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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


NATAL DE ANTIGAMENTE

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 12.12.13

 POR DEOLINDA GOMES

 

Vem aí o NATAL. Uma festa que, graças a Deus, apesar de residir fora, ainda vou festejando na aldeia onde nasci e vivi os NATAIS de antigamente... que nunca mais esquecerei. Não pelas prendas que recebia... quase sempre nenhuma. Mas pela fantasia...pela alegria...pelo presépio...pela missa do galo... pelas "fritas" ou rabanadas e pelos bolos... ( não tanto pelo bacalhau...) e, sobretudo, pelo inesquecível jogo do rapa.

Não imaginam a emoção com que eu e os meus irmãos usávamos um saquinho, muito pequenino, que eu (a mais velha) costurava, ou cosia à mão, para que todos tivéssemos onde guardar os confeitos (uma espécie de amêndoa aos bicos, de diversascores). À noite, depois de consoarmos , lá vinha o rapa para cima da mesa... Um mês antes do Natal, já alguém tinha cortado um ramo de amieiro, e, com um canivete, talhado o rapa. Numa ponta, a mais comprida, segurava-se o rapa entre os dedos, a outra, mais pequena e pontiaguda, servia para colocar em cima da mesa. Depois, com a ajuda dos dedos, fazia-se um gesto que ia fazer girar o brinquedo, até parar e tombar. Em cada uma das quatro faces do rapa estava desenhada uma letra ( R, de rapa; P de põe; T de tira; e D, de deixa). Se o rapa parava com o R virado para cima, era uma alegria, pois tudo o que estava na mesa era para RAPAR e meter no saquinho; se calhava no P, quem fazia girá-lo tinha que pôr o mesmo que estava na mesa ; no T, tirava a parte dele...; no D, deixava).

No fim do jogo, quem tivesse o saquito mais cheio ganhava. Que saudades do tempo em que o rapa era o brinquedo mais desejado de cada Natal.

 

DEOLINDA GOMES

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às 08:24

Fátima Monteiro: "Natais de Outrora"

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 10.12.12

Antigamente, era uso e costume nas longas e frias noites de inverno fazerem serão .

Como não havia televisão nem cafés, e nesse tempo as pessoas da aldeia eram muito unidas, iam umas para casa das outras passar o serão .

Ali ficavam até altas horas a confraternizar. Contavam-se anedotas ,histórias ,falava-se de assuntos contemporâneos e de outros tempos ,cantavam-se cantigas da aldeia ,uma tradição que hoje em dia se perdeu.

Em minha casa não era diferente ,com a presença sempre esperada e muito bem vinda da minha tia Maria ,e dos meus primos ,enquanto o meu tio esteve no Brasil. Depois, com ele também. Eram noites fantásticas ,cheias de alegria ,a minha tia fiava ,torcia ,dobava, e fazia na meia, a minha mãe nas tarefas da casa e da taberna ( o chamado café de agora), meu tio e meu pai conversavam, e nós os pequenos na brincadeira .

Nas noites à beira do Natal já só pensávamos na noite de consoada, para nos divertimos ,nos jogos do rapa ,do pião etc . Na noite de consoada ali estavamos todos reunidos ,em grande algazarra ,com os jogos , e minha mãe danada , porque só se viam confeitos no chão, os quais nós íamos “rapinar” em baixo, na loja. O meu tio era um castiço, a contar as aventuras da tropa e do Brasil

Ainda guardo ma memória uma que ele contava, e que todos nós gostavamos de ouvir.

Certo dia, estando ele num Botequim, entraram uns senhores e disseram para o que estava dentro do balcão: “Arreia aí cachaça galego de merda que aqui tudo bebe e ninguém paga!...”. O pobre do homem, a tremer de medo, lá os serviu, contrariado, o que eles quiseram ,e enquanto lhes apeteceu. Só quando arredaram, bêbados que nem carros, respirou de alívio”.

 

 E assim se passavam os serões,  divertidos ,alegres, e em família ...

