Created by Watereffect.net Created by Watereffect.net

Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]



BLOGUE PARADA DE AGUIAR - Mais sobre mim


calendário

Abril 2012

D S T Q Q S S
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
2930


página de fãs


Pesquisar

 

Google Maps


Ver mapa maior

PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Amanhã é o 25 de Abril

por cunha ribeiro, Terça-feira, 24.04.12

 

 

Parábola do 25 de Abril

Quando se deu o 25 de Abril de 1974, andava eu entretido a guardar vacas na "Esturrinheira". O meu pai tinha ido à feira dos 25, a Vila Pouca. E a minha mãe, e irmãos, ficaram a fazer o que o meu pai lhes tinha ordenado. (Outros tempos em que a boina se sobrepunha ao avental).

Ao regressar a casa, ouvi dizer que tinha havido um golpe de Estado. Mas, depois de ter ouvido dizer onde o dito ocorrera, fiquei tranquilo, (e o pequeno naco de broa, besuntada de carne de porco, até me assentou melhor, no fundo vazio do estômago).Tinha sido longe da aldeia, lá pra Lisboa, e como a família e amigos estavam todos por cá, fiquei sossegado. (O que na verdade desassossegava a aldeia, não eram os golpes de Estado, eram as sacholadas...).

No dia que antecedeu o 25 de Abril, a rádio, ou dava notícias da guerra do Médio Oriente, ou dava fado e futebol. No dia seguinte, o mundo ficou cercado pelo Movimento das Forças Armadas ao ritmo de Zeca Afonso, Sérgio Godinho, e outros da mesma “onda”. A televisão não sei muito bem o que dava, pois lá em casa ainda não existia esse símbolo pequeno-burguês (refiro-me à época).

Mas o que mais me baralhou foi o número de partidos que se criaram por essa altura:  MRPP, UDP, FECML, PS, PCP, CDS, PPD, e por aí fora. Era à escolha do freguês. A maioria dos jovens dizia que era de esquerda porque era giro e estava na moda. E quanto mais marxista-leninista melhor. Alguns usavam boina à Che Guevara, e - caso a natureza o não tivesse levado – cabelo comprido.

Eu cá fui assistindo àquilo, meio desconfiado, ponderando as razões daquilo tudo, a pensar na essência do espalhafato. Para mim havia ali muita cegueira e pouca racionalidade. Uma fantochada que um dia iria acabar, voltando tudo, ou quase tudo, a ser como antes, quartel general em Abrantes.

E os tais jovens de esquerda eram tão militantes, tão militantes, que se armaram em pintores, borrando o país com foices, martelos, boinas, barbas de Che Guevara, símbolos de dezenas de partidos, alguns completa e radicalmente “partidos”. Mas a foice e o martelo eram decoração omnipresente: faziam parangonas em muros de tribunais, de escolas, de hospitais, ou de fábricas; já os verdadeiros, os que serviam para o trabalho, ganhavam ferrugem ao lado do sacho, e do engaço.

Os estudantes, em vez de estudarem os códigos ou os cartapácios de medicina ou engenharia, liam Marx, Engels, Lenine e Mao Tse Tung nos dias em que, na "república", por mero acaso, não se cantava, bebia ou dançava.

No comboio, os futuros doutores fugiam, ou "batiam" no revisor para viajarem de graça.

De África, de mãos a abanar, foram chegando milhares de retornados. Muitos fumavam, comiam e bebiam e não trabalhavam. E alguns até tinham direito a hotel, onde dormiam e comiam a troco de nada.

E eu e outros, na agricultura, vergando a mola, nos intervalos da Escola.

A Pide, "que era má como as cobras", perdeu o emprego do “espianço”, deixando de chatear marxistas e leninistas que passaram a aproveitar benesses da Rússia imperialista, fazendo de conta que eram pobres ou amigos dos pobres.

Os militares, que mandaram em quase tudo, foram aos poucos perdendo o pio, deixando o poder entregue a gente cada vez mais saudosista.

Hoje temos um país quase sem liberdade, a viver na miséria, e a precisar de mais meia dúzia de " heróis" que voltem a fazer rodar as chaimites.

Para quê?

Para a gaivota poder voltar a voar… .

 

CR

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

às 12:25


Comentários recentes




GENTE DA NOSSA TERRA

minha imagem para.jpg