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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


O PADRE GIL

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 07.12.09

 

 As várias facetas do Padre Gil fizeram dele uma das personagens mais densas e incontornáveis de Vila Pouca.

Não vou, aqui, ( com muita pena minha) falar do Padre, que não conheci, ou do político, que apenas "observei" à distância...

Vou, antes, evocar o Professor.

Vi pela primeira vez o Padre Gil, em cima do estrado de uma das salas de aula do Colégio  de Vila Pouca, que ele próprio dirigia.

Estávamos nos primórdios da década de setenta, do século passado.Todos sentados,à espera do professor/director  ( antigamente era assim: os alunos entravam na sala de aula, sentavam-se, e esperavam o mais pacientemente possível, pelo seu professor...). Poucos minutos depois do primeiro toque, a porta da sala abriu. um homem forte, estatura média, cabelo curto suavemente ondulado,a branquear aqui e ali, entrou. Após um curto silêncio, seguiu-se um pequeno "sermão", mais ou menos nos termos que seguem: "que tivéssemos muito juízo! Estávamos ali para estudar... os nossos pais  sacrificavam-se muito para pagar as propinas... os livros eram para tratar com muito carinho... mais isto...mais aquilo".

No fim da prelecção, como era a primeira aula, deixou-nos sair mais cedo.

Mas o que melhor retive do meu professor de português e francês foi a sua forma peculiar de ensinar.

Quando chegou aos Lusíadas, introduziu-os de uma forma especialmente " motivadora".  Lembro-me de o ouvir dizer, cheio de convicção: " A Viagem de Vasco da Gama  à Índia,não tenho dúvida, foi a maior façanha de sempre, em todo o mundo... Nem a viagem à Lua dos americanos foi feito maior!". ( Fiquei tão convicto da magnificência daquela  viagem que vasco da Gama passou a ocupar, na minha galeria de heróis, o lugar, até aí, reservado a D. Afonso Henriques).

Mas o Padre Gil ainda me influenciaria num outro aspecto. Quando iniciou a matéria dos Lusíadas, leu as estâncias  de uma forma tão expressiva, e emocionante, que logo o tentei imitar, ao chegar a casa: fechei-me no quarto; abri a epopeia logo no início e comecei: " As armas e varões assinalados/ Que da ocidental praia lusitana/ Por mares nunca dantes navegados/..." - com a voz o mais colocada possível, lia enquanto me ouvia... E repetia.

O que nunca mais esquecerei foi o misto de excitação e temor que sentia nos dias em que o Padre Gil se lembrava de nos mandar a todos para cima do estrado e proclamar: " hoje, minha gente, há sabatina!".

E o que era a sabatina?

Era a exposição pública do nosso orgulho, quando sabíamos; ou da nossa vergonha, quando não tínhamos estudado bem a matéria. Ficávamos todos em fila, de costas quase encostadas à parede do quadro. Pela ordem numérica que tínhamos desde o início do ano escolar: o número um, era o primeiro, à direita; e o aluno que tinha o número de ordem final, era o último, à esquerda.

Seguiam-se perguntas de todo o tipo. Se alguém errava, o professor passava ao aluno seguinte; se este acertasse, ocupava( com um orgulho mal disfarçado) o lugar do que acabava de errar.

Gostava daquilo... Talvez porque sempre gostei da competição. Acho que, para além de uma excelente "bengala" para o professor (sobretudo nos dias em que as  aulas vinham menos  bem preparadas...), era uma actividade que motivava os alunos e os estimulava para o estudo.

Esquecendo os quatrocentos escudos de propinas que os meus pais pagavam todos os meses ( muito dinheiro para quem só fazia algum de vez em quando, na feira, vendendo uma vitela ou um "bezerro" ao desbarato...), o Externato Liceal Duarte de Almeida em Vila Pouca, cujo maior responsável pela sua existência foi, sem dúvida, o Padre Gil, foi a minha "salvação", a minha "ponte" para o prosseguimento de estudos que nunca mais quiseram estagnar...

É também por essa razão que eu decidi escrever sobre os seus principais protagonistas.

 

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às 21:42

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