 

 

 

Um feliz Natal, para todos os Paradenses, e amigos deste blog .

 

Fátima Monteiro.

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às 16:02

CONTO DE NATAL ( adaptado de um conto de M. Torga )

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 06.12.12

 

De sacola na mão, o pobre do velho fazia os possíveis para se aproximar da terra que sempre o recebera bem – Parada do Corgo. A necessidade levara-o longe de mais. Pedir é um triste ofício, e pedir por terras de alta montanha, onde uivam lobos  e se escondem larápios, pior.

 À beira de Murça, para cá do Alto do Pópulo, abordara, pela manhã,  uma casa, numa pequena aldeia encapelada num ermo:

  - Tenha paciência, Deus o guarde, mas hoje não pode ser!

 E vá um desgraçado comer carqueija, ou pedregulho! Por isso, que remédio senão tentar até  Parada, terra onde os ciganos são bem tratados, e os pobres agasalhados, onde  estender a mão à caridade é gesto bem recebido, e ninguém nega uma côdea a um pobre, a meio de uma ave maria. “Sim, porque eu rezo quando bato a qualquer porta. Gostam... Se têm fé na minha oração, isso é outra conversa”. Sei que são as boas acções que nos salvam. Não se entra no céu com ladainhas. Mas que posso eu fazer, sem eira nem beira onde colher uma couve? Enfim...  só dando ao chinelo, na direcção de Parada. E aí chegado,  consigo um lugar quente onde ficar”.

Mas teve mais sorte em algumas aldeias de Jales, e o certo é que, em Cerdeira, já tinha uma boa maquia de comida no saco, que lhe pesava nas costas. Fome já não passaria.

A Serra começou então a inclinar, e o certo é que já lhe custava arrastar as botas. O pobre do Velho vinha derreadinho!

Podia ter ficado em Alfarela. Dormia, e no dia seguinte, de manhãzinha, punha-se a caminho. Mas quê! Metera-se-lhe na cabeça consoar em manjedoira mais quente. E a verdade é que nem casa nem família o convidaram, e o único conforto que o esperava era o quinteiro de uma alma caridosa lá de Parada, sempre escancarado à pobreza.

O problema estava em chegar lá. O raio da serra nunca mais acabava, e sentia-se muito cansado. Oitenta e cinco anos, parecendo que não, é um grande carrego. Ainda por cima atrasara-se entre Alfarela e Cerdeira. Dera uma volta aos lugarejos,  a coisa começou a render, e esqueceu-se das horas. Quando foi a dar conta passava das quatro. E, como anoitecia cedo não havia outro remédio senão ir agora “a mata-cavalos, a correr contra o tempo e contra a idade”, com o coração a arfar. Aflito, batia-lhe na parede do peito, a pedir misericórdia. Tivesse paciência. O remédio era andar para diante. E o pior de tudo é que começava a nevar! Pela amostra, parecia coisa de pouca monta. Mas vamos ao caso que pegasse a valer? Bem, um pobre já está habituado a quantas desgraças a sorte quer. E Ele então, se fosse a queixar-se! Cada partida do destino! Valia-lhe o bom feitio. Viesse o que viesse, recebia tudo com a mesma cara. Aborrecer-se para quê?! Não adiantava nada! Chamavam-lhe filósofo... Importava-se lá.

E não é que a desgraçada da neve começou a cair como farinha! Sim senhor, ia ser o bonito! Felizmente que a Sra do Extremo estava por perto. Se o mosquedo branco continuasse a cair, olha, dormia lá! O que é, sendo assim, adeus noite de Natal em Parada...

Apressou o passo, e foi rompendo a chuva branca de pétalas. Rico panorama!

Com a neve colada às botas e “branco como um moleiro”, meia hora depois chegou ao adro da capela do Extremo. À volta, no chão, tudo já branqueara. As fragas pareciam ovelhas geladas.

