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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


ENIGMA - II

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 06.12.12

Soutelo

Em que aldeia da freguesia de Soutelo de Aguiar foi feita vesta fotografia?

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às 21:30

OS PARRATAS

por Francisco Gomes, Quinta-feira, 06.12.12

         A nossa Língua Portuguesa é formada  por "Palavras Eruditas, Palavras de Importação, Palavras de Formação Popular".

          As Palavras Eruditas são aquelas que vieram diretamente do Latim, pois a Língua Portuguesa é uma Língua Neo Latina. As palavras de Importação são a influência de Línguas Estrangeiras no nosso Idioma. (Por exemplo: A Língua Portuguesa tem muita influência Árabe). As Palavras de Formação Popular, são aquelas  formadas pelo povo, tais como "ditados populares, gírias, anedotas etc.". Hoje encontramos muita dificuldade em escrever, porque tiraram o Latim do Curriculum Escolar. As palavras de uso popular, com o tempo, acabam passando para os Dicionários e passam a fazer parte do Idioma.

          A palavra Parrata, com certeza, é uma palavra de formação popular, é uma palavra nova e regional, pois não aparece em nenhum dicionário, e nem o Google,  " O Pai dos Burros" tem qualquer informação. Procurei no Lelo, no Aurélio, na Enciclopédia Barsa e no dicionário Bíblico, em nenhum, encontrei a palavra "Parrata".

          Nos meus tempos de rapaz, nunca escutei  essa palavra. A primeira vez que escutei essa palavra, foi na festa de São Pedro de 2008. Um homem que não conhecia chamou o meu primo João Freitas de "Parrata". O meu primo ficou "bravo", disse que tinha mulher e filhos. Diante da reação do meu primo, eu pensei que Parrata queria dizer 'Homossexual". Depois alguém me explicou que queria dizer "solteirão", só não sei se também se aplica às solteironas.

          No Dicionário da Barça, encontrei a palavra " parratinha", um pássaro que não faz ninho, coloca seus ovos no ninho de outras aves. Eu identifiquei como sendo a Cuco. No Dicionário Bíblico, encontrei a palavra "Parrato", uma espécie de parasita que ataca a plantação.

          Se Parrata é um solteirão, isto é, não produziu uma família, qualquer definição dos dicionários que consultei, tem alguma identificação, basta que seja analisado com cuidado.

          O que me deixa intrigado é a importância que um solteirão tem para uma aldeia, que mereça ser festejado. Mas,  gostos não se discutem.

          O que não podemos é esquecer o passado, pois assim vive-se melhor o presente e prepara-se com mais carinho o futuro.

          

"SALVE A ASSOCIAÇÃO O PRAZER DA MEMÓRIA, E AS LEMBRANÇAS DO NOSSO PASSADO"

 

 Abraços para todos os Paradenses

 Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 20:49
editado por cunha ribeiro a 7/12/12 às 12:36

CONTO DE NATAL ( adaptado de um conto de M. Torga )

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 06.12.12

 

De sacola na mão, o pobre do velho fazia os possíveis para se aproximar da terra que sempre o recebera bem – Parada do Corgo. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir por terras de alta montanha, onde uivam lobos  e se escondem larápios, pior.

 À beira de Murça, para cá do Alto do Pópulo, abordara, pela manhã,  uma casa, numa pequena aldeia encapelada num ermo:

  - Tenha paciência, Deus o guarde, mas hoje não pode ser!

 E vá um desgraçado comer carqueija, ou pedregulho! Por isso, que remédio senão tentar até  Parada, terra onde os ciganos são bem tratados, e os pobres agasalhados, onde  estender a mão à caridade é gesto bem recebido, e ninguém nega uma côdea a um pobre, a meio de uma ave maria. “Sim, porque eu rezo quando bato a qualquer porta. Gostam... Se têm fé na minha oração, isso é outra conversa”. Sei que são as boas acções que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas. Mas que posso eu fazer, sem eira nem beira onde colher uma couve? Enfim...  só dando ao chinelo, na direcção de Parada. E aí chegado,  consigo um lugar quente onde ficar”.

Mas teve mais sorte em algumas aldeias de Jales, e o certo é que, em Cerdeira, já tinha uma boa maquia de comida no saco, que lhe pesava nas costas. Fome já não passaria.

A Serra começou então a inclinar, e o certo é que já lhe custava arrastar as botas. O pobre do Velho vinha derreadinho!

Podia ter ficado em Alfarela. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe na cabeça consoar em manjedoira mais quente. E a verdade é que nem casa nem família o convidaram, e o único conforto que o esperava era o quinteiro de uma alma caridosa lá de Parada, sempre escancarado à pobreza.

