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ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


REVIVER A INFÂNCIA EM PARADA DO CORGO

por cunha ribeiro, Sábado, 23.03.13

 II. VIAGEM A SOUTELINHO DO MONTE

 

Pouco tempo depois, outra inesquecível viagem. E que viagem, amigo!  De táxi. Lá vais tu, sentado no banco de trás, ao colo da tua madrinha. Vais aturdido com a bravura e destreza de um chofer de táxi que te faz galgar entre muros e árvores, no aperto das curvas da estrada, por altos e baixos, até Soutelinho do Monte, terra da Dona Carolina, velha professora primária. A sorte que tiveste em conhecer aquela senhora! Mas conta, conta tu, pois só tu podes narrar o gesto inesquecível.

 

 “ O chofer deixou-nos à porta da Dona Carolina. Entrámos, cumprimentámo-la, achei que tinha má cara, e logo que pude raspei-me para o quinteiro, onde uma lata vazia me despertou o instinto do xuto. Desato aos pontapés a torto e a direito, abstraído de tudo à minha volta, sem perceber que estava a ser observado. Era a Dona carolina que, mal terminou a conversa com a madrinha, se dirigiu na direção dos ruídos da lata, em pleno quinteiro. Que, certamente, a incomodavam. Chamou-me. Pronto, pensei, de uma boa chapada já não me livro. E fui, cheio de medo. Ela olhou para mim, eu baixei a cabeça, tentando esconder a vergonha, e preparar receção ao inevitável tabefe. Eis se não quando, estende-me a mão e dá-me uma bola. Uma pequena bola de borracha, verde, leve, que saltitava quando batia no chão. Com ela podia  dar toques, jogar de cabeça, e praticar outras habilidades. Era a minha primeira prenda. O único brinquedo a sério até àquele momento! Olhei na direcção dos olhos da Dona Carolina. Sorria, o seu rosto, agora bonito, transfigurou-se. Os seus olhos, agora luminosos, brilhavam de alegria. Tive vontade de a abraçar, mas a minha timidez impediu-mo. Ainda bem que me deu um beijo, me pôs suavemente a mão na cabeça, e me disse: “ Vai, meu filho, vai agora jogar”.

 

Voltaste para casa cheio de orgulho do teu brinquedo. Mostraste-o aos teus irmãos embevecido. E os três jogastes dias a fio com ela, até ao furo que lhe deu fim. E é assim, esfusiante de euforia, mas prisioneiro da dúvida, e da timidez, que tens medido, algumas vezes, a pequenez da tua humana estatura, sentindo que és nada no mundo que te rodeia. Por isso te instalas no teu cantinho, entre as paredes graníticas da angústia e as janelas abertas da audácia. Essa ambivalência que te veio do berço são as amarras e a vela do barco onde vais sulcando a viagem da tua vida. Daí o assombro de sensações por ti revivido um pouco mais tarde, em poesia sôfrega e contida, numa outra viagem alucinante, sob o comando de um Engenheiro Naval, inventado num intervalo crepuscular, por F. Pessoa."

 

FCR

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às 18:58

REGRESSO À INFÂNCIA

por cunha ribeiro, Terça-feira, 09.10.12



Estou em cima do escano, na cozinha da antiga casa - a casa em que nasci, em Parada do Corgo. Havia um forno como este. Exactamente assim! Tosco, pedras mal talhadas,  num canto, no mesmo canto. A parede, essa, era diferente , em granito, julgo. E aqui à direita, onde se vê o pão já cozido,  havia um "louceiro", forrado com folhas de jornal, e coladas com farinha de trigo. Atrás da "enfornadeira" crepitava, de manhã à noite, uma lareira que espalhava abundantemente o calor por toda a casa,  durante o Inverno. Ao fundo, outra parede em granito. Encostado a essa parede, um banco onde se sentavam ao serão  amigos e vizinhos ( a Tia Mariana e o Ti João Guarda, com frequência). Contavam histórias de arrepiar. Do lado oposto, um escano, onde gatinhávamos e fazíamos piruetas sem fim.  Um canto, um aconchego, que a criança que fui gravou para sempre no cantinho da memória ( e mesmo no próprio rosto... tal foi a queda desamparada em pleno brasido, a inevitável queimadura, e o sêlo eterno que cá ficou).


