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ela, 2. antonio candido . 8341659518_ecc98db9f2_m . Cândida dos Reis Dias Pinto . minha foto. agostinho ribeiro . agostinho . francisco gomes .

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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


"Quem dá a quem o entende, não o dá que bem o vende"

por cunha ribeiro, Sábado, 17.01.15

 

Godim-1957-2.jpg

 

Terceira classe apenas, mas de quando em vez sai-se com tiradas que me surpreendem.

Fui buscá-la ao Lar de Tourencinho, hoje, ao começo da tarde. Não contava comigo. Pensava que "talvez no domingo", lá fosse fazer-lhe a visita da praxe. Ficou contente, porém.

Meti-a no carro. É preciso metê-la mesmo no carro. Segurando-a no ar. Arranquei, sem lhe dizer qual era o destino. Habitualmente levo-a até à casa da aldeia, para se entreter com as amigas.

Contudo, hoje,  lembrei-me de mudar de percurso. 

A primeira surpresa teve-a quando à saída de Tourencinho virei à esquerda na direção de Vila Real. Todavia, mesmo que estivesse surpreendida ela não o manifestou. Não se lhe lia no rosto o mínimo sinal da mais que provável interrogação mental sobre a inesperada mudança de direção. Talvez por estar entusiasmada com o que me estava a contar:

- Sabes quem me veio cá ver?

- Quem?

- O "Gostinho".

- Qual Agostinho?

- O Ti Agostinho Monteiro.

- Não me diga! Mas tem a certeza que a foi visitar a si?

- Bem, isso num te sei dezer, mas num me pareceu que fosse lá para visitar mais ninguém...

Pareceu-me melhor não indagar mais sobre o assunto. Estava visivelmente contente por lhe ter parecido que o Ti Agostinho Monteiro a fora ver só a ela, e não ia ser eu a perturbar tal satisfação. Até porque eu próprio gostaria que assim tivesse sido. 

Íamos já além do Covêlo, e ela ainda sem perguntar onde íamos.

Chegados à ligação da auto estrada, e entrados nela, mostrei-lhe a aldeia à nossa esquerda.

- Conhece?

Olhou... e passado um instante:

- Eu não.

- É Fortunho, pensei que conhecia Fortunho, a terra da Aurora ... Lembra-se?

- Ah! ... Pois... lembro ... lembro.

Notava-se que estava um pouco perdida no espaço. Mais asdiante, disse-lhe:

- Ali à direita é Vila Real.

Continuamos na auto estrada, na direção da Régua. Porém, continuava sem me perguntar para onde é que íamos.

- Aqui deve ser a Senhora da Saúde. Indagou.

Bem, pensei, já não está muito desorientada. De facto, à nossa esquerda, a dois ou três quilómetros em linha reta, talvez estivesse o recinto da grande festa da Srª da Saúde.

senhora da saude.jpg

 

Descemos nas calmas até à Régua. Já nesta cidade, junto à Estação perguntei de novo onde estávamos, confiado numa resposta acertada. Não, não sabia.

Rolamos agora junto ao Rio Douro.

- Então, mãe? Ainda não sabe onde está?

- O rio é largo. Parece o Doiro...

- Mas, é ou não é, o Douro?

- Ele parece...

- Claro que é o Douro.

- Então aqui é a Régua?

- Pois.

Quis levá-la a um sítio que a minha infância registou para sempre na minha memória. Godim, e o seu Seminário.

Contornamos várias rotundas. Iniciamos uma subida de cerca de um quilómetro, e eis-nos à beira do Seminário. Há anos que ali não ia. A Igreja Paroquial, imponente, e logo atrás o edifício do Seminário. Paro. Tiro uma foto. Volto a entrar.

- Então, não se lembra?

- Eu não.

Comecei a pensar. De facto, nem ela nem o meu pai me levaram ao Seminário. Tinha ido com os colegas de Vila Pouca. De comboio. Nos nossos dias seria impensável qualquer um dos nossos filhos, com dez anos apenas,  deslocar-se sem a companhia do pai ou da mãe para um local a cinquenta quilómetros de distância de casa, pelo menos na primeira viagem. Como o tempo muda os costumes, pensei.

Antes de voltarmos, lembrei-lhe que a Madre Emilinha, tão sua amiga, ali vivera algum tempo,num convento bem próximo do Seminário. Porém, só se lembrava que ela tinha estado em S. Cosmado. E de facto julgo que foi nessa terra que a irmã do Sr Manuel Chaves passou a maior parte  da sua vida de freira.

Eis-nos agora já no regresso, a falar de factos da vida passada. " Da estadia do marido, meu pai, no Brasil ... Da  inesquecível Madrinha ... De uma terra, chamada " Chão de Baixo", logo por baixo da linha, que esta - a Madrinha - não queria vender ao Sr Manuelzinho, mas que este, almejando juntar terrenos e alargar domínios,  depois de muitos pedidos a amigos chegados, conseguiu que ela cedesse em troca por outra, bem pior situada...

Assim fomos subindo a estrada, entre vinhedos em lombo, até Santa Marta, e depois até Vila Real, onde paramos para comprar uns "covilhetes".

Iguaria muito conhecida em Vila Real, o covilhete é uma especialidade da Gomes - famosa pastelaria vila realense. E foi aí que ela se saiu com uma tirada que justifica o Título do post: " Quem dá a quem o entende , não o dá que bem o vende".

Dá para a entender. Os covilhetes eram a prenda que queria levar para oferecer no Lar de Tourencinho. E o ditado popular saiu-lhe como  justificação irrebatível para o meu dever de comprar aquela preciosa iguaria. A qual, devo dizer, lhe sugeri, e mais uma vez degustei, ao balcão de tão singular pastelaria.

 

FCR

 

 

 

 

 

 

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Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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