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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


E tudo o tempo levou

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 05.10.17

MÃO CALEJADA

Fazia sempre o que os pais lhe mandavam. Embora, por vezes, remoesse uma certa revolta por ser ele o mais sacrificado, entre os irmãos, a ir buscar água à fonte. Serviço que era preciso fazer várias vezes por dia, por não haver água canalizada, e que, por razões que lhe escapavam, lhe cabia mais vezes a ele. Desconfiava que era por ser o mais novo.

Porém, quando era um dos irmãos a mandá-lo, fazia tudo para equilibrar a balança.:

- Vai à fonte!

A resposta era, invariavelmente:

- Vai tu!

Nunca ninguém lhe batera. Em casa só ameaças. Na escola, arrufos de longe a longe, a terminar em abraços. Naquele dia, porém, sentiu o choque de uma mão calejada a cair-lhe nas costas.E vinha pesada, puxada com convicção, pelo mesmo braço que há pouco fizera estragos numa laje dura com a picareta.

A irmã insistira em mandá-lo à fonte, mas ele não estava praí virado:

- Não me apetece! (Ripostou, determinado)

Soou então uma ameaça:

- Olha que levas!

E, na resposta, uma espécie de desafio:

- O quê, bates-me?

Correu atrás dele pra lhe bater. Mas ele, habituado a saltar que nem um cabrito, fugiu porta fora. E não contente, durante a fuga, chamou-lhe nomes que a fizeram chorar. O pai, que trabalhava ali perto, veio indagar as razões de tal pranto.

- Não quis ir à fonte e chamou-me nomes! (Acusou, em soluços)

Deixou-se estar algum tempo, na rua, a brincar com colegas de circunstância, a ver se a irmã acalmava. Porém, ao regressar, a atmosfera era ainda pesada. O pai, que já o esperava, chamou-o à pedra:

- Então, meu figurão, que fizeste à tua irmã?!

- Eu, ... Bem, ...Ela ...

- Foste desobediente e ainda por cima chamas-te-lhe nomes, né, seu pirralho!?

Dizia isto, com ar grave e ameaçador, e com a mão pronta a sová-lo. Este, entretanto, fugiu para o quarto, atirou-se pra cima da cama, de barriga colada à colcha e o rosto escondido pelos braços O pai entrou, e sem mais palavra, desferiu-lhe três poderosos azoutes, deixando-o por largos minutos num mar de soluços.

No dia seguinte, ela, de nariz levantado, olhou-o de frente e, segura de si, ordenou:

- Preciso de água daqui a cinco minutos! Está aqui o cântaro!

Ele, alérgico a humilhações, não se conteve:

- Não posso, doem-me as costas!

Nesse exacto momento, a porta de entrada rangeu. Era o pai.

E o cântaro, de imediato, saltou do chão e saiu veloz para a fonte.

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às 10:38

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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