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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


Sra do Extremo

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 29.11.12

 

 Era Domingo. Eu, um ganapo, ainda. A minha mãe, sempre muito devota - às vezes até ao extremo - disse-me: "logo, depois de jantar (hoje dizemos almoço) vamos à Sra do Extremo".

 O que eu queria era o arejo, sair de casa. Como não conhecia, e o nome do sítio era de Santa, cheirava-me a festa. Por isso esfreguei as mãos, e ansiei desde logo a partida. 

 Fomos pela linha do Corgo ( quando o Corgo tinha uma linha), na direcção de Zimão. Nesta localidade do Vale do Corgo, havia Estação, ao contrário de Parada do Corgo, onde existia um pequeno apeadeiro. Logo ali os olhos se me esbugalharam. Um casarão, a Estação! E muitas linhas, umas ao lado das outras! Zimão, a partir daquele momento subiu na minha consideração civilizacional - era uma aldeia, mas tinha Estação!

 Passado o primeiro choque civilizacional, continuámos, ligeiros, até à gralheira, que passámos sem grandes reparos, e logo depois, Tourencinho.

 Ali chegados, a caminhada deixou a planura do Vale e começou a inclinar serra acima. Na falda da Serra, no primeiro ermo, havia uma minúscula capelinha. Minha mãe ajoelhou-se. Eu fiz o mesmo. Seguiram-se alguns pai nossos e avé marias. Levantámo-nos. Minha mãe apontou para o alto. "É ali, a Sra do Extremo".

 Constatei então que a caminhada ainda ia durar. Cerca de vinte minutos depois, eis que chegámos ao adro espaçoso da Sra do Extremo. Minha mãe começou-me a narrar uma história fantástica de um milagre que ali acontecera. Não me recordo ao pormenor, mas ainda retenho que algures por ali, jorrara azeite nos pratos e nas batatas dos operários da casa da santa do Extremo.

 Seguiu-se um terço, rezado de fio a pavio, em que eu tinha de responder, alto, e sem bocejar. Antes do nosso regresso, minha mãe pegou na garrafa vazia que tinha levado dentro de uma saquita, e encheu-a de água. Julgo que andava doente, e aquela água fazia melhor que qualquer remédio. " E havia muitas pessoas a quem o líquido fizera grandes milagres".

  O regresso, para meu regozijo, iria ser diferente. Bem perto da Sra do Extremo, passava a  estrada florestal que ia dar ao Viveiro. O percurso iria ser esplendoroso. Do alto da Serra as vistas seriam fantásticas com toda a certeza. E eis-nos em plena Padrela, estradão acima, na direcção do Viveiro.

  Visto do alto, o Vale, entre Tourencinho e Parada, era de um verde imenso e profundo. O rio corgo apenas se adivinhava no interior daquela serpente longa, verde, e filiforme de arvoredo que ora curvava na direcção da Estrada, ora torcia na direcção da linha que nos trouxera.

  Lá em cima, as curvas faziam render a caminhada. Ora estávamos na direcção de Zimão, ora  ainda  nas costas de Tourencinho.

  Chegámos enfim a Novais. De junto da Fraga, que dizem sinalizar a fronteira de entre Parada e Zimão, os Picôtos, ao fundo, ergueram-se majestosos diante de nós, e esconderam, no seu regaço ocidental, o Vale e o Corgo, na direcção do Pontido.

   No Viveiro, esplendor da Padrela, virámos à nossa esquerda. Descemos, já esfomeados, e com o cansaço a engelhar o passeio, até à Tapa, onde os regatos se faziam ouvir, entre o silêncio dos pinheirais. Continuámos a nossa descida vertiginosa, pelo ribeiro côvo, pela côrte do Pereira, pelos tojais, junto à casa do  Pedro.

  Chegámos, comemos, bebemos a água santa, enquanto a noite caía sobre o casario da aldeia.

 

FCR

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às 09:47

PANORAMA

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 12.03.10

 

 Atravessar a Padrela, num dia em que o Sol é senhor absoluto do céu e da terra é uma experiência inolvidável.

 Em Vila Pouca, o viaduto é uma "passerelle" monumental de onde se avista uma longa planície verde a que só o Covêlo põe fim.

 O Corgo desliza como uma cobra escondida num renque infindável  de amieiros pelo sulco mais fundo do vale. Mas os homens não o quiseram deixar ali sozinho. Por isso, bem perto, a uma distância civilizada, passa, ligeira, a estrada p`ra Vila Real.

