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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Seminário

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 01.02.17

- Em minha opinião o miúdo deve estudar.

 Quando lhe perguntavam, a Dona Alcina não hesitava: ou sim, ou não. E ninguém melhor do que ela para emitir opiniões avalisadas. Eram quatro anos a corrigir, a perguntar, a testar.

 Em Parada do Corgo, como em qualquer aldeia do interior, apenas estudavam, depois da primária, alguns afortunados:  filhos de agricultores abastados, de funcionários públicos, ou de comerciantes bem sucedidos.

 Havia, porém, nas famílias de poucas posses, aqueles pais abnegados que  faziam tudo para livrar os filhos da vida dura do campo. Para esses havia uma tábua de salvação - o Seminário. Com o remedeio que lhes dava o cultivo da terra, esses heróis abdicavam da ajuda dos filhos, depois de ouvirem esperançosas referências da professora primária.

 Em Parada do Corgo, houve um grupo de jovens que frequentou o Seminário de Godim. Entre eles, o José António Gomes que quase chegou a sacerdote. Mas, por todo o concelho de Vila Pouca de Aguiar,  vários outros  seminaristas conheceram a educação espartana dos padres espiritanos.

Eu próprio a experimentei.

Depois do êxito no exame da quarta, perguntaram-me em casa:

- Queres ir para o Seminário?

 A resposta foi curta, mas categórica:

- Quero!

Educado, até aí, por duas pessoas de fé, que  iam à missa ao domingo e dias santos de guarda, rezavam o terço todos os dias, e veneravam  o sacerdócio, que havia eu de responder? Ainda tinha presente a alegria estampada no rosto das duas, quando um dia cheguei a casa e lhes disse:

- Tive "Bom" na redacção!

- E foi sobre quê, a redacção?

- Sobre " O que queríamos ser quando fôssemos grandes"...

- E então, que é que escreveste?

- Que queria ser padre.

- É assim mesmo! Fizeste bem!

Chegada a hora de decidir, fui coerente, e meus pais trataram logo de tudo o que recomendara, o sr Reitor, pelo correio:  "Roupa de cama e de vestir pra três meses, calçado e estojo de casa de banho, com o que é necessário, nomeadamente um copo e escova de dentes".

  Numa manhã de Setembro, de sessenta e seis, um fedelho, de nove anos de idade, apanha o comboio prà Régua no apeadeiro de Parada do Corgo. Quisera reter as lágrimas, mas minha mãe, cada vez mais longe de mim, não parava de acenar e chorar. Começava em pranto a minha aventura seminarista.

 A meio da viagem, ainda o abalo da despedida me ocupava o pensamento . Mas Parada do Corgo era já uma visão difusa de casas simples com varandas de pau, caminhos estreitos, canastros, calçadas escorregadias, a sumir-se aos poucos atrás de montes e desfiladeiros.

Depois de Vila Real, a linha era uma torcida estendida no chão. O rio fazia questão de nos acompanhar. Umas vezes mais próximo outras mais afastado, seguia entre penedos, ao fundo de amplos desfiladeiros.

Quase na Régua, uma hora depois,  o Douro afogou a minha imaginação. Aquela planície de água a ondular, junto à cidade, tinha, afinal, o tamanho de um mar! Naquela rede de linhas, de vagões e locomotivas, cabiam, à certa, dezenas de apeadeiros e comboios do corgo!

Atónito, mala em cima das costas, começo a escalada até Godim. A meio da encosta, a Igreja olha-me piedosamente. No alto da torre, tocam os sinos.

Minutos depois, contorno o que parece um cemitério e, depois, a Igreja. Uns metros à frente, um senhor de meia idade recebe-me, com simpatia, junto ao portão da entrada. Cumprimenta-me, encaminha-me até ao cimo da escada , e entrega-me a dois seminaristas um pouco mais velhos que eu. Dizem-me que são colegas do segundo ano.  Estão ali, felizes e importantes, a desempenhar o papel de anfitriões:

- Como te chamas?

Disse-lhes o nome, enquanto lhes admirava a desenvoltura com que exerciam o "cargo".

- Por aqui, vamos levar a mala ao dormitório, depois tiras tudo e arrumas no guarda fatos. A seguir, desces até ao recreio.  Nós voltamos para ajudar outros colegas que estão a chegar..

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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às 21:57

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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