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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


NUNCA MAIS

por Francisco Gomes, Quarta-feira, 25.11.15

 Desde 1950 até 2008, isto  é, durante 58 anos, estive longe da minha terra, sem ver aquele lugar que me viu nascer. Por isso, quando cheguei ao alto da Silveira, que vi minha aldeia com suas casas brancas, encostada na Serra da Padrela, a brilhar por entre as árvores, foi um momento de muita emoção.  Na medida em que descia para Vila Pouca, fui observando muitas coisas  novas, que nunca tinha visto, mas também senti falta de muitas outras que deixei quando parti, que nunca mais voltarei a vê-las.

 Vi aquelas enormes ventarolas a rodar no alto da serra, a gerar energia para o conforto das pessoas. Vi aquela estrada a descer pela serra e a mergulhar naquele imenso viaduto, que mais parece um “monstro” de concreto. Vi o progresso e o desenvolvimento por todo o Vale de Aguiar.

Porém, procurei mas não achei os campos cultivados como outrora, hoje, aqueles belos campos, são só mato. O Vale de Aguiar que já foi um celeiro, hoje virou pasto de animais. Nunca mais verei um carro de bois e nem escutarei o seu chiado, as pessoas a ceifar o centeio, as segadas, no mês de junho, as malhadas, as desfolhadas, nunca mais verei um canastro cheio de espigas de milho. Nunca mais vi aquelas nascentes de água cristalina a descer pelos regatos, rumo às poças de cima e às poças de baixo, que todas as manhãs eram abertas para regarem os campos cultivados. Nunca mais verei as represas no rio Corgo, onde se tomava banho no verão, de onde motores hidráulicos retiravam água para regar os campos marginais. Nunca mais verei o rio a transbordar, a água a chegar à linha do comboio. Por falar em comboio, nunca mais vamos vê-lo a surgir por de trás das montanhas na Ribeira, ou por de trás de Vila Pouca. Nunca mais vamos escutar seus silvos e nem ver sua fumaça a subir para o Céu. Nunca mais teremos o apeadeiro, para embarcar ou desembarcar, esperar os viajantes, colocar nossas cartas no correio, ou comprar nosso jornal.

 Nunca mais veremos o salgueiro, aquele imenso jardim, nem a serra coberta de pinheiros, nem a Chã de Vales toda plantada de batatas. Nunca mais veremos aqueles rebanhos de ovelhas pretas e brancas, os pastores por cima das fragas, vigiam o rebanho e apreciam a beleza do Vale. Aqueles carros, no seu vai e vem, desde o Covêlo até Vila Pouca. Nunca mais vamos ouvir o sino da Igreja de Soutelo a dobrar, avisando que alguém na freguesia entregou a alma ao Criador, nós retiramos nosso chapéu e rezamos, não importa quem seja, todos somos irmãos, filhos do mesmo Pai.

 Nunca mais teremos uma feira no Toural, onde bois e porcos eram expostos e negociados. Nunca mais o nosso vale de Aguiar será calmo e pacato, como era antigamente. Nunca mais teremos a Escola de Parada, aquele prédio tão aconchegante, de todos os cantos surgia o saber. Temos um albergue de São Tiago. A mentalidade dos homens encolheu, e querem mostrar ao mundo um tipo de caridade, que por ali nunca existiu.

 

Deus abençoe a todos

 

Agostinho   Gomes  Ribeiro               

 

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às 21:45

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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