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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Opiniões, Cátia Pinto

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 20.08.09

 

 

RUA, OU CAMINHO DE CABRAS?
 
A minha ligação ao concelho de Vila Pouca está na sequência natural do feliz enlace de duas famílias: uma de fontes (terra do meu pai); e outra de Parada de Aguiar ( onde nasceu minha mãe).
Decidiram  os dois fixar residência em Parada. Por isso é em Parada que eu passo os meus períodos de férias com eles.
Eles foram emigrantes em França. Mas, por quererem conviver com os filhos, vão dividindo os seus dias entre França e Portugal, mais concretamente, Parada, terra onde têm investido muito  do seu dinheiro, com evidente  prazer.
E eu, que vivo e trabalho em Paris, onde exerço advocacia, gosto da terra dos meus pais tanto, ou mais, do que eles. Ao ponto de eu própria nela pensar investir.
Investir em Parada, convenhamos que é uma opção sentimental ou mesmo romântica, e, portando, mais vinda do coração do que da fria razão.
Mas se Parada vier a ser, como deve, uma aldeia onde as obras de requalificação ( dos espaços comuns, como ruas, largos, fontes, ou prédios) sejam decididas com os critérios da igualdade de interesses (dos cidadãos) e da prioridade temporal e espacial ( das obras) bem definidos, então qualquer investimento que eu faça, será mais reconfortante para mim que o faço, e mais valioso para toda a comunidade, onde ele se insere. Saindo, assim, a lucrar toda a gente.
Dir-me-ão: Mas os interesses são múltiplos e inconciliáveis. E é difícil, ou mesmo impossível, satisfazer toda a gente.
Eu até nem discordo desta objecção. Só que ela é demasiado simplista. É preciso analisá-la e explicá-la melhor.
Assim, se os critérios que enunciei atrás ( da igualdade e da prioridade) forem tratados com bom senso e responsabilidade, as pessoas saberão entender, e saberão esperar.
Mas para isso, as decisões que se tomam para fazer uma obra comunitária ( aqui ou acolá, para requalificar uma rua ou um largo num sítio primeiro que noutro,  para construir um jardim de infância,  antes, e um polidesportivo, depois, ou vice-versa) têm de ser decisões tomadas sensatamente, equilibradamente, numa palavra ,“democraticamente”.
E “democraticamente” como?
Consultando o povo, obviamente. E se mais de cinquenta por cento ( do povo) achar que se deve calcetar primeiro a rua A, que fica ao pé da casa de B, em vez da rua C que fica junto da casa de D, calcete-se a rua A , mesmo que o Sr D seja considerado “uma pessoa socialmente influente”!
E tudo isto com a maior das transparências, sem pressões daqui e dali, com voto secreto e universal.
Se assim se tivesse  procedido até agora, talvez o “pequeno pedaço” de rua, em Parada, em frente à casa dos meus pais, estivesse, neste momento, melhor calcetado, e não parecesse um daqueles caminhos à moda antiga, onde tropeçar num pedregulho desnivelado era “o pão nosso de cada dia”, de quem levava vacas ou cabras até ao cimo do monte.
Só espero é que quando, um dia destes, trouxer a Parada os meus/minhas colegas de trabalho e amigos não venham tentar perceber o critério que fixou o fim duma rua bem calcetada e o princípio de outra ( junto da casa dos meus pais) que parece um caminho de cabras.
É que eu mesmo que queira, não lhes saberei explicar.
 
CATIA PINTO
 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 19:04

2 comentários

De http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/ a 20.08.2009 às 19:25

È das regiões mais bonita do país.
Parada, Baltar, Sousa,...

http://bacharelsocrates.blogs.sapo.pt/

De cunha ribeiro a 20.08.2009 às 19:45

Julgo que o meu amigo se enganou na localização geográfica de PARADA DE AGUIAR

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