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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


UMA VIAGEM IRREPETÍVEL

por cunha ribeiro, Sábado, 17.10.09

III

DE LOURDES A LA CIOTAT

 

 

Deixar a cidade de Lourdes, depois daquela noite espirituosa, em que os sentidos se não cansaram de fazer festas à alma, foi como largar um vício de qualquer coisa que já nos grudava àquele lugar.
O sítio é tão ébrio de cores, tão retalhado em contrastes, que uma semana exploratória não bastaria para lhe descobrir todo o corpo, quanto mais as cavernas da alma.
Mas a Itália esperava-nos e nós já sonhávamos com ela, enlevados pela aura e fama da sua história. E estava ainda bem longe dali. Por isso...
Eram quase dez horas, quando voltámos à estrada. Quisemos ir pela estrada antiga a fim de, no nosso vagar lusitano, inalar os afamados aromas do Sul de França.
Mas a expectativa gorou-se e a viagem foi monótona, seca e agreste até ao destino daquela noite: a linda "cidade" de
                           La Ciotat.
 La Ciotat, onde passámos a  terceira noite da nossa viagem, não foi uma escolha, foi um acaso.
A noite escurecia, com rapidez, à frente de nós. Marselha, onde estava previsto ficarmos, aproximava-se freneticamente. Nenhum parque de campismo visível de um lado e de outro, no lusco-fusco do fim da tarde. Atravessámos a urbe de lés a lés e... Nem parques, nem indicações deles, em toda a cidade, que, definitivamente, ficava para trás.
- Paciência! Disse um de nós. Há-de aparecer um raio de um parque, algures, por aí.
E, na verdade, escassos quilómetros depois de Marselha, lá estava a nossa bela hospedeira, escondida atrás de um morro soberbo. Ninguém duvidou, naquele momento, que era ali que ficávamos, pois Cannes era um belo filme para ver no dia seguinte.
 Havia dois parques. Escolhemos o segundo, ali bem perto da estação dos comboios que atravessam o Sul. À noite fomos passear pela praia e comer um cachorro "francês", num café onde se cantava karaoke. Adormecemos sob o ruído surdo da chegada de um comboio vindo de Oeste.
Horas depois, acordámos, despertados por idêntico ruído de uma composição que partia p`ra Leste.
                                                                                                                           

 

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às 17:26

UMA VIAGEM IRREPETÍVEL

por cunha ribeiro, Sábado, 10.10.09

 II

 

DE CANGAS DE ONIS A LOURDES

 

Pela manhã, Cangas de Onis reverbera mil cores. O verde naquele lugar tem tonalidades agrestes. Mas com os beijos quentes do sol as mesmas cores aveludam. E sentimo-nos bem, naquele aconchego. Ficaríamos ali para sempre. Mas Lurdes era o próximo passo daquela aventura.
E logo que o sol raiou e beijou o Camping de Onis, F. e eu desarmámos as tendas e arrumámo-las na bagageira repleta do rover. E entrámos.
Eis-nos de novo, na estrada. As curvas mostram-nos o Norte, e depois o Sul. E o Nordeste , e o  Sudoeste. Tudo parece girar à nossa volta.
O Norte cantábrico, pela estrada além, é uma dança alucinante com a natureza. Ora bailamos junto do mar, com as suas ondas; ora dançamos, no cimo  da serra, com as suas fragas; umas vezes rodopiamos numa valsa inebriante; outras vezes, num corridinho fantástico.
Atravessada a fronteira em Hendeye, seguimos até Biarritz. Depois à direita na direcção de Pau.
Caía a tarde, quando uma placa anunciou Lurdes. Saímos da auto-estrada. Poucos quilómetros, depois, lá estava “Lourdes”. Protegida, a Sul, pelas serranias dos Pirinéus, Lurdes parece aninhar-se aos seus pés.
Quase à beira da Santa cidade, a G.:
- Um parque de campismo, ali, à esquerda!
 Verde, sereno, limpo, era o nosso querido  refúgio da noite. O lençol  ideal para o merecido descanso do nosso choffeur, que exclamou:
 - “Aqui, nem os grilinhos me vão acordar.”
 
“Lourdes” e o seu Santuário são sítios de rara beleza.
Aos pés da santa, as águas frias do rio passam ondulantes, apressadas, saudando a cada segundo, a gruta ancestral. São as neves eternas dos Pirinéus que se empurram na ânsia de ali chegarem, peregrinas que são da natureza e da vida. Tudo à volta é virgem e puro. As árvores à beira do rio; as crianças que brincam no Santuário; as pedras brancas; os montes verdes até à brancura dos cumes; a relva fresca das suas encostas.
Quisemos agradecer à Santa a celestial hospitalidade . Por isso subimos o escadario que leva os fiéis à sumptuosa Basílica. E rezámos, ungidos de súbita fé, à virgem menina, implorando inconfessáveis perdões.
Deixámos o Santuário, leves, de alma e de corpo ( A alma esvaziara os pecados; e o corpo, depois daquela levitação, voltou à terra esfomeado).
Fomos subindo até ao centro urbano de “Lourdes”. Os cheiros que, por vezes, escapam dos pratos fumegantes das esplanadas, vão aguçando o apetite. O F. e eu, com a sede a iludir-nos as sensações, deixámo-nos seduzir por umas loiras, de aspecto jovem e fresco, que decoravam as mesas de um restaurante cheio de charme gaulês.
E foram elas, aquelas canecas a escorrerem de espuma, que nos fizeram sentar e jantar, logo ali.
 Os rostos de C. e de G. iluminaram-se, quando pedimos quatro canecas. Chegaram à mesa geladas e efervescentes . E foi um inesquecível regalo, aquela bebida caída do céu; aquele “Steack” grelhado nas brasas do monte; e aqueles nacos esponjosos de  “cammembert”.
 Chegámos ao pino da festa. A G. e a C. falavam, falavam, enquanto regavam, regavam. E a garganta das duas secava, secava. Vieram as últimas duas “cevadas”. Beberam-nas. E regressámos às tendas. Era a hora de acordar do sonho e dormir.
 
( continua)
 
 
 
 
 

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às 18:16

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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