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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Chamo-me Abril, Vinte e Cinco de Abril

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 26.04.18

 

Olá! O meu nome é Abril, Vinte e Cinco de Abril.
Nasci em Lisboa, de madrugada, corria o ano de 1974. Meu pai - especula-se - terá sido oficial do exército. É só o que sei sobre ele. 
Na escola, para me chatearem, diziam que meu pai era um velho com um olho de vidro; outros, que era um tipo desatinado que chefiava o COPCON. Se fosse hoje acusava-os de bullying.
Minha mãe chamava-se “Guerra” – a Dona Guerra do Ultramar, já falecida.
Nasci no sururu de uma “revolta” de meu pai com minha” mãe”. Meu pai queixava-se muito dela. Dizia que era má ... muito má... traidora ... e até assassina! Mas ela não se ficava e respondia-lhe à letra, ameaçava, agredia e matava.
Enfim, como podem imaginar, havia, por causa destes desentendimentos, muita violência doméstica. Às vezes, meu pai perseguia e tentava matar quem minha mãe defendia, outras vezes sucedia o contrário.
A páginas tantas, meu pai, farto de a aturar, passou das vias de facto às de Direito e pediu o divórcio.
Não foi, por assim dizer violento, o divórcio dos meus progenitores. Nem sequer houve sangue. A prova é que, meu pai, num momento em que a paixão e o ódio se abraçaram, deu uma “cambalhota” com a minha mãe e gerou-me. Nasci, pois, como um raio no meio da tempestade.
O certo é que, mal vim ao mundo - repito, era de madrugada, e era 25 de abril - muita gente saiu à rua a aplaudir meu pai, por me ter gerado, cantando a Vila Morena.
Entretanto, já no poder, meu pai foi chamando os camaradas do Ultramar. Regressaram, felizes, no primeiro avião, abandonado o povo à sua sorte e ao mau feitio de minha mãe, que, depois de livre e independente, se deixou seduzir por um guerrilheiro muito moreno, de olhos pretos, chamado Savimbi, com quem casou.
Infiel aos homens, mas fiel a si própria, começou a traí-lo às terças, quintas e sábados com o chefe de um partido rival. Savimbi veio a falecer, cercado pelas tropas fieis ao amante de sua mulher - minha mãe.
Antes de ela morrer, o marido e o amante de minha mãe tentaram viver em paz, assinando um acordo, em Alvor, junto à praia, com outros intervenientes, como Mário Soares, que aproveitou a estadia para comprar residência de férias no Vau, por cima da praia dos "alemães".
Por cá, os anteriores amantes de minha mãe foram tendo uma vida complicada. Mudaram de nome, passando a chamar-se MFA. Estiveram no poder algum tempo, mas não se entendiam uns com os outros, nem com alguns civis que queriam o poder. Andaram para arranjar sarilhos, até que alguém, com juizo, chamado Eanes, segurou aquilo. 
A certa altura, meu pai viu-se sem qualquer poder e, com o desgosto, pôs fim à vida. 
Começou então uma dinastia, a primeira depois do 25 de Abril. O seu fundador foi um senhor proeminte, na televisão, na política, e ... nas bochechas. Muito prestigiado no estrangeiro, onde o tratavam como um verdadeiro príncipe de Portugal. Devemos-lhe a democracia, mas também, e por várias vezes, a agonia, ou bancarrota.
Mas voltando a mim próprio, “25 de Abril”, devo dizer que, depois de ter sido gerado, não tive a vida fácil. Eanes, que ainda hoje venero, salvou-me de uns traidores que andavam por aí disfarçados de democratas.
Sobrevivi. Dei liberdade ao povo. Aliás, de tudo o que dei, essa continua a ser a minha grande dádiva (talvez a única). O pior é que muitos abusaram dela. E hoje há muita gente que a não sabe usar como deve.
Também abri os cofres do Estado com boas intenções: dar saúde e instrução gratuitas a toda a gente. Mesmo aos que podiam pagá-las. Acho que foi um dos muitos momentos em que confundi igualdade com democracia. Isto é: tratei de igual forma quem devia tratar desigualmente.
Este foi sempre um dos meus piores erros. Só nos impostos é que eu não consigo tratar todos da mesma maneira: sacrifico os mais pobres e protejo os mais ricos. Confesso que não é isso que eu quero à partida, mas acaba por ser sempre isso que acontece.
Uma das minhas piores características é encarnar os meus ideais democratas em governantes não democratas. Tem-me acontecido muito nos últimos tempos. É caso para dizer que a minha democracia se tem transformado em diversas e insuspeitadas “cracias” que têm sido más para o país.
Uma das últimas variantes foi a plutocracia socrática. Foi assim: fiz-me de simpático, ativo e bem falante, e endividei o país roendo-lhe a carne e o osso. Sendo que muita da carne - a febra - ficou para mim.
Mas eu sou o 25 de Abril, dei liberdade aos portugueses, e o resto é conversa.

Geraldo de Sá

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às 17:21

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