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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


O CONCELHO DE AGUIAR ( Num excelente texto de Maria de Portugal)

por cunha ribeiro, Sábado, 12.12.09

 

Vila Pouca de Aguiar é uma vila portuguesa no Distrito de Vila Real, Região Norte e subregião do Alto Trás-os-Montes, com cerca de 3 500 habitantes.

É sede de um município com 432,68 km² de área e 14 998 habitantes (2001), subdividido em 18 freguesias. O município é limitado a norte por Chaves, a leste por Valpaços e Murça, a sul por Alijó, Sabrosa e Vila Real, a oeste por Ribeira de Pena e a noroeste por Boticas.

História

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Conhecidas nos primórdios da nacionalidade como as terras de Aguiar de Pena, nome tirado do velho castelo roqueiro com a mesma designação, ou seja da Pena, assente num penedo colossal que seria uma das referências da região, com o nome de Aguiar adivinha-lhe do facto de ser um povoado de águias. Delimitada a norte pela terra de Chaves e Montenegro, a leste e sul pela terra de Panóias e a ocidente pelas terras de Bastos. A ocupação humana deste território, remonta à época megalítica, muito anterior à ocupação romana, como testemunham as várias, antas, mamoas, sepulturas e o espólio arqueológico encontrado em vários locais, principalmente na serra do Alvão. Nos finais do século III a.C. começa a colonização romana do território actualmente português. Posteriormente e até à fundação do reino de Portugal, este território foi sucessivamente ocupado por Suevos, Visigodos e Muçulmanos. Após a criação do Reino, é atribuído o primeiro foral à Terra de Aguiar de Pena pelo Rei D. Sancho I, em 1206. Em meados do século XIX as reformas administrativas efectuadas ao nível autárquico, deram a actual configuração ao município.


Património histórico e cultural

Antas da Serra do Alvão

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As Antas da Serra do Alvão (freguesia da Lixa do Alvão), estão classificadas como Monumento Nacional desde 1910, erguem-se numa planície junto ao Rio Torno, nas proximidades de Soutelo de Aguiar.

Escavada ainda no final do século XIX pelos sacerdotes e grandes estudiosos da região de Vila Pouca de Aguiar, José Rafael Rodrigues e José Brenha, esta necrópole megalítica seria originalmente constituída por um conjunto de dez monumentos, cinco dos quais foram destruídos, muito provavelmente na sequência dos trabalhos agrícolas desenvolvidos ao longo dos tempos nos terrenos particularmente férteis onde se encontram implantados, assim como das constantes violações às quais foi sujeita parte substancial dos exemplares arqueológicos desta região transmontana e, muito especialmente, os exemplares desta tipologia arqueológica.

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Também conhecida por "Chã das Arcas", a primeira anta deste conjunto apresenta uma mamoa - tumulus - edificada com terra e pedra miúda, cujas dimensões a transformam num dos monumentos megalíticos mais impressionantes do concelho. Consegue ainda manter in situ três dos grandes esteios graníticos que comporiam originalmente a câmara sepulcral, bem como a correspondente pedra da cabeceira, à semelhança, aliás, da segunda anta (exceptuando o último elemento pétreo), apartada daquela por cerca de vinte metros para Ocidente.

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Mamoa doAlto do Cotgorino

Quanto ao terceiro exemplar desta necrópole megalítica, parece ser apenas possível percepcionar a mamoa primitiva, de cuja câmara sepulcral não se identificaram ainda quaisquer elementos estruturais, o mesmo sucedendo, ademais, com o quarto espécime, identificado pela cota mais elevada do terreno.

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Finalmente, o quinto monumento deste conjunto funerário parece ser aquele que se encontra em melhores condições de conservação, apresentando, quer três dos blocos que formariam de início a câmara sepulcral, quer múltiplos vestígios do corredor que atingiria um comprimento de aproximadamente dois metros e uma largura de metro e meio.

