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TIO FIRMINO, MEU PADRINHO (SEGUNDA PARTE)

por Francisco Gomes, Sexta-feira, 30.09.11

 

Quando cheguei à idade do entendimento, o Tio Firmino já estava casado a segunda vez, com a Tia Anunciação, que pertencia à família dos Ricotes, era irmã da Senhora Margarida Ricota, a Mãe do Aprigio. Já eram nascidos os três filhos portugueses, a  mais velha, a Ana, hoje reside em Celorico da Beira, a seguir o Manuel, que hoje reside em Monsanto e o mais novo o António, que hoje reside em Alcanena. Pouco tempo depois, eu lembro da morte da Tia Anunciação. O Tio Firmino ficou novamente viúvo, com três filhos americanos já crescidos e três filhos portugueses, ainda bem pequenos. Lá foi a minha Avó Maria tomar conta da educação de mais estes três netos.

O Tio Firmino era uma pessoa muito marcante e muito querida na aldeia. Era prestativo e entendia de tudo um pouco. Não havia problema com qualquer vizinho, que ele  não ajudasse a procurar uma solução. Amava e respeitava a família. Lembro, um dia que ele foi para nossa casa, para fumar o seu cigarro, de repente, aparece a minha avó, ele correu a esconder o cigarro. Um homem duas vezes viúvo, pai de seis filhos, e não fumava diante de sua Mãe.

Era comum o Tio Firmino, caminhar pela aldeia, com uma maletinha na mão, ia fazer a barba ou cortar o cabelo a homens que já não saiam de casa, por causa da  doença ou da idade. Lembro o Senhor José Moutinho, e o marido da Senhora Jacinta, havia muitos outros que não recordo o nome. Se alguém na aldeia precisasse tomar uma injecção, lá ia o Tio Firmino, com o estojo na mão, onde fervia a seringa e as agulhas.

Foi o primeiro a conseguir uma máquina movida a combustível, para limpar o centeio nas eiras. Quando alguma família fazia a matança dos porcos, lá ia o Tio Firmino com aquelas facas na mão, para sangrar, pelar e esquartejar todo o porco. Era um homem profundamente religioso, nunca faltava à Missa em Soutelo e sempre acompanhado dos filhos mais velhos.

Tinha uma terra na Esculca, ali ele tinha muitas abelhas. Quantas vezes eu ia com ele levar caldo de castanhas, para colocar à entrada das colmeias, em pequenas vasilhas de barro, para alimentar as abelhas e elas não morrerem por causa do longo inverno. Parece que ainda estou a vê-lo, andar no meio das abelhas, para ver se haviam enxames para sair. Muitas vezes eu o vi pegar no chão abelhas-mestras, colocá-las em caixa de fósforos, para depois colocá-las em colmeias que não trabalhavam por que não tinham mestra.

Quando era época de tirar o mel quantas vezes eu ajudava a espremer os favos e fazer bolas de cera. Ele guardava o mel em potes de barro, mas doava  mais do que vendia. Quantas vezes a minha avó trazia um pedaço de pão para molhar no mel e comer. Parece que ainda sinto o gosto desse mel.

Meu Padrinho falava fluentemente o inglês. Quando alguém precisava tratar de documentos para embarcar para o Brasil, lá ia ele ajudar. Os filhos americanos, quando atingiam a maioridade, apresentavam-se à Embaixada Americana, e recebiam passagem de graça para a América. Quando vim para o Brasil, os filhos americanos já estavam todos na América. Quando vim  para o Porto para tratar de meus documentos para vir para o Brasil, ele foi comigo. Na Régua começou a conversar com um turista americano, quando chegamos ao Porto, fez questão de pagar o almoço para a gente. Foi a  última pessoa da minha família, que estava no cais, a acenar para mim.

Hoje ao escrever estas recordações, fiquei muito emocionado.

Abraços para todos..... Até à próxima .......

 

Agostinho  Gomes  Ribeiro

 

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às 08:45

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