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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Castanhas da Abelheira

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 23.10.17

Castanhas da Abelheira

 


Levito nas asas do tempo e regresso ao paraíso da infância em Parada do Corgo.
Outono. Rajadas de vento arrastam chuvas torrenciais. O céu da aldeia fumega por sobre os telhados.

- Mãe, amanhã sempre vai às castanhas?

- Vou, filho.

- Posso ir?

- Mas olha que eu vou muito cedo!

- Está bem, chame por mim.

Ceávamos. No prato, batatas com casca assadas nas brasas, depois de cozidas, no pote, por entre castanhas da Abelheira. Da almontelia escorrera, fininho, um fio de azeite de Vila Flor. Depois, uma colher de vinagre caseiro. O garfo ia amassando e trazendo à boca aquela delícia. Na fogueira, zogas e ramos secos de giesta aqueciam a casa de lés a lés. Lá fora, o vento soprava, assanhado, vindo dos lados de Braga. As bátegas de água que ele empurrava zurziam nas telhas, escorriam pelos beirais, engrossavam os regos, entupiam caleiros, e inundavam as hortas e as levadas.

- Tu vê lá! ( Advertiu minha mãe)

Não custou nada pedir. O pior foi de manhã:

- Então, sempre vens?

- Sim ...(Respondi mergulhado num sono desgovernado).

Sem realmente acordar, integrei o pequeno diálogo no meu devaneio. Minha mãe insistiu, batendo à porta do quarto:

- Vens ou ficas?

Comecei a acordar aos pouquinhos, por isso abri a boca e respondi num bocejo:

- Vou, mãe, é só um cibinho.

Vesti-me à luz da vela, pois o temporal fizera das suas.

- É melhor levares a samarra!

De samarra abotoada, com a gola a esconder o rosto até ao nariz, saí em corrida, morto pra ver as castanhas e os castanheiros. Minha mãe conhecia bem o caminho, cheio de pedras, algumas bem aguçadas, e alertou logo à saída:

- Tu vai devagar! Se cais, não há quem te leve à farmácia!

Levava uma cesta suspensa no braço esquerdo e, com medo da minha escaravelhice, segurou-me bem com a outra mão. O vento era agora mais brando, parecendo tolhido pelo cansaço de uma noite inteira a soprar. A chuva também dera tréguas. As ruas, os regos e os caleiros estavam entulhados com o lixo que a água arrastara e fora deixando pelo caminho.

Subimos pelo cimo da aldeia até à beira da Escola, passámos junto às Almimhas. Minha mãe fez o sinal da cruz e rezou. Não me obrigou a rezar. Coisa rara! Deixou-me à vontade com os meus pensamentos ... saboreava o prazer de ir às castanhas em vez de mais uma sessão de tabuada na escola. Porém, era sábado...

O caminho apertava e subia cada vez mais. De um lado, os soutos da Esculca, do outro, as bouças do sopé da Veiguinha. Passa um burro por nós. Sem dono. Espavorido. Quem sabe se a fugir de um lobo.

Dez minutos depois, eis-nos a atravessar o ribeiro da Esculca, a iniciar uma pequena subida. Um pouco acima, parámos.

- É aqui!

A Abelheira era um souto em ladeira, com meia dúzia de castanheiros que medraram e envelheceram junta a uma bouça e do caminho pra Montenegrelo. O terreno restante ficara livre pra outras colheitas, como o centeio.

O castanheiro do fundo era dos mais antigos. O tronco largo apodrecera por dentro. Por fora, a toda a largura, o viço vindo da terra subia ainda em pleno vigor até aos ramos, sempre carregados de ouriços de onde caíam gordas castanhas.

A noite de ventania fizera um grande trabalho: milhares de castanhas jaziam por terra, já fora do seu casulo. Outras ainda lá estavam, muito escondidas.

- Pisa em cima do ouriço, que elas saem ! ( Aconselhou minha mãe)

E assim era: com a pressão do pé e o peso da chanca os ouriços iam cedendo, deixando soltar as castanhas. Umas vezes saía uma, outras aos pares como gêmeas.

Chegámos ao castanheiro final O mais jovem. Minha mãe deu-me a honra da última castanha.

Ofereci-me para ajudar no transporte. Minha mãe, com diplomacia:

- Prá próxima. Deixa primeiro fazer-te um saquinho.

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às 22:39

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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