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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Curta metragem

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 19.10.11

 

 Havia Nela o esboço já  perceptível de um sonho: " Saio do meu país, onde não ganho p`rá côdea. Esforço-me, mas ganho dinheiro. Encontro o homem da minha vida. Caso. Construo uma casa bonita. Constituo família. Tenho tudo. Sou feliz. Custa deixar o meu país,  os meus pais, irmãos, e amigos chegados. Mas que posso fazer? Levá-los comigo? Não posso. Levo-os no meu coração. É o que posso fazer".

 Dias depois, partiu. Houve lágrimas. A última, contornou-lhe a curva do queixo, e molhou a face já húmida da sua mãe. O pai ficara triste em casa com medo de expor lá fora a tristeza.

 Chegou de madrugada. Dormira mal. Havia luzes. Milhares de luzes. Estava assustada. Vieram-na buscar, amigas de infância, de taxi. Agora ficou sossegada. 

  No dia seguinte, o primeiro dia num país estranho, numa casa estranha, com um trabalho estranho. Os patrões examinam-na. Observam-na dos pés à cabeça. Falam uma língua incompreensível. Ela ouve, também com os olhos fixos nos gestos deles.

 Passaram dois anos. Já se faz entender e já os entende. Porém, nunca os percebe, ou perceberá, porque jamais os quererá perceber, para além do quotidiano ter de ser. Tudo ali era longe demais da residência da sua alma.

 Aos fins de semana solta a sua alegria no bataclan lá do bairro. Quer encontrar um namorado. Ser feliz.

 Hoje é domingo. Vai ao encontro do seu par de ontem à noite- no Bataclan. Gostou do seu sorriso, da sua voz, da sua serenidade. Pediu-lhe namoro. Ela respondeu, timidamente: "Talvez", e deu-lhe o contacto.

 Ei-los de mão dada. Gosta dele porque é bonito, meigo, bondoso,  tem um ar saudável, e é divertido. Sente que é o estrado que segura o seu presente; aquele que a emancipará do passado, e dará sentido ao futuro. Chora de felicidade.

  Casaram.

  Aqui está uma mãe a dar de mamar ao seu filho mais novo. O outro está prestes a ir para a Escola. Uma mãe carinhosa, protectora, cuidadosa.

  O sonho de uma família unida, solidária, perfeita é agora uma doce realidade. Trabalha com mais vontade que antes, pois vê um destino harmonioso, desejado por todos, comum. Saem juntos ao fim de semana. Vão ao cinema. Ao Parque. Brincam, amam-se, são todos um só.

  Passaram os anos. Cresceu a prole debaixo do queixo terno da mãe, e sob a mão protectora do pai. Porém, foi crescendo também a monotonia, o tédio, o cansaço. Vieram cedências a algumas quimeras. Surgiram as discussões por coisa nenhuma, as zangas frequentes. Instalou-se a discórdia. Cresceu a desilusão.

  Hoje tudo chegou ao fim. Ela vai separar-se. Diz que é ele o culpado. Naturalmente, quem havia de ser...

  Resta-lhe o privilégio de não ficar tão só quanto ele, pois tem a custódia dos filhos.  No fundo, há uma parte de si que continua feliz. E com sorte nunca irá ficar só.

 

CR

 

 

 

 

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às 14:55

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