Quanto aos artefactos recolhidos no local, dever-se-á relembrar que o conhecido espólio do Alvão, composto de várias dezenas de placas gravadas, fragmentos cerâmicos, machados executados em pedra, pontas de seta e contas de colar, entre outros elementos, procede, precisamente, deste arqueossítio, a revelar, no fundo, a sua relevância para um melhor entendimento deste período do Noroeste peninsular.

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Albufeira do Alvão


Castelo de Aguiar

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O Castelo de Aguiar (freguesia de Telões), singular conjugação da natureza com o engenho humano, está localizado nos contrafortes da Serra do Alvão, junto da aldeia do Castelo, na freguesia de Telões está classificado como Monumento Nacional desde 26 de Fevereiro de 1982.

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Na zona abundam gigantescos blocos graníticos. O Castelo, isolado e inexpugnável, como um ninho de águias, dominando o vale fértil de Aguiar e as serras vizinhas, está apoiado no mais elevado deles. Com o desenvolvimento das vilas e cidades, no fim da Idade Média, a estabilização de fronteiras e as múltiplas reformas administrativas e políticas, o Castelo de Aguiar, como muitas outras fortalezas isoladas, perdeu importância. A passagem do tempo e a erosão foram-no degradando, até chegar ao estado ruinoso em que hoje se encontra apesar mesmo da sua classificação.


Pelourinho de Alfarela de Jales

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O Pelourinho de Alfarela de Jales (freguesia de Alfarela de Jales, lugar de Alfarela de Jales), datado do século XVI este elemento está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1933.

O primeiro dos quatro degraus do pelourinho está bastante enterrado no pavimento. Todos são de forma quadrada com pouca altura e de aparelho ligeiro. A Plataforma com a altura de oitenta centímetros tem forma de plinto quadrado e possui na base, mais encorpamento. Na parte superior existe um bordo saliente, boleado. Neste elemento pousa o fuste cilíndrico monolítico com a altura de dois metros e vinte centímetros e o diâmetro de trinta centímetros. No topo pousa um ligeiro capitel saliente, liso, seguido de um rebordo mais encorpado e boleado. O remate é composto por um tabuleiro quadrangular que num dos lados tem um escudo das armas de Portugal encimado por uma coroa aberta. Por peça terminal existe elemento cilíndrico com base de maior diâmetro e com o topo saliente e boleado onde pousa uma pirâmide circular.

No ano de 1953 o pelourinho foi deslocado para sul a fim de dar lugar a um fontanário.


Estátua–Estela de Jales

Estátua – Estela (freguesia da Vreia de Jales, lugar de Barrela), Escultura em granito, de forma antropomórfica, está em processo de classificação desde 1997. Tem 2.30 metros de altura, e encontra-se ainda no que se presume ser a sua implantação original. Situa-se ao lado da via romana que segue para o campo mineiro de Jales e Trêsminas. A cronologia destas estátuas-estelas é, genericamente, atribuída ao bronze final/idade do ferro, se bem que esta poderá talvez ser mais tardia, podendo mesmo ser de época romana. A Mamoa do Alto do Catorino (freguesia da Lixa do Alvão), é um dos maiores monumentos megalíticos do concelho de Vila Pouca de Aguiar, e talvez aquele que se encontra em melhor estado de conservação, está classificado como Imóvel de Interesse Público desde 1990.


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Lobo de uma alcateia de sete elementos

Cidadelhe

Recinto fortificado de Cidadelhe (freguesia da Vila Pouca de Aguiar, lugar de Cidadelhe), classificado como Imóvel de Interesse Público em 1990, ergue-se no topo de um pequeno cabeço da Serra do Alvão, sobranceiro ao Rio Avelames, ao vale de Vila Pouca de Aguiar e à própria aldeia de Cidadelhe.

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Cidadelhe de Aguiar


Estudos de Caracterização do Território Municipal Estrutura e Dinâmicas Urbanas conquanto destituído das condições naturais de defesa essenciais a uma comunidade humana que aí se instalasse. Terá sido, na verdade, esta última condição a ditar a construção de uma única linha de muralha bem aparelhada, a maior parte da qual bastante derrubada na actualidade, e que chegaria, nalguns troços, a atingir cerca de dois metros de altura.

