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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


COMO É GOSTOSO RECORDAR‏

por Francisco Gomes, Domingo, 05.02.12

 

Chegou fevereiro, o mês mais curto do ano. (Este ano tem 29 dias). Geralmente é o mês do Carnaval e também do inicio da Quaresma. Tempo de reflexão e de meditação.

            Não sei como se brinca o Carnaval  (Entrudo)  na nossa aldeia, nos dias atuais. No tempo da minha infância, já se brincava muito pouco. Apareciam alguns mascarados, (Caretos), que a gente sabia quem eram, mas  tinhamos pavor deles. Eram geralmente o Senhor Manuel Benedito e o seu filho, José Benedito. Corriam pelas ruas,  vestidos com aquele monte de farrapos. Às vezes, mostravam o  rabo para as pessoas. Brincava-se com água e com cinza. Naquele tempo frio, a gente tomava banho gelado e nem pensava em pneumonia.

            Terminado o Carnaval, vinha a quarta feira de cinzas. As beatas, corriam a Soutelo, receber as "Cinzas" do Pe. Paulino. Com o inicio da Quaresma os rapazes se preparavam para cantar o Terço pelas ruas da aldeia. Começavam na Capela do Santo com o Pai Nosso. Marcavam então dez Ave-Marias, cinco na  rua principal e cinco na rua de tras. Deveriam chegar até à Capela do Fundo, mas como  tinham medo dos fantasmas que diziam aparecer por lá, voltavam da porta dos Rijotos. Cantavam a última Ave-Maria à porta do Senhor José Penato. Encerravam o mistério, com a Salve Rainha, junto à Capela do Santo. Faziam esta  cantoria durante quinze dias, pois o Rosário tem quinze misterios.  Cada noite eles cantavam um mistério.

            Ao cabo de quinze dias, era feita a "Serragem da Vélha". Escolhiam a mulher mais velha da aldeia para "Serrar" No  dia marcado, era feito um testamento das particularidades da "Velha" e deixados para as raparigas mais sapecas da aldeia. Faziam um enorme boneco de palha e farrapos, colocavam numa padiola, cobriam com um pano preto, davam uma volta à aldeia, proclamando o testamento e a  chorar pela "Avó".

            Duas Velhas que foram serradas marcaram muito a minha lembrança. Foi a Tia Angelina Ricota, que morava no Iteiro, e a Tia Cândida Patricia que morava em frente ao Zé Maria, aquele da perna de pau. A Tia Angelina,  quando soube que ia ser serrada, começou a juntar pedras dentro de casa. Quando os rapazes estavam reunidos a chorar pela "Avó", ela e a filha, começaram a atirar-lhe pedras, eles fugiram do local. A Tia Cândida Patricia, alguns dias antes, arranjou um grande Pinico, começou a fazer diariamente suas necessiades. Quando os rapazes estavam reunidos, debaixo de sua varanda, a chorar pela "Avó", ela de cima da varanda, despejou o pinico em cima deles.

          Haviam ainda umas beatas, que altas horas da noite, "Encomendavam" as almas. Aqueles cantos fúnebres, que deixavam a gente com medo. (Quantas almas choram e clamam e dão gritos no inferno, pelas nulas confissões que neste mundo fizeram)

Não sei se ainda existe esta  tradição! Mas me traz muitas saudades

 

Abraços para todos                            

 

Agostinho Gomes Ribeiro

 

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às 21:31
editado por cunha ribeiro às 22:38

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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2 comentários

De cunha ribeiro a 05.02.2012 às 22:39

É caso para dizer: Acabou-se a brincadeira ( de Carnaval, há muito).

De cunha ribeiro a 05.02.2012 às 22:45



 Ouvi falar dessas brincadeiras, mas só me lembro dos caretos, da cinza, e pouco mais.
 Havia uma brincadeira que achava interessante: era o casamento dos e das solteironas. Fazia-se com a ajuda de um FUNIL, para espalhar bem o som. Julgo que era feito desde a Fraga do Outeiro. Numa quadra faziam-se casamentos extraordinários...

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