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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


A Telescola de Fontes

por cunha ribeiro, Quarta-feira, 18.01.12

 

Corria o Ano de 1968. Eusébio fazia-se herói nacional por essa altura. Amália contracenava com ele no palco da fama. O regime fascista estava à beira do fim.

 Em Parada, como em qualquer aldeia do interior, apenas prosseguiam os estudos, depois da primária, um ou dois afortunados. Eram, em geral, filhos de algum agricultor abastado, de um funcionário público, ou de um comerciante bem sucedido.

 Havia aqueles, e aquelas, que pensavam mais nos filhos que neles, e faziam tudo para os livrar da miséria do campo. Para esses havia só uma porta que se entreabria - o Seminário.

 Apenas remediados, com o cultivo de dois ou três campos, e uma parelha de vacas, abdicavam da ajuda dos filhos, depois de ouvirem esperançosas referências da professora primária, que terminavam com um conselho: "Ponha o miudo a estudar".

 Na nossa aldeia, como devem saber, houve um grupo - o José António Gomes, o Abílio Ribeiro, o Francisco Gomes, o Orlando Branco ( julgo que também o Adérito Monteiro )- que frequentou os seminários do Espírito Santo ( Godim, Braga, e Barcelos).

 E houve, alguns anos depois, outro pequeno grupo de  recém saídos da Escola Primária que se  lançou ao caminho, entre Parada e Fontes, a ver se tinham futuro como estudantes. Um era o Francisco Pires ( Chico Ricote), outro  o José Augusto, outro era eu próprio. Talvez o Heitor também fosse, e não me lembro se mais alguém.

 A Telescola, assim se chamava, funcionava no Edifício da Escola Primária de Fontes, durante a semana, logo após a criançada do básico a libertar. De Inverno, saíamos já muito de noite, e, depois de termos feito o percurso a pé até lá,  voltávamos no mesmo "transporte" até casa.

  Fazíamos proximadamente três quilómetros ao longo da linha do Corgo, e, já perto de Fontes, uns metros de estrada, culminando o percurso na longa subida até à escola. À vinda, era o inverso.

O sistema de ensino, diferente do habitual, era muito interessante. Aulas curtas, de pluridocência, isto é, com  professores e professoras diferentes nas várias disciplinas.

 Na sequência de cada aula, tinha lugar um pequeno questionário do professor que estava connosco para testar o feedback da aprendizagem.

Obviamente que, repetidas vezes, não havia feedback nenhum, pois quase ninguém sabia nada de nada. É que nós, em vez de ouvirmos atentamente as "palestras" vindas dos Estúdios da RTP, em Lisboa, olhávamos distraídamente para o penteado, ou para a blusa às bolinhas das professoras ( tão diferente das que vestiam as mulheres da aldeia), ou para a gravata do professor.

 O professor de francês era dono de um vozeirão. Dizia frases muito bem ar-ti-cu-la-das ( como esta: "com-ment tu t`a-ppe-lles?" ). Depois apontava com o dedo, supostamente na nossa direcção, e ordenava: "Répondez-vous, s`il vous plaít".

 Era o respondias.  A coisa era difícil. Estávamos habituados a assuntos mais simples para tratar, como jogar à bola, ao botão, ou ao fito.

 Foi ali que eu fiz o meu primeiro ano de estudos pós Escola Primária. E talvez, por isso, nunca mais deixei de ter os livros perto de mim.

 O meu bem haja, por isso, aos responsáveis pela instalação da Telescola em Fontes de Aguiar, no ano da graça de 1968.

 

 

Francisco Cunha Ribeiro

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às 23:35

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