A zona intermuralhas, de forma relativamente elíptica, apresenta múltiplos afloramentos graníticos de reduzidas dimensões, não tendo sido encontrados, até ao momento, quaisquer vestígios indicadores de uma provável existência de estruturas de carácter doméstico, como seria, certamente, de esperar num povoado fortificado da Idade do Ferro, como este.


Minas Romanas de Tresminas

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Casa de xisto de Tresminas

Complexo Mineiro de Tresminas (freguesia de Tresminas), neste importante centro mineiro classificado como Imóvel de Interesse Público em 1997, segundo um investigador espanhol, já eram explorados metais nos fins do Neolítico e sobretudo na idade do bronze e do ferro. Mas é sobretudo a romanização que marca profundamente a actividade mineira neste local. A exploração que os romanos levaram a efeito em Tresminas, pela sua importância e duração, fez com que os vestígios deixados se revistam de grande importância, não só do ponto de vista do conhecimento da estadia romana por terras lusas, mas também da compreensão dos seus métodos de exploração e tratamento metalúrgico.

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Minas romanas de Tresminas

As minas romanas de extracção a céu aberto, foram provavelmente já durante o reinado de Augusto (27 aC, 14 dC), que iniciaram a exploração sistemática deste complexo, tendo-se prolongado até à segunda metade do século II dC. Sendo o domínio imperial e fiscal, o distrito mineiro estava sob a orientação estatal directa. Ainda não são conhecidos os limites exactos da povoação mineira de Tresminas. Depois de algumas prospecções efectuadas, pressupõe-se a existência de determinadas construções, nomeadamente, edifícios administrativos, casernas, balneários, complexos industriais, armazéns, silos, mercados, lojas, casas de habitação, templos e santuários. A exploração mineira em Tresminas realizava-se essencialmente pelo desmonte a céu aberto, sendo disso resultado os desfiladeiros que são as cortas (ou lagos) de Covas e Ribeirinha. Numa terceira Corta existente, a dos Lagoínhos, não estudada, a exploração era subterrânea. Esta Corta resulta do aluimento de uma grande extensão daquela que seria a galeria principal de uma complicado conjunto de galerias.

Em jeito de curiosidade um Engenheiro de Minas Inglês, calculou que 2000 trabalhadores operando diariamente levariam 200 anos a fazer estes desmontes, sendo necessário remover pelo menos 5.800.000 m3.

Na Corta ou Lago de Covas, foram reconhecidas várias galerias que terão sido utilizadas, uma para o escoamento de aterros e águas, outra como oficinas de tratamento minério. Nas imediações das grandes covas, terá existido uma grande povoação, e foram descobertos vestígios da eventual existência de um anfiteatro e uma necrópole.

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Parque Arqueológico de Tresminas

Cerca de 300 m a sudeste da corta de Covas encontra-se uma estrutura do tipo muro de terra batida, em parte nivelada e deformada por trabalhos agrícolas. Não se trata certamente de um muro defensivo derrubado de uma fortificação mas, muito provavelmente , de restos da fundação para a cave de um pequeno anfiteatro.

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Sepulturas Medievais

Por volta de 1937, quando se efectuavam trabalhos de construção rodoviária, foram encontrados, em local não especificamente designado, três pedras sepulcrais e um número indefinido de sepulturas de cremação. Em 1986 foi possível localizar os pontos achados das mencionadas estelas bem como, de uma outra pedra sepulcral, desenterrada por um arado a norte da zona mineira. Parece que a necrópole se estendia pelos dois lados da estrada sobre um talude que descai em direcção a Oeste. A sua extensão é ainda desconhecida. Até à data não existem indícios para uma actividade mineira pré-romana em Tresminas, não podendo, no entanto excluir-se à partida tal possibilidade tendo em vista o castro, da idade do ferro, situado cerca de 4km a sudoeste numa curva do Rio Tinhela.