O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se muito cansado. Oitenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se entre Alfarela e Cerdeira. Dera uma volta aos lugarejos,  a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta passava das quatro. E, como anoitecia cedo não havia outro remédio senão ir agora “a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade”, com o coração a arfar. Aflito, batia-lhe na parede do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa de pouca monta. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está habituado a quantas desgraças a sorte quer. E Ele então, se fosse a queixar-se! Cada partida do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não adiantava nada! Chamavam-lhe filósofo... Importava-se lá.

E não é que a desgraçada da neve começou a cair como farinha! Sim senhor, ia ser o bonito! Felizmente que a Sra do Extremo estava por perto. Se o mosquedo branco continuasse a cair, olha, dormia lá! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Parada...

Apressou o passo, e foi rompendo a chuva branca de pétalas. Rico panorama!

Com a neve colada às botas e “branco como um moleiro”, meia hora depois chegou ao adro da capela do Extremo. À volta, no chão, tudo já branqueara. As fragas pareciam ovelhas geladas.

Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava só encostada. Ou esquecimento, ou algum pecador  forçara a porta.

Vá lá! Do mal, o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida... Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O pior era descobrir lenha.

Saiu, apanhou um braçado de giestas, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de querer mostrar-se um pouquinho, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes sem qualquer sucesso. “Mau! Gastar os fósforos todos é que não”.

Num começo de angústia, porque o ar da montanha cortava e escurecia, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava algum papel.

Descobriu um jornal a forrar o gavetão onde o sr prior guardava a sobrepeliz, e já mais sossegado, agradecido ao céu por aquela ajuda, olhou o altar.

Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, Nossa Sra parecia sorrir-lhe. Boas festas! — desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso é que não! Ia esquartejar o andor. Ora pois! Na altura da romaria que arranjassem um novo.

Daí a pouco, envolvido pela escuridão, o coberto, verdade se diga, desafiava qualquer lareira de aldeia. A madeira seca do arquenho ardia melhor que carqueja seca; só de cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas, crescia água na boca; que mais poderia faltar?

 

Enxuto e quente, o pobre “Filósofo” dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa, uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira dentada, teve um rebate de coração,  e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada, aclarando a capela até às paredes e tecto.

- É servida?

A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.

E o pobre do Velho, diante daquele acolhimento tão cordial, não esteve com meias tintas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.

— Consoamos aqui os três — disse, com a pureza e a ironia de um filósofo. — A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora um pobre e humilde pecador, farei, se me permite, de S. José.

F.C.R.

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às 17:13

Bom Dia

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 06.12.12

 

 

O dia está morrinhento. A chuva é miudinha, aborrecida, e molha devagarinho. A dezanove dias do Natal, recordo a nuvem de sentimentos que me envolveu, naquele mês de Dezembro de 1967, pela primeira vez, em dez anos, longe da minha família.

 Na Régua, para ser mais preciso, em Godim, o ambiente era-me "hostil", nem mesmo as brincadeiras me encantavam. Havia muitos rapazes da minha idade, mas vinham de sítios desconhecidos, eram-me estranhos, sem semelhanças de alma, e isso pesava, sufocava-me a alegria.

 Por isso, a contagem do tempo até ao primeiro dia de férias, começava no dia 1 de Dezembro, diária e ininterruptamente. Aquele dia de libertação em que o Seminário ficaria para trás, e eu, de mala na mão, e às costas,  desceria até à estação da Régua, tardava demais, e fazia crescer dentro de mim, um novelo cerrado de ânsia. Fazia cruzes nas folhas da minha agenda a cada dia escoado. A imagem do comboio do Corgo, ainda a carvão, na Estação Junto ao Douro; o silvo agudo, estridente, a marcar a partida que me levaria a Parada;  o forte abraço, como se abraça após a saudade, da minha família; tudo isso me povoava a alma, e se tornava  fantasmagórico naquelas noites longas pré natalícias.

 E os cânticos, os enfeites, a vivência da primeira metade da quadra  no seminário até à saída de férias, chegavam-me ao coração envoltos num devaneio místico de alegria triste porque adiada. A aguarela de fantasia  ali recreada, era, na minha imaginação, o quadro animado, fantástico, de um mundo só meu, onde encadeavam, numa sequência de filme, um conjunto de imagens avassaladoras:  de malas, comboios, estações, apeadeiros, e calorosos abraços em casa.

 Hoje recordo esse tempo com nostalgia, e lembro essa família que o tempo foi desfazendo, implacável,  e insensível à dor humana da perda e da saudade.

 

FCR

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às 08:32

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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