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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


UMA PORTA ABERTA‏

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.11.15

Na Sexta Feira, 13 de novembro, poucas horas depois dos atentados de Paris, estava tudo ainda muito confuso, não se sabia quantas pessoas haviam morrido e quantas estavam feridas nos locais das tragédias, ninguém sabia quem foram os terroristas e onde estavam. No entanto, já podia ser sentida por todos os lados a solidariedade do povo parisiense. Por todos os lugares se viam afixados nos prédios cartazes comunicando  "Porte ouverte", que significa "Porta aberta". Os moradores da cidade, sabedores de que muitas ruas estavam a ser fechadas, que não havia como os turistas chegarem a seus Hotéis e nem outros moradores chegarem a suas casas, as moradias eram colocadas à disposição, portas eram abertas, para pessoas até desconhecidas. ​Não importava quem era ateu, católico ou muçulmano, a religião não tinha importância, o que estava em jogo era atender aos necessitados, fossem eles quem fossem. Ficou comprovado que qualquer religião leva a Deus, quando nós o amamos na figura do nosso próximo. Sabemos que muitas pessoas carecem de uma religião, não há nada errado em se amparar emocionalmente numa religião. Mas, quanto à sua atitude laica, religião pode ser: solidariedade, boa vontade, amizade, sensibilidade, ternura e comoção, nada disto está relacionado à conversão de uma doutrina. Não precisamos de líderes religiosos, de mártires ou de messias, para sermos caridosos. Pais, Mães, Tios, Avós ou até Professores, geralmente, são pessoas lúcidas, que nos podem dar boas orientações, sem necessariamente serem santos. Toda a religião começa a dar defeito quando, ao invés de ensinar um estilo de vida, envereda para a Política. Se tivermos o cuidado de olhar o "Globo Terrestre", vamos ver que em muitos lugares existem conflitos religiosos, insuflados por grupos radicais políticos. Aqui no Brasil não existe terrorismo e nem atentados terroristas, mas as pessoas morrem em assaltos, balas perdidas, delinquência juvenil e negligência das autoridades. Porém, morrer por divergências religiosas, nos deixa em estado de choque e é uma contradição. Tudo o que se relaciona com o "Divino" nunca deveria ser atrelado à covardia e à brutalidade. Devemos sempre manter a porta aberta para todos aqueles que vivem os valores humanos e não consideram como profanos o prazer e a alegria de viver. Manter a porta aberta para aqueles que respeitam a Deus e não subjugam a vida alheia, vivem os preceitos do respeito e da amizade. Manter a porta aberta para quem pede um copo de água, uma mão acolhedora, um abraço, um sorriso, um sofá para descansar, não discursos, sermões e homilias. As Igrejas são em tese grandes templos onde as portas estão abertas para todos. O atentados de Paris nos mostraram que por trás de cada porta aberta pode estar outro tipo de Igrejas, sem altares, sem imagens e sem dogmas, apenas aquele velho e valorizado amor ao próximo.                                                                         

Deus abençoe a todos                                                                       

Agostinho Gomes Ribeiro

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às 22:12

COMEÇAM AS HISTÓRIAS

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.11.15

Da família Ribeiro, que eu me lembro, a história começa com minha tia, Maria da Glória Lourenço Ribeiro. Ela foi a primeira de quatro irmãos, três mulheres e um homem. Era a único Lourenço, o sobrenome da Mãe, que naquele tempo, só o primeiro filho devia ter. Não conheci o marido dela. Ela morava perto da Capela do Santo. Quando comecei a entender a vida, ela morava com o neto Abílio, ainda solteiro. Lembro do casamento dele com uma filha do Senhor José Machado, a Cândida. Sabia que ela tinha três filhos no Brasil, mas eu não os conhecia. Já me disseram que existiu um quarto, chamado António, mas eu não lembro e nem conheci. Soube que o Abílio era seu neto, filho do Senhor José Ribeiro e da Senhora Deolinda Pires. Soube também o motivo pelo qual o Abílio era criado pela Avó e não pela Mãe. A tia Maria da  Glória era uma mulher alta e forte. Convivi pouco com ela, pois teve um derrame cerebral, ficou paralítica, presa à cama, eu acho que nunca fui visitá-la. Ela faleceu no dia seis de janeiro de 1947, no dia seguinte ao casamento do meu irmão António. Era uma segunda feira estava uma nevada muito grande. Eu tinha 14 anos e fui até Afonsim, pisando neve, para avisar o Padre João, que ficou responsável pela freguesia de Soutelo, na ausência do Padre Paulino. Os filhos dela, eu vim conhecê-los no Brasil. O mais velho, Senhor José Ribeiro, que eu aprendi a chamar de tio. A primeira vez que o vi, fiquei muito impressionado, dada à semelhança dele com meu Pai. Por isso, me agarrei muito com ele. Ele morava na companhia de uma Senhora escura, a Dona Maria, que me recebia como se fosse minha Mãe. Moravam na Rua Babilônia na Tijuca, sempre que os visitava, era recebido com muito carinho. Senti muito a morte da Dona Maria. Por fim o Tio José mandou vir a tia Deolinda, terminou seus dias junto dela.