 A  "A-24",  ao fundo do viaduto, começa a subir pela mão calejada de Montenegrelo, que a leva em ombros até ao grande pulmão de Parada, o Viveiro. Sítio ermo de onde se avista, quase na testa da Serra de entre Soutêlo e Pontido, a enorme barriga rochosa,que sustenta, firme na sua eternidade, o nobre e humilde Castelo de Aguiar. 

 Um pouco acima, um miradouro incomum mostra a quem ali passa a vasta grandeza do Vale mais grandioso de entre o Marão  e Valpaços, empolgando os sentidos do mais insensível mortal. Do outro lado, cresce ao nosso olhar, imponente e altiva, a Serra do Sabugueiro, onde se aninham, há séculos , três povos bem pitorescos: Telões, Souto e Soutelinho.

  Já no vértice rugoso da Serra, a Châ de Vales é uma obra de arte romântica que  só os pastores sabem interpretar.  Aquilo não é o que parece: um extenso lameiro verde, ladeado de tojo, de giesta e de urze; é uma tela viva , onde uma procissão solene de vidoeiros nos vai colorindo o olhar pelo fluir das estações, que vão desfilando sob a batuta alegre dos grilos e o gargarejo de pequenos e espertos regatos que correm entre pequenas gargantas, pelo declive serrano de Tourencinho ou Zimão.

 


  E até os lobos quando ali passam deixam de ser ferozes carnívoros, graças aos meigos encantos da mãe Natureza.

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às 23:34

VISITAR PARADA DO CORGO

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 21.09.09

 

III

 

DO VIVEIRO AOS PICÔTOS
As aldeias têm sobre as cidades a enorme vantagem de poderem desfrutar de um “logradouro” comum, onde as pessoas se podem espraiar e respirar liberdade. E há certas aldeias que têm o privilégio de terem um vasto e bonito “logradouro”. E Parada teve a sorte de os deuses lhe terem concedido esse feliz privilégio.
E você que está de visita, e que já se deslumbrou com a maravilha que é o Viveiro, vai continuar o percurso dos caminhos que fazem do nosso logradouro comum um dos mais belos de toda a Padrela.
Desça então (devagar, pra não tropeçar) a vertente sudeste da nossa montanha. E siga as veredas que acompanham o “ribeiro da tapa”. Não espere uma marcha muito serena. Às vezes, corre sem querer, como se alguém o empurrasse deveras. Mas é a ladeira da serra que, aqui e ali, tem socalcos repentinos e inesperados.
Mas, não desanime, se gosta de passear lentamente. De quando em vez, o monte como que aplaina, e deixa-lhe ver, com calma e doce deleite, toda a paisagem à sua volta. Então repare: Já bem no alto, à sua esquerda, o “penedo redondo” endurece o vasto dorso da serra e parece ter rebolado do cimo duma  longínqua  fraga. Quem sabe se terá deslizado, num tombo brutal e aterrador, dum flanco desamparado da “fraga de novais”… ( Lá, onde o troço visível da velha “estrada florestal da Padrela” nascia aos nossos olhos. E, de longe a longe, um carro “luzia”, deixando no ar um remoinho de pó.).
Mas continue. Lance um olhar de menino ( ou menina) e surpreenda-se com a contínua novidade da natureza. E vá descendo. Descendo. Vá andando. Andando. Olhe aquele rebanho de ovelhas ali a branquear a verdura do lameiro, húmido e fresco. Veja as manchas castanhas e dispersas das vacas que pastam junto ao ribeiro. E oiça a água cantar nas pedras de espertos regatos. Veja, oiça e olhe. Dentro em pouco terá pela frente um curioso par de montanhas, largas e redondas na base e estreitando em cone, até ao cimo. ( Como se fossem duas torres de menagem, lembrando castelos de outrora, ali estão duas nobres montanhas a fugir do colo da sua mãe…)
Na  “fronteira” de entre Zimão e Parada, podia ter crescido um castelo de Pedra. Mas não. Cresceram duas enormes torres feitas de pedra, terra e vegetação. E às duas “torres” redondas, altas e estreitas na ponta, chamaram “picotos” – onde você está agora, espantado com esta estranha grandeza, já muito próxima do vale.
Mas que não deixa de ser uma bela e feliz, aparição.
( cont.)

 

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às 21:49

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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