As inscrições encontradas na zona de Tresminas formam a estrutura para a cronologia da exploração mineira romana. O povoamento do local, ou seja, a exploração mineira sistemática deverá ter tido início, o mais tardar, sob o governo de Tiberius.

O estacionamento de militares em Tresminas, além de soldados da sétima legião está comprovada a estadia de secções da cohors I Gallica equitata civium romanorum, reflecte sem dúvida, um ponto alto das actividades na primeira metade do século II. Aponta também para o status legal da mina como domínio imperial, ou seja, propriedade fiscal. É altamente provável que o distrito de Tresminas tivesse estado ligado ao de Jales formando uma unidade administrativa, territorium metallorum.


Igreja de Santa Eulália

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A Igreja de Santa Eulália (freguesia de Pensalvos, lugar de Pensalvos) encontra-se em processo de classificação desde 2003.

Na obra Portugalie Monumenta Historica, faz-se referência a este templo “De Sancta Eolália de Penzalvos, Gomecius Menendiz Abbas, Johanes Johanis, Martinus Nuniz, Petrus Gunzalvis, Fernandus Manendiz, Jurati Dixerunt quod rex non est patronus”. De estilo Românico, ostenta uma imponente sineira de granito e, na fachada sobressaem ainda as duas cruzes, um geométrico quadrifólio e uma escultura de Santa Eulália, que se pensa ser da autoria da Escola Flamenga.

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No interior do templo, destacam-se a capela-mor, em estilo barroco, e o belíssimo arco cruzeiro, onde ao centro se evidencia a imagem de São Miguel Arcanjo a dominar o dragão, enquanto que do lado direito, sobressaem dois ricos retábulos. Do lado esquerdo do pórtico em arco de volta perfeita, vislumbra-se uma bela imagem “La Pietà”, escultura pungente da dor da mãe com o cadáver do filho sobre os joelhos. São vários os altares que embelezam a igreja, dando-se especial relevo ao das Almas e ao de Nossa Senhora do Rosário. Pensa-se que este último foi mandado erguer pelo Comendador Martins Aguiar, da Casa do Cabo, já que a encimar a porta principal pode ler-se o seguinte: “Levantou esta igreja a toda a roda a su cuidado Sargento-mor Miguel Borges Aguiar (?)”. Este retábulo mariano tem a ornar a imagem, pintados a óleo, os quinze mistérios do Rosário. O tecto, trabalho de fino recorte e valor precioso, são 55 caixotões com variadas pinturas a óleo, emolduradas com os mais diversos temas.

Painéis com motivos emblemáticos, Adão e Eva e o pecado original, motivos hagiológicos, as Santas Virgens e Mártires, os doutores da Igreja (Santo Agostinho segura na mão um coração em chamas). O tecto desta Igreja, com os seus caixotões pintados é de facto um precioso livro pictural com motivos Bíblicos, Cristológicos e Hagiológicos.

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Vila Pouca de Aguiar(*)

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Vila Pouca de Aguiar(**)


Património

Capela da Aldeia de Cidadelhe (altar de talha dourada)

Pelourinho de Vila Pouca de Aguiar

Recinto fortificado de Cidadelha, Muralha

Ponte de Cidadelha ou Ponte de Cidadelha de Aguiar

Museu Municipal de Vila Pouca de Aguiar


As freguesias de Vila Pouca de Aguiar são as seguintes:

Afonsim
Alfarela de Jales
Bornes de Aguiar
Bragado
Capeludos
Gouvães da Serra
Lixa do Alvão
Parada de Monteiros
Pensalvos
Sabroso de Aguiar
Santa Marta da Montanha
Soutelo de Aguiar
Telões
Tresminas
Valoura
Vila Pouca de Aguiar
Vreia de Bornes
Vreia de Jales


Editado por Maria de Portugal

 
 
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Origem toponímica e histórica

Quanto à origem do nome Vila pouca de Aguiar muito se tem escrito, mas, mais hipótese menos hipótese, a certeza permanece obscura, no segredo dos arquivos poeirentos dos arcanhos da história.