FCR

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às 22:51

A Minha Velha Amiga

por cunha ribeiro, Domingo, 17.07.11

 Queria alertar o leitor para a  intimidade  e sinceridade deste relato. Trata-se de uma relação especial que, desde a pequena infância, vou mantendo com esta minha amiga, e que, espero, irá manter-se forte, viva e sincera até que a morte de um de nós nos separe.

 Nasci já ela se vestia de mulher. Vivia a uns cinquenta metros de mim. Durante a minha infância não houve grandes convívios. Apenas me deixava cair, do alto do seu regaço, de um avental verde,  umas guloseimas. E eram doces as guloseimas. Sabiam a mel selvagem. Às vezes, era eu que, apanhando-a a dormir,  lhe surripiava duas ou três, sem que ela desse por isso. Fazia-o sem o mais leve sentimento de culpa. Quantas delas caíam ao chão escorregando por entre os folhos  do seu largo vestido verde.

 Mais tarde, por volta dos meus sete anos,  meu pai achou-a muito simpática, e, com o consentimento do nosso vizinho, onde ela vivia há muito tempo, quis que ela continuasse a sua existência junto de nós.

 Não imaginam a minha felicidade quando soube que ela iria viver connosco. Nessa altura, embora jovem, era já uma uma mulher extraordinária:  alta, de  braços finos e longos, vestia um exuberante vestido verde. Amiga de todos,  mas recatada. Tudo o que tinha, sobretudo as suas soberbas guloseimas, de produção própria, dava-as a quem quisesse. Bastava ir junto dela. Subir-lhe cuidadosamente para o regaço, sempre vestido de verde, e as guloseimas soltavam-se por entre os seus dedos, amáveis, doces, e moles, prontas a escorregar pela garganta.

 Ontem visitei essa minha grande amiga de sempre. Continua fresca, bela, e exuberante. Continua a vestir-se de verde. Continua muito feliz quando me vê junto dela, e a mimar-me com guloseimas. Confesso-vos que ao vê-la experimentei o habitual e irresistível impulso que sinto sempre que a vejo, carregada de guloseimas. Corri para ela, subi-lhe para o regaço, deslizei suavemente as mãos por todo o seu corpo, à procura  das suas melhores guloseimas. E,ela, a minha amiga de sempre, estremeceu de carinho, e ofereceu-me muitas e extraordinárias guloseimas.

 

( Para que não fiquem equívocos, a minha amiga é a Figueira da casa de maus pais. Ontem, especialmente farta de figos  maduros).

 

CR

 

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às 13:45

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

por cunha ribeiro, Sábado, 24.10.09

 

O DOUTOR ACÁCIO
 
Em Parada de Aguiar só houve, até hoje,um doutor "digno desse nome":  Chamava-se Acácio, ou melhor,  Dr Acácio.
Morava bem perto do Ti Augusto Ferreiro.
 
Não sei o que o homem fazia no seu dia a dia. Só sei que um "belo" dia, teria eu cinco ou seis anos, me levaram a casa dele, com uma infecção no pulso do braço esquerdo.  Meio ao engano, lá fui, ao colo da minha mãe.
Subimos as escadas que davam acesso à casa do meu "salvador". Entrámos. E já não me lembro se me sentaram, se me deitaram, ou se me fizeram a coisa de pé.
O que eu me lembro é de ver um garfo de ferro em brasa, nas mãos do Dr. Acácio, que se aproximava de mim com aquilo.
Talvez sossegado pela certeza protectora do amor maternal ( as nossas mães são castelos na nossa infância, onde nos refugiamos, esquecendo todos os perigos e medos.), estendi o meu pulso esquerdo ao “doutor” ( que, se a minha mãe me lá tinha levado, tinha que ser competente…), e num pequeno segundo, enquanto soltei um berro que deve ter feito parar a forja do Ti Augusto, o mal foi todo queimado até à raiz.
Ainda hoje cá está o “ carimbo” que me fará recordar para sempre aquele homem magro e habilidoso de Parada de Aguiar, que sabia dar aos garfos de ferro uma dupla utilidade:
Umas vezes ajudavam-no nas refeições ; outras vezes curavam infecções.

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às 14:48

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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