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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


MÃES MÁS !

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.01.12

 

Um dia, conversava com uma Mãe de quinze filhos, sendo que dos quais, treze viviam e eram felizes. Ela me dizia! Quando meus filhos forem todos crescidos, o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes: Eu os amei  o suficiente para ter lhes perguntado, onde vão, com  quem vão e a que horas regressarão.

          Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo, não era uma boa companhia. Eu os amei  o suficiente para faze-los pagar os rebuçados que apanharam na mercearia, e dizer ao dono: "Nós pegamos estes rebuçados ontem, e queremos pagá-los." Eu os amei o suficiente para ter ficado junto de vocês, em pé, duas horas, aguardando que arrumassem seus quartos, fizessem a limpeza, tarefa que eu faria em quinze minutos.

          Eu os amei o suficiente para os deixar ver as lágrimas nos meus olhos, quando a doença os perturbava, ou iam mal nos estudos. Eu os amei o suficiente para os deixar assumir a responsabilidade por suas ações, mesmo quando as penalidades eram duras que me partiam o coração. Mais do que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso. Essas eram as batalhas mais difíceis. Eu estou contente pois venci, e no final vocês venceram também.

           Qualquer dia, quando meus netos já forem crescidos, o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos, certamente, vão dizer-lhes, quando eles lhes perguntarem, se sua mãe era má? Sim! Nossa mãe era muito má. Era a pior mãe do mundo. As outras crianças comiam doces no café, nós eramos obrigados a comer cereais, ovos e torradas. As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvete no almoço, nós tinhamos que  comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas. Ela nos obrigava a comer reunidos na mesa, bem diferente de outras mães que deixavam seus filhos comerem vendo televisão. Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda a hora. A vida para nós era uma prisão. Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos, e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos com quem íamos sair, mesmo que a demora fosse somente uma hora, ou até menos.

          Nós tinhamos vergonha de admitir, mas ela violou as leis do trabalho infantil. Nós tinhamos que lavar louça, fazer nossas camas, lavar nossas roupas, aprendera a  cozinhar, aspirar o pó do chão e dos sofás, esvaziar o lixo e outros tipos de trabalhos cruéis. Ela nem dormia, passava as noites a  pensar em coisas para nos mandar fazer no dia seguinte.

          Ela insistia sempre conosco para que disséssemos a verdade, apenas a verdade. Ela tinha o dom de adivinhar quando nós estávamos mentindo. Quando éramos adolescentes, ela conseguia até ler os nossos pensamentos. A nossa vida era chata. Ela nem deixava nossos amigos tocarem a buzina, para que nós saíssemos. Tinham que subir,  bater à porta, para ela os conhecer.

          Todos podiam sair  à noite,  com doze ou treze anos, nós, no entanto, tinhamos que esperar pelos dezasseis, por causa da nossa mãe. Nós perdemos inúmeras experiências na adolescência. Mas, nenhum de nós se envolveu com drogas, roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, ninguém foi preso e nem se envolveu e nenhum crime. Tudo por causa dela.

          Agora que somos adultos e independentes, somos honestos, educados e trabalhadores. Estamos a fazer o possível  para sermos "Pais Maus e Mães Más" O Grande mal do mundo é que não há o suficiente de "Mães, Más".

 

Abraços para todos........

 

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 20:49
editado por cunha ribeiro às 22:08

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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2 comentários

De Edma Ribeiro a 27.01.2012 às 10:37

Gostei muito,são simplesmente maravilhosas as suas palavras e, nos comove.
Parabéns
abraços Edma Ribeiro

De cunha ribeiro a 27.01.2012 às 11:21



 É um privilégio ter no nosso Blog um colaborador com a inteligência e SENSIBILIDADE intelectual, cívica e moral do Sr Agostinho Gomes Ribeiro.
Concordo com a Edma: este texto é excepcional. Mais, por ser tão bom, já foi elogiado por várias pessoas por este país além. Uma dessas pessoas, levou-o com ela e pediu ao filho que o lesse...

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