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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


António Cândido, Olhar de Fora

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 30.09.11

                                                         

Há muito tempo que estava reservado na minha agenda escrever algumas linhas sobre o João.

O João é aquele que nós conhecemos em Parada por João Brasileiro.

O João nunca foi um vendedor de sonhos, nem muito menos um encantador de serpentes, mas tinha um dom especial de cativar a canalhada do fundo da nossa Aldeia. Mais coisa menos coisa, e já lá vão 50 anos da nossa amizade de quando éramos pequenos. Ele, João, morava com a tia Adelaide Segurelha mais outra tia que era a Senhora Angelina, pelas quais eu tinha muito respeito e alguma vergonha á mistura.

Regularmente fazia visitas ao João lá na casa da Senhora Adelaide, não era preciso chamar ou bater á porta, bastava desandar a argola de ferro da porta do quinteiro, e subir as escadas de pedra até á varanda.

O João estava sempre ao cima das escadas tocando uma pequena concertina que eu muito admirava, e também tocava quando ele estava farto dela.

A razão das minhas visitas à casa onda morava o João, prendia-se exactamente pela paixão que tinha pela concertina, dia após dia lá estava eu frum fumn fum, até que depois de tanto fanfarronar a abandonava a um canto até ao dia seguinte.

Certo dia quando da minha visita da praxe, logo percebi que o João estava triste, vim depois a saber que estava por pouco a sua ida para o Brasil, como eu era muito mais novo, não fazia ideia o que tudo aquilo queria dizer. Chegando a este ponto, já não sabia bem qual era o meu lugar, mas sempre que podia ia fazendo as mesmas visitas pensando ser sempre a última. Finalmente, quando da sua partida para terras de Vera Cruz, o amigo João fez questão de me deixar uma bonita camursina, que eu vestia aos domingos com o peito cheio de vento.

Passaram-se muitos anos até que um dia em pleno mês de Agosto em Parada, me cruzei com o João sem saber que era ele, mas logo reparei que o cara ia falando a língua de lá, pensei logo mais um brasuca que anda perdido, afinal não era nada disso.

A nossa abordagem aconteceu no café da cuscarreira, e logo nos recordamos quem de facto nós éramos, a primeira pergunta que fiz ao João foi logo saber da velha concertina, que ele tinha levado para o Brasil. Por momentos não me respondeu, balbuciou qualquer coisa que não percebi, e só depois me disse que afinal o tal instrumento nunca tinha chegado ao destino.

Fomos conversando disto e daquilo, e então o João me foi contando tintim por tintim a verdadeira história desde o dia que partiu de Parada.

“Olha António Cândido,  quando saí de casa com a concertina a tiracolo, eu ia triste pra caramba, não falava com ninguém, mesmo a tia Adelaide eu nem olhava. Entrei no comboio no apeadeiro, me sentei naquele banco de pau amarruando a cabeça, sem querer saber de nada. Alguns homens me pediam tu aí moço! Toca na concertina! E eu mais fodido ficava.

A viagem até ao Porto não tinha mais fim, nunca toquei na concertina e muito menos falei com alguém. A tia Adelaide já era uma visita muito conhecida dos donos da pensão, onde nós ia-mos dormir naquela noite, e só ao outro dia viajávamos para Lisboa para embarcar rumo ao Brasil.

Os donos da pensão tinham um filho mais ou menos como eu, que não tirava os olhos de mim e da concertina. Gosta dela! Pega aí, que já estou farto dela”.

 Continuando com esta bela história  acerca da concertina, o João foi-me dizendo que sempre sentiu saudade daquela que por vezes encostava o ombro esquecendo as mágoas quando era criança.

Quando o João regressou do Brasil, muitos anos depois, foi de propósito ao Porto para saber o local da tal pensão e tentar encontrar o rasto da velha concertina. Procurou em vão aqui e ali, mas volvidos tantos anos tudo estava diferente desde aquele dia cinzento, que ele conheceu há muitos anos atrás.

Por aqui se vê, que aquela concertina que outrora tocava de mão em mão, é um bom exemplo de como nem tudo na vida é para esquecer. Como cidadão e como alguém que tem por missão ensinar os bons costumes, o João tem sido na prática um cara às direitas, amigo de todos, gostando de partilhar os bons momentos da vida, e ajudar o próximo quando é preciso

Portanto caro amigo João, ou João Brasileiro como te conhecemos, para ti um grande abraço.

 

António Cândido Lisboa.

 

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às 17:34

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1 comentário

De João Ribeiro a 04.10.2011 às 21:08

Meu prezado amigo, António Cândido, você me fez chorar com a lembrança da minha ida para o Brasil, só em pensar que troquei o Paraíso pelo inferno embora que fui ao encontro de minha família, meus pais, irmãos e tios mas realmente me custou muito, mas realmente tudo é passado e o que importa é o presente, quanto a concertina sendo o sonho da minha vida acaba que nunca aprendi a tocar.
mas um dia quem sabe nunca é tarde para aprender!
Mais uma vez muito obrigado pela bela lembrança e um grande abraço a todos
PS.desculpa a demora na resposta mas é que fiquei estes dias sem Net.
João de Parada(Ribeiro)

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