Entrou no alpendre, encostou o pau à parede, arreou o alforge, sacudiu-se, e só então reparou que a porta da capela estava só encostada. Ou esquecimento, ou algum pecador  forçara a porta.

Vá lá! Do mal, o menos. Em caso de necessidade, podia entrar e abrigar-se dentro. Assunto a resolver na ocasião devida... Para já, a fogueira que ia fazer tinha de ser cá fora. O pior era descobrir lenha.

Saiu, apanhou um braçado de giestas, e tentou acendê-las. Mas estavam verdes e húmidas, e o lume, depois de querer mostrar-se um pouquinho, apagou-se. Recomeçou três vezes, e três vezes sem qualquer sucesso. “Mau! Gastar os fósforos todos é que não”.

Num começo de angústia, porque o ar da montanha cortava e escurecia, lembrou-se de ir à sacristia ver se encontrava algum papel.

Descobriu um jornal a forrar o gavetão onde o sr prior guardava a sobrepeliz, e já mais sossegado, agradecido ao céu por aquela ajuda, olhou o altar.

Quase invisível na penumbra, com o divino filho ao colo, Nossa Sra parecia sorrir-lhe. Boas festas! — desejou-lhe então, a sorrir também. Contente daquela palavra que lhe saíra da boca sem saber como, voltou-se e deu com o andor da procissão arrumado a um canto. E teve outra ideia. Era um abuso, evidentemente, mas paciência. Lá morrer de frio, isso é que não! Ia esquartejar o andor. Ora pois! Na altura da romaria que arranjassem um novo.

Daí a pouco, envolvido pela escuridão, o coberto, verdade se diga, desafiava qualquer lareira de aldeia. A madeira seca do arquenho ardia melhor que carqueja seca; só de cheirar o naco de presunto que recebera em Carvas, crescia água na boca; que mais poderia faltar?

 

Enxuto e quente, o pobre “Filósofo” dispôs-se então a cear. Tirou a navalha do bolso, cortou um pedaço de broa, uma fatia de febra e sentou-se. Mas antes da primeira dentada, teve um rebate de coração,  e, por descargo de consciência, ergueu-se e chegou-se à entrada da capela. O clarão do lume batia em cheio na talha dourada, aclarando a capela até às paredes e tecto.

- É servida?

A Santa pareceu sorrir-lhe outra vez, e o menino também.

E o pobre do Velho, diante daquele acolhimento tão cordial, não esteve com meias tintas: entrou, dirigiu-se ao altar, pegou na imagem e trouxe-a para junto da fogueira.

— Consoamos aqui os três — disse, com a pureza e a ironia de um filósofo. — A Senhora faz de quem é; o pequeno a mesma coisa; e eu, embora um pobre e humilde pecador, farei, se me permite, de S. José.

F.C.R.

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às 17:13

RICOS, HERÓIS, CHICO-ESPERTOS, CORRUPTOS

por cunha ribeiro, Sábado, 31.10.09

 

 
 
 
O POLVO DE OVAR
 
 
 Vem aí o Natal, uma época em que a falta de polvo poderia dar dores de cabeça às famílias que não o dispensam na Ceia do dito.
Pois bem, nem de propósito, parece que não vai faltar o famoso molusco. E segundo dizem, vai ser do espesso, portanto, de “qualidade”.
Segundo se diz, já foi pescada a melhor unidade, e bem guardada na “geladeira”.
Mas insinua-se que há ainda muito e “bom” polvo para pescar.

 A imagem ilustra, aliás, muito bem, o que acaba de ser dito: a espessura do polvo é evidente; também se nota que é dos "frescos", pois, o seu "à vontade" é tal que nem precisou de fingir que estava com medo, lançando aquele "líquido escuro", à sua volta, para passar despercebido.

Será que está a pensar que vai "escapar" da " arca", ainda antes do Natal?

Olhem bem para aquele "sorriso" ( os "polvos" também sorriem... Sobretudo quando não têm vontade...), e tirem as vossas conclusões...

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às 11:05

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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