O que se sabe, com certeza, é que das paróquias das Terras de Aguiar na Idade Média, séc. XII XIII, constava a paróquia de S Salvador do Jugal, hoje paróquia do Divino Saltador de Vila Pouca de Aguiar. Por ser terra fértil e proporcionar um corredor estratégico entre as cidades de Chaves e Vila Real, logo se tornou sede de Concelho com o nome de Aguiar da Pena, assim designada no foral de D. Manuel, outorgado a 22 6 1515, substituído pelo 2° foral de 6 8 1516. cujo original se encontra na Câmara Municipal de Vila Pouca de Aguiar, traduzido pelo então
Presidente Dr. Antónto Gil em 1993.

Embora nos referidos forais se lhe dê o nome de Aguiar da Pena como Concelho, não consta que o mesmo nome fosse atribuído à sede do mesmo, que, desde tempos incógnitos, mantém o nome de Vila Pouca de Aguiar. Nunca existiu, segundo o estudioso P.e Carvalho (Enciclopédia Portuguesa Brasileira), qualquer lugar com o nome de Aguiar da Pena. Diz o referido estudioso: "Jamais existiu qualquer povoação com este nome; esta designação era puramente a do Concelho".

Então como apareceu o nome de Aguiar da Pena? Explica o mesmo autor que, a sede do Concelho. se chamava Vila Pouca de Aguiar. Vila por ter origem duma antiga "Villa" romana ou seja. uma quinta de gente abastada; Pouca vem da palavra "pauca" do latim que significa pouca, parca, pequena; Aguiar por ser lugar rochoso e inóspito, povoado de muitas águias, "aquila" em latim, que deu aguila em espanhol, e, águia em português.

Sucede que, moravam nestas Terras de Aguiar uns nobres e chibantes cavaleiros, que se sentiram rebaixados na sua prosápia, pelo nome apoucado da terra, e, para desconto de tal humilhação, lhe chamaram. artificialmente, Aguiar da Pena ou da Penha. Aguiar por ser ninho de águias poderosas e altivas, símbolo da sua prosápia e da Pena ou Penha (pedra) por referência ao Castelo de Aguiar, implantado sobre uma grande rocha, ou, talvez, por referência à "Penha Aguda" que ainda hoje se conserva no monte do Facho, a dois passos da Vila, dois penedos esguios e toscos, que lembram duas mãos levantadas, louvando o Criador.

Sobre a origem do actual topónimo Vila Pouca há outras opiniões. Assim, o Abade de Miragaia (Enciclopédia Portuguesa e Brasileira) diz que o nome "Pouca" "de modo nenhum minimiza a terra ou as suas gentes, antes, pelo contrário, as eleva e exalta". Quer com isto afirmar (embora periclitantemente) que, Vila Pouca foi a célebre cidade romana "Cauca", que se sabe ter existido na Península Hispânica, onde teria nascido o imperador Teodósio I o Grande, que reinou pelos anos 392 da nossa era. Deste modo, teríamos o célebre imperador quase português e. o que é mais extraordinário, é que, seria o mais importante cidadão aguiarense "w, ant Ia lettre". Por tal facto, a Câmara de Vila Pouca deu a uma rua o nome do imperador Teodósio I.

Ninguém contesta a localização da cidade "Cauca" nas Espanhas. Há porém outras opiniões que contradizem, com evidência, a do Abade de Miragaia. Os espanhóis pretendem que foi a cidade de Itálica, perto de Sevilha; outros, pretendem que deu origem à Vila de Coura entre Braga e Valença do Minho, que primeiro se chamaria "Cauca", depois Couca e finalmente Coura.

