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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Srª da Graça

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 10.03.17

 

Era o meu primeiro dia de festa, na Srª da Graça, em Quintã.

- Ó mãe, leva merenda?

- Sim. Levo maçãs, pão e marmelada.

- Marmelada?! Que bom!

Minha mãe gostava de ir a tudo o que eram capelas. Já me tinha levado à Srª do Extremo, a Tourencinho. Agora, era um pouco mais longe, e o percurso bem mais acidentado. Pegou no saco com a merenda, deu-me a mão, e saímos. À nossa frente, cerca de três quilómetros, a pé, quase sempre a subir na encosta da serra que descai pra Parada do Corgo; na outra vertende, cerca de quinhentos metros sempre a descer, porque a Santa tem capela a meio do monte.

Com os "tojais " à ilharga, iniciámos o nosso percurso, subindo à beira de um pinhal até um valado, onde medram meia dúzia de castanheiros. À nossa esquerda, num lombo do monte, um denso pinhal estendia-se até à Veiguinha; À nossa direita, seguia o caminho que levava às poças debaixo e ao Porto da Bouça.

- Estamos na Côrte do Pereira. (informou, minha mãe)

Seguimos, depois, em frente, pela ladeira de um cerro. E, no alto, minutos depois, alcançámos um prodigioso conjunto de cedros, de copas espessas, quase alapadas, por onde se esgueirava, entre juncos, um  pequeno ribeiro.

- Que lindo lugar! ( Exclamou, minha mãe)

Gostava daquele sítio. Cultivava aí um lameiro, com o nome de Ribeiro Côvo.

Subimos agora por uma curta garganta entre montes.De um lado o Sardão, do outro o Cornelho. Cem metros depois, já na Tapa, ao fundo de um lameiro, ouvem-se ruídos de pequenas cascatas  de um outro riacho que ali passa. Minha mãe apontou:

- Escorre por ali abaixo, atravessa o Pôrto da Bouça e as Algobadas, depois desce pelos Moínhos, segue pelas Valsadas, até encontrar o Rio.

- O Corgo?

- Sim.

- Mãe, nos Moínhos, existem moínhos?

- Sim, é de lá que vem a farinha com que fazemos o pão.

Aquela peregrinação estava a ser, para mim, uma prodigiosa  lição. Subimos mais um pouquinho, e eis-nos numa "mata" de vidoeiros. 

- Depois desta mata, é o Viveiro. 

Era um dos sítios mais badalados na aldeia. Aí ganharam o sustento várias pessoas. Entre elas, a minha avó.

- A Mãe Maria trabalhou aqui muito tempo! Um dia, lutou com dois lobos,  lá em baixo, na tapa, quando vinha pra cá. 

- Dois lobos?!

- Sim.

Seguiu-se uma narrativa incrível de uma mulher só, em plena montanha, ainda a manhã vinha longe, a lutar com dois lobos:

- Pareciam dois "assassinos", de dentes arreganhados, cheios de fome, com o focinho no ar.  Estancaram a olhar pra ela.  Eram dois "matulões", e estavam  prontos a degolá-la. Ela enervou-se e ficou sem saber que fazer. Mas, pouco depois, acalmou, ripou da pá e  começou a dar com ela nas lajes. Com os choques na pedra, fazia faíscas. Mas os lobos não iam embora,  pareciam estar à espera que aquilo acabasse pra poder atacar. E ela, coitada, estava cada vez mais aflita, ó pé da bocarra daqueles bandidos,  prontos a desfazê-la em pedaços.Quase a cair de cansaço, ouviu, à distância, vindos dos lados do "Porto da Bouça",  uns ruídos que pareciam sair das goelas d`uma matilha. Eram os cães dos trabalhadores de Zimão, que acompanhavam os  donos até ao Viveiro. Esperançada na ajuda dos cães, ficou de repente com mais força nos braços, e continuou a dar golpes na laje. Até que, com a matilha já próxima, os lobos viraram o focinho pra trás, e desapareceram por entre os pinheiros.

Contava isto cheia de orgulho. Para ela, minha avó era uma mulher corajosa. Aquele episódio fizera dela uma heroína. E, em Zimão, onde nascera, "toda a família era valente, como ela".

Estamos já a descer pra Quintã. A meio do monte, ergue-se a capela da Srª Da graça. À volta,  magotes de gente. Chegámos. Minha mãe vai disparada para a capela, e eu logo atrás dela. 

- Vamos rezar à Srª da Graça para que pela sua divina graça nos dê saúde....

Começou o terço. Respondia que era o remédio. Mas ia olhando para as cavacas, brancas e doces, ali mesmo ao lado.

No fim do terço, descobri uma sombra.  A fome tinha tomado conta de nós. Estava na hora de  dar o devido valor ao pão, às maçãs e à marmelada.

  

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às 11:18

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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