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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


A Dona Alcina

por cunha ribeiro, Segunda-feira, 27.10.14

A Dona Alcina fazia-se respeitar. 

  Chamou um aluno da terceira classe ao quadro. E ele lá foi meio hesitante, já a pensar no pior, olhando de esguelha para a cana da índia. Tinha de resolver um problema que lhe foi ditado, naquele instante, pela professora. Começou a olhar para aquilo com a estranheza de um touro quando olha pela primeira vez a bandarilha. Puxou pelo miolo com toda a energia  que tinha. O problema, na expressão da Dona Alcina, era  "simples".  Simples, pra ela, porque  para um fedelho de 8 ou 9 anos,  diante do quadro, tudo negro à frente dos olhos, e aquela charada pra resolver, só havia uma palavra :  bicudo.

- Então, rapaz, vai ou não vai?

Não ia. O rapaz estava lívido, a suar, sem saber como pegar naquele mistério feito de números e de sinais. E o pior, era pressentir atrás das costas a censura da plateia menos sensível,  alheia à atrapalhação do colega.  Alguns intimamente recompensados: " Anda, aguenta! É pelos bolos que dás à malta na tabuada...". Envergonhado, paralisou dos pés à cabeça, e baixou os braços.

Recordou, então, num ápice, os dias anteriores sem aulas:  A neve cobrira tudo de branco até aos joelhos do Zé Ribeiro, o jovem mais alto da aldeia. Horas entretido a armar a ratoeira por hortas e por lameiros, a ver se os melros caíam. Ou com o vizinho, Heitor, a brincar ao escorrega  junto à capela. E os livros, a dormir dentro da pasta.

Agora, ali estava ele às aranhas, sem saber a lição...

Estava neste enleio quase feliz, quando de trás, voou a todo o vapor um cachaço, que o seu reflexo transformou em chapada.

Definitivamente, não resolveu a equação; bateu-lhe, estrondosamente, com a cabeça, como que a cabeceá-la pra longe de si. Chorou.

Ao fim do dia, regressou a casa mais triste que a própria tristeza. Sacou  o livro de matemática, a lousa e o ponteiro. Só houve intervalo ao jantar. À luz da candeia, no escano,  fez exercícios até o borralho acabar.  Finalmente entendeu aquela bodega.

A madrinha, a segunda mãe lá de casa, achou aquilo pouco normal:

- Tens tantos deveres pra fazer?

- Sim, tenho.

Não disse mais nada. Sabia quem era o réu caso fizesse queixa da professora. E o mais certo era acrescentar à chapada uma reprimenda daquelas.

 

A.V.

 

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às 19:39

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