Mas, quem ler o Agiológio lusitano (séc. XVIII) diz o Abade de Miragaia. cuja ideia é perfilhada pelo ilustre escritor aguiarense Sousa Costa, forçosamente se há de inclinar a acreditar que a dita cidade existiu entre as cidades de Chaves e Vila Real de Trás os Montes", sobre Cidadelha de Aguiar, com foral de D. Sancho I de 1224. aldeia hoje pertencente à freguesia de Vila Pouca de Aguiar. O que o ilustre arqueólogo se esqueceu de referir é que, qualquer outra das "Vilas Poucas" espalhadas pelo nosso país tem o direito de ter a mesma origem.

A grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira, e citando o já referido P.e Carvalho, não é da mesma opinião, classificando a opinião do Abade de Miragaia de absurda, quer sobre o ponto de vista histórico, por dela se não fazer referência aquando dos forais das terras limítrofes de S. Salvador do Jugal (Condado, Calvas, Guilhado e Nuzedo), quer sobre o ponto de vista das semelhanças sónicas e gráficas afirmando: "Pouca, nada tem a ver com "Cauca" e isso prova o sem qualquer dúvida, a fonética, por ser impossível tal fenómeno Cauca dar Pouca e, até por ser inexplicável e incompreensível a ligação ao substantivo Vila".

O Dr. Leite de Vasconcelos, escritor competentíssimo na matéria, reconhecendo sem qualquer margem de dúvida que a romanização das Terras de Aguiar é tão evidente que seria absurdo negá lo, (a atestá lo com evidência estão os topónimos da região, as moedas e outros utensílios em uso na época romana, bem como as minas auríferas de Três minas), afirma, sem margem de dúvida, que a origem de "Pouca" vem do adjectivo latino "pauca". Talvez que um argumento forte seja o facto de os romanos classificarem as cidades de grandes, pequenas e médias. Desta feita, teríamos a grande cidade de "Aquae Flaviae" (Chaves); a cidade média, Vila Meã pequeno burgo junto das Pedras Salgadas e, a cidade pequena, Vila Pouca de Aguiar.

Enquanto a questão se não clarifica melhor, deixemos, por grata conveniência, circular a opinião do nosso "amigo" Abade de Miragaia, acolhendo o grande imperador Teodósio I como português e aguiarense, cujo nome está estampado na antiga estrada do Minho.

Teve V. P de Aguiar um Barão, Pedro António Machado Pinto de Sousa que nasceu a 30 17 1772 e morreu a 13 5 1831, algures em Trás os Montes. Por decreto de 1 10 1835, foi agraciado pela Rainha D. Maria II com o título de Barão de V. P de Aguiar, pelos bons serviços prestados à Coroa Real. Porém, por decreto de 2 12 do mesmo ano, isto é, dois meses depois, e, a seu pedido, a mesma soberana rainha, mudou lhe esse título para Conde de Arcossó, pequena freguesia do Concelho de Chaves, junto ao complexo termal de Vidago.

Teve ainda um Conde e uma senhora Condessa. O primeiro foi António Teles de Meneses, 8° Senhor de Unhão, freguesia do Concelho de Felgueiras, pelos serviços prestados ao Reino, como Governador do Brasil e Vice Rei da índia. Veio a morrer como Vice Rei da índia no mês de Julho de 1657. O título havia lhe sido dado por carta de 6 8 1647 e foi depois herdado por D. Joana Maria de Castro, que veio a falecer em 1736 e, com ela, terminou o Condado de Vila Pouca de Aguiar.

A Igreja de Vila Pouca de Aguiar foi comenda rendosa da Ordem de Cristo, dada por D. Filipe II em 15 5 1608 ao seu ministro e escrivão da Casa da índia Luís de Figueiredo Falcão.

In Concelhos do Douro


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às 18:40

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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1 comentário

De Oserrano a 13.12.2009 às 17:34

Que pena, na minha opinião, não dividir toda esta informação em vários textos!
As fotografias fazem falta, como parte motivadora e mais esclarecedora.
Por outro lado, embelezavam!
Mas, muito bem e obrigado.
Tenho mesmo que ir a Três Minas!
Cumprimentos

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