais um bom pedaço, ladeando o Viveiro, o Penedo Redondo, as poças novas, até chegarmos, enfim ao batatal da minha avó.

 Mas o que mais me ficou na memória, foram aquelas flores com as cores mais variadas que iam aparecendo ao longo do nosso caminho, que as borboletas ainda mais enriqueciam com o seu colorido. Havia uma poça de água que mostrava todo o seu fundo feito de pedregulho, areia, e musgo, tal era a transparência da água. Sentados à beira, debaixo da sombra que uns ramos  nos estendiam como por amizade, comíamosa nossa merenda. Olhava então ao longe, a Serra que segura o Pontido e Telões háséculos mostrava-se em toda imensidão, deixando à vista todo o planalto que vai do Castelo ao Minheu. Olhar para toda aquela beleza era esquecer o consaço de caminhada tão longa para uma criança. A Esturrinheira e arredores transformavam-se aos meus olhos num paraíso.

 Hoje, quando descubro a Criança que fui, apetece-me voltar a vestir aquele vestido florido de Xita, e vaguear outra vez montanha acima, sentar-me de novo com a minha avó, comer uma merenda, olhar o horizonte, respirar de alegria, e dizer: Como sou tão feliz!

 

 

 

Deolinda Pires Cunha

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 22:19

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


Created by Watereffect.net
Created by Watereffect.net


Comentários recentes




IMAGENS DA NOSSA TERRA

CLIQUE NA FOTO PARA ACEDER À GALERIA DE IMAGENS DE PARADA DE AGUIAR parada em ponto grande para imagem de fundo.

GENTE DA NOSSA TERRA

minha imagem para.jpg


subscrever feeds