Outro filho era o João. Convivi muito pouco com ele, não sei o que ele fazia e nem conheci nada dele.

O terceiro filho era o Joaquim. Quando o conheci estava rico e tinha o apelido de “Doutor”. Conheci uma única filha e a esposa, mas nunca estive em casa deles. Eram muito amigos da minha tia Maria Teresa, tudo o que conheço deles me foi narrada por ela. Mas eu lembro ele ir a Portugal, chegou junto ao Santo de carro, a mãe dele veio falar com ele no carro, não foi em sua casa e nem falou com pessoa alguma da aldeia, nem com meu Pai que era tio dele. Ficaram todos dececionados com esse “brasileiro”. A tia Maria Teresa, me contou como ele ficara rico. A única filha era casada com um Coronel, chefe da Casa Militar do Presidente Getúlio Vargas, que governou como Ditador, de 1930 até 1945. Foi deposto e voltou eleito pelo povo em l950. O Coronel, genro do Joaquim, soube no Palácio que o Governo ia mandar arrancar e queimar todos os pés de café do País. Aconselhou o sogro a estocar café em grão, porque o café ia faltar no País. O Joaquim empregou tudo o que tinha no estoque de café. Com isso ficou

rico. Acredito nesta história. Falei com ele duas vezes na casa da minha tia. Achei-o muito “convencido”, nunca fui a casa dele e não convivi com eles. Dos três, só o tio José, eu gostava e visitava. Nunca gostei de visitar casa de granfino. Para mim, quanto mais simples, melhor.

                                  

Deus abençoe a todos

                                

Agostinho Gomes Ribeiro   

 

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às 21:59

NUNCA MAIS

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.11.15

 Desde 1950 até 2008, isto  é, durante 58 anos, estive longe da minha terra, sem ver aquele lugar que me viu nascer. Por isso, quando cheguei ao alto da Silveira, que vi minha aldeia com suas casas brancas, encostada na Serra da Padrela, a brilhar por entre as árvores, foi um momento de muita emoção.  Na medida em que descia para Vila Pouca, fui observando muitas coisas  novas, que nunca tinha visto, mas também senti falta de muitas outras que deixei quando parti, que nunca mais voltarei a vê-las.

 Vi aquelas enormes ventarolas a rodar no alto da serra, a gerar energia para o conforto das pessoas. Vi aquela estrada a descer pela serra e a mergulhar naquele imenso viaduto, que mais parece um “monstro” de concreto. Vi o progresso e o desenvolvimento por todo o Vale de Aguiar.

Porém, procurei mas não achei os campos cultivados como outrora, hoje, aqueles belos campos, são só mato. O Vale de Aguiar que já foi um celeiro, hoje virou pasto de animais. Nunca mais verei um carro de bois e nem escutarei o seu chiado, as pessoas a ceifar o centeio, as segadas, no mês de junho, as malhadas, as desfolhadas, nunca mais verei um canastro cheio de espigas de milho. Nunca mais vi aquelas nascentes de água cristalina a descer pelos regatos, rumo às poças de cima e às poças de baixo, que todas as manhãs eram abertas para regarem os campos cultivados. Nunca mais verei as represas no rio Corgo, onde se tomava banho no verão, de onde motores hidráulicos retiravam água para regar os campos marginais. Nunca mais verei o rio a transbordar, a água a chegar à linha do comboio. Por falar em comboio, nunca mais vamos vê-lo a surgir por de trás das montanhas na Ribeira, ou por de trás de Vila Pouca. Nunca mais vamos escutar seus silvos e nem ver sua fumaça a subir para o Céu. Nunca mais teremos o apeadeiro, para embarcar ou desembarcar, esperar os viajantes, colocar nossas cartas no correio, ou comprar nosso jornal.

 Nunca mais veremos o salgueiro, aquele imenso jardim, nem a serra coberta de pinheiros, nem a Chã de Vales toda plantada de batatas. Nunca mais veremos aqueles rebanhos de ovelhas pretas e brancas, os pastores por cima das fragas, vigiam o rebanho e apreciam a beleza do Vale. Aqueles carros, no seu vai e vem, desde o Covêlo até Vila Pouca. Nunca mais vamos ouvir o sino da Igreja de Soutelo a dobrar, avisando que alguém na freguesia entregou a alma ao Criador, nós retiramos nosso chapéu e rezamos, não importa quem seja, todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai.

 Nunca mais teremos uma feira no Toural, onde bois e porcos eram expostos e negociados. Nunca mais o nosso vale de Aguiar será calmo e pacato, como era antigamente. Nunca mais teremos a Escola de Parada, aquele prédio tão aconchegante, de todos os cantos surgia o saber. Temos um albergue de São Tiago. A mentalidade dos homens encolheu, e querem mostrar ao mundo um tipo de caridade, que por ali nunca existiu.

 

Deus abençoe a todos

 

Agostinho   Gomes  Ribeiro               

 

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às 21:45

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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