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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


RECORDAÇÕES - O Ti Alfredo Azeiteiro

por Francisco Gomes, Sábado, 01.12.12

          

 

De vez em quando, a gente tem reflexos de nostalgia e procura voltar ao passado, relembrando figuras que marcaram a nossa existência.

          Hoje eu quero falar de  uma figura muito marcante na minha vida de rapaz. Foi o Senhor Alfredo Azeiteiro.

          O Ti Alfredo, como lhe chamávamos, marcou muito a minha mocidade, era também uma figura muito importante no cenário da nossa aldeia. Ele tinha o apelido de  azeiteiro, porque negociava com azeite. Lembro dos filhos dele, o Ernesto, o José, a Alice, o Alfredo e o Agostinho, não sei se esqueci algum. O Agostinho ainda vive em Parada, é do meu tempo, quando estive em Parada, batemos um longo papo. O Ti Alfredo Azeiteiro tem  muitos netos, alguns meus amigos e outros que não conheço.

          O Ti Alfredo Azeiteiro tinha muitas cabras e fornecia muito leite para a aldeia. Muitas vezes eu me ajuntava ao seu filho Agostinho, quando ele guardava as cabras e eu guardava as ovelhas da aldeia, (a viseira), na serra da Padrela.

          O Ti Alfredo marcou muito a minha juventude, porque eu ia muitas vezes, com ele, à Terra Quente, buscar azeite. A Terra Quente era conhecida  como os arredores do Concelho de Murça e Mirandela. O Ti Alfredo levava uma  mula e eu uma jumenta. O azeite era transportado em odres, sacos feitos de pele de cabra. Cada odre levava mais ou menos 50 litros. Os animais levavam no lombo uma cangalha, que permitia a mula carregar três odres e a  jumenta dois. A primeira  vez que vi a "Porca de Murça", foi numa destas viagens.

          Lembro-me que certa vez, fomos buscar o azeite a uma aldeia, que não lembro o nome, do Concelho de Mirandela. Chegamos à tardinha. O Ti Alfredo logo acertou a compra do azeite num produtor local. Enchemos os odres, e  ficamos ali até ao dia seguinte, pois só poderíamos viajar de dia e andar por caminhos  fora de estradas e aldeias, para não encontrar a Guarda Republicana, pois o azeite era proibido transportar clandestinamente. Quem fosse  pego carregando azeite, era preso e processado.

          O vendedor do azeite, nos ofereceu um palheiro, onde tinha  muito feno, para a gente dormir. Fomos numa taverna comer uma malga de caldo. Mas faltava a comida para os animais. O Ti Alfredo me disse que já havia encontrado  um local, onde os animais podiam comer a noite toda. Mas só podiam ser levados para lá, depois que escurecesse. Eu fiquei curioso para saber que lugar era esse. Quando já estava escuro, o Ti Alfredo mandou colocar o cabresto na jumenta enquanto ele o colocava na mula. Fomos andando. De repente, chegamos ao portão do Cemitério. Ele meteu a mão por dentro, rodou o ferrolho e o portão abriu-se totalmente. Fomos deixar os animais no meio do cemitério, onde havia bastante pasto.

          O meu corpo tremia de medo, pois naquela época eu tinha pavor de cemitério, não entrava nem de dia, quanto mais de noite.

          De madrugada, quando ainda estava escuro, lá fomos nós de cabresto na mão buscar os animais. Quando abriu o portão, não se viam. Começamos a andar por cima daquelas sepulturas, até que fomos encontrar  os  bichos deitados num canto do cemitério. Eu fiquei com tanto medo que cheguei a sujar as calças.

          Quando o Senhor Pedreira passou a dar comida na escola, o pão vinha de Vila Pouca numa bicicleta, o leite era fornecido pelo Ti Alfredo, era um bule grande, que levava cinco litros. O café era feito pela Senhora Luisa Moreira, era aquele café de Cevada. Um dia a Senhora Luisa Moreira, pediu-me para ir a casa do Ti Alfredo buscar o leite. O bule já estava cheio em cima da mesa. O Ti Alfredo me chamou, deu-me uma malga de leite quentinho, tirado na hora. Disse-me: Toma para ficares forte. Eu tomei. Levei o bule para a escola, mas o resto do dia eu fiquei de "caganeira".

          Relembrando figuras como o Ti Alfredo, é que dou valor à nossa Associação o Prazer da Memória, que se preocupa em relembrar estas figuras, para que não venham  a cair no esquecimento. No entanto, existem pessoas que querem trocar estes vultos da história da aldeia, pelos "Parratas".

 

        “Deus! Perdoai-lhes, pois não sabem o que  fazem"

 

 

Abraços e Saudações  a todos os  Paradenses.

 

Agostinho Gomes Ribeiro   

 

 

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às 17:58
editado por cunha ribeiro às 21:54

O meu Tio, Manuel Geraldo

por cunha ribeiro, Sábado, 01.12.12

 

 Se alguma pessoa existiu em Parada do Corgo, engraçada, com um humor capaz de me levar às lágrimas, ou ao espasmo do riso, essa pessoa foi o GERALDO, meu tio.

Uma pessoa de fora, o marido da Tia Laurinda Rita, de visita aos meus pais, conheceu-lhe as pilhérias em minha casa, onde vinham de vez em quando. Um dia, ouvi-lhe dizer:  “Este homem se tivesse nascido em Lisboa ou no Porto, com alguma sorte à mistura, podia ter sido um artista ...”

Concordei intimamente com a perspicácia daquele senhor.

O meu tio Geraldo tinha, de facto, saídas de génio. Daquelas que " atacam de riso" a pessoa mais séria.

Eis uma delas: sempre que ia lá a casa, procurava chegar antes ou depois do terço, pois gostava pouco da reza.  Recordo uma vez, vê-lo começar a abrir a porta que dava para a nossa cozinha, e mal nos ouviu responder ao “pai nosso”, puxou-a de novo pra si. Porém, logo a voltou a abrir, pois percebeu que o tínhamos visto. Sentou-se no escano a rezar como nós, mas antes da santíssima trindade já bocejava.

Terminado o terço, talvez irritado por não ter podido escapar ao “sacrifício”, encheu-se de razão, desembuxando o seguinte:

" Ora vejam bem se isto se faz... está quase todo mundo a dormir... Deus quer isto? Acho que não. Ó Madrinha, jonga os santos, porra! Porque raio num se jonguem os santos! Estamos pr`aqui a rezar a um santo de cada vez... Eles são mais  qu`as mães... vamos a meio, está tudo a dormir, pois está! Num seria melhor rezar a todos ó mesmo tempo?".

E assim terminava o reparo. Claro... Com gargalhada geral. ( Até a Madrinha sorria, percebendo que era pilhéria...).

Mas o que fazia rir, no Geraldo, não era apenas a palavra dita onde ninguém a supunha; era, sobretudo, a sua peculiar irreverência, aquela atitude iconoclasta de quem não está para tratar melhor o general do que o soldado. Para o Geraldo, meu tio, todo o mundo  era soldado raso, como ele próprio. E quem ele supunha que se estava a promover a “general”, levava por tabela.

E por falar em irreverência iconoclasta, aqui fica uma expressão que ele usava sempre que lhe apetecia reduzir os "maiorais" à sua insignificância: 

" Doutores e  políticos?" - Dizia com ar de desprezo - " subo por eles acima, e cago por eles abaixo!".

 

FCR

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às 01:28

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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