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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


REVIVER A INFÂNCIA EM PARADA DO CORGO

por cunha ribeiro, Sábado, 23.03.13

 II. VIAGEM A SOUTELINHO DO MONTE

 

Pouco tempo depois, outra inesquecível viagem. E que viagem, amigo!  De táxi. Lá vais tu, sentado no banco de trás, ao colo da tua madrinha. Vais aturdido com a bravura e destreza de um chofer de táxi que te faz galgar entre muros e árvores, no aperto das curvas da estrada, por altos e baixos, até Soutelinho do Monte, terra da Dona Carolina, velha professora primária. A sorte que tiveste em conhecer aquela senhora! Mas conta, conta tu, pois só tu podes narrar o gesto inesquecível.

 

 “ O chofer deixou-nos à porta da Dona Carolina. Entrámos, cumprimentámo-la, achei que tinha má cara, e logo que pude raspei-me para o quinteiro, onde uma lata vazia me despertou o instinto do xuto. Desato aos pontapés a torto e a direito, abstraído de tudo à minha volta, sem perceber que estava a ser observado. Era a Dona carolina que, mal terminou a conversa com a madrinha, se dirigiu na direção dos ruídos da lata, em pleno quinteiro. Que, certamente, a incomodavam. Chamou-me. Pronto, pensei, de uma boa chapada já não me livro. E fui, cheio de medo. Ela olhou para mim, eu baixei a cabeça, tentando esconder a vergonha, e preparar receção ao inevitável tabefe. Eis se não quando, estende-me a mão e dá-me uma bola. Uma pequena bola de borracha, verde, leve, que saltitava quando batia no chão. Com ela podia  dar toques, jogar de cabeça, e praticar outras habilidades. Era a minha primeira prenda. O único brinquedo a sério até àquele momento! Olhei na direcção dos olhos da Dona Carolina. Sorria, o seu rosto, agora bonito, transfigurou-se. Os seus olhos, agora luminosos, brilhavam de alegria. Tive vontade de a abraçar, mas a minha timidez impediu-mo. Ainda bem que me deu um beijo, me pôs suavemente a mão na cabeça, e me disse: “ Vai, meu filho, vai agora jogar”.

 

Voltaste para casa cheio de orgulho do teu brinquedo. Mostraste-o aos teus irmãos embevecido. E os três jogastes dias a fio com ela, até ao furo que lhe deu fim. E é assim, esfusiante de euforia, mas prisioneiro da dúvida, e da timidez, que tens medido, algumas vezes, a pequenez da tua humana estatura, sentindo que és nada no mundo que te rodeia. Por isso te instalas no teu cantinho, entre as paredes graníticas da angústia e as janelas abertas da audácia. Essa ambivalência que te veio do berço são as amarras e a vela do barco onde vais sulcando a viagem da tua vida. Daí o assombro de sensações por ti revivido um pouco mais tarde, em poesia sôfrega e contida, numa outra viagem alucinante, sob o comando de um Engenheiro Naval, inventado num intervalo crepuscular, por F. Pessoa."

 

FCR

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