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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


ENTRE VILA POUCA E O COVÊLO

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 17.09.09

 

 
Ao Nascer do Rio Corgo 
 
Talvez os deuses do Olimpo se tenham rendido à simpatia e simplicidade dos  aguiarenses do vale do Corgo e , em celestial reunião, delegassem em “ Tellus”, a deusa das terras férteis, o poder de decidir a melhor sorte e amparo para tão extensa e produtiva terra. Assim, toca a extremosa divindade a fazer crescer à volta da planície duas prodigiosas montanhas que, como uma concha, se unem fechando o vale no Covêlo ,e se afastam, abrindo-o em Vila Pouca.
Fértil como poucos, este grandioso vale de Aguiar nasceu e cresceu bebendo a seiva do Corgo – rio que nasce e renasce nas entranhas da Mãe - Vila - Pouca , que enche e reenche as veias e artérias das terras aguiarenses, inundando-as de vida, e ganha balanço nas escarpas de Vila Real para desaguar limpo e transparente no leito do Douro.
Mas é ali, junto às origens, que, ao longo das estações, o Corgo se desfaz em amabilidades: Nos picos solares do mês de Julho, lá vai ele socorrer a rama murcha dos batatais , ou as raízes sedentas dos milheirais; nos frios meses de Inverno, ei-lo pronto a inundar os campos cobertos de geadas , devolvendo a cor verde à brancura gelada dos lameiros e  nabais. E é este espectáculo de cor e de vida, esta festa da natureza, que os seus olhos querem ver do alto das penedias que tocam o céu no cimo  da Padrela e beijam as nuvens na crista do Alvão: Suba à Serra da Padrela. Escolha aquela  varanda , de onde todo o vale se avista, numa soberba visão panorâmica - o Viveiro de Parada. Sente-se num dos prodigiosos muros aí erguidos nos meados do século passado pelas mãos calejadas dos aldeãos de Aguiar. Olhe à sua frente. Que vê?
Do outro lado do Vale, uma serra rendilhada aqui e ali de imponderáveis casarios. Quase no cimo do monte, entre Soutelo e Pontido, uma imponente abóbora granítica , coroada pelas paredes soltas do castelo de Aguiar, como se fosse um posto de vigia guardando  as aldeias que  se estendem pelo vasto flanco da serra do sabugueiro.
E em baixo, junto ao Corgo jovem e ancestral, nos prados verdejantes que o acompanham, lá estão as manchas pretas e brancas de manadas prenhes de leite, pastando a tenra verdura dos lameiros ; lá está o frondoso renque verde dos amieiros, assinalando o lento serpentear  do rio; e o vai - vem de velozes automóveis a aproveitar a recta sem fim; e a  ex-fábrica de Tabopan a lembrar o seu curto passado de glória; lá está Telões, a  Igreja paroquial, o Padre Gil e a maior festa do Vale de Aguiar, no mês de Julho. E olhe o Pontido e a  sua banda  secular, lembrando procissões e romarias; Olhe Soutelo, a igreja paroquial e o Padre Amaro a ler e a ralhar do altar; Lá está Fontes e a Tele-escola; Lá estão Souto e Soutelinho ;Repare, quase em cima do vale, a aldeia de Vila-Chã e a da  Carrica a cheirar a pão quente; e veja, a trancar as portas do vale, o quase escondido Covêlo.
Suba agora a serra do sabugueiro, por entre frondosos carvalhais, até ao Castelo. Ei-lo, em crista,alcandorado no dorso rochoso de um enorme penedo.Impressione-se, agora,com  a dimensão e peso das pedras das paredes seculares, mesmo em cima da maior rocha das serranias que circundam o vale. É obra! “Como foram elas ali parar!” Sinta a vertigem dos píncaros desamparados. Qualquer aragem , ali, pode ser vento. Sinta-se alucinado com a imensa grandeza e profundidade  do vale:
Ao longe, ao fundo, para além do rio, Tourencinho, resguarda-se à sombra de fragas angulares, deixando sem espaço a natureza; e, em cima, em plena serra, quase no ermo, a Sra do Extremo , religiosamente só, na sua capela solitária ; O seu olhar curioso e vadio vai subindo o flanco serrano. Lá está a Gralheira ; Olhe ,agora, Zimão, terra do “Santo” Padre Manuel do Couto. Eis Parada do Corgo ou de Aguiar, a festa de S.Pedro, e o Comendador Pedreira; e olhe Freiria e Montenegrelo, tão juntas, à beira da sua minúscula capela de S. Bento.
E lá em cima, nos antípodas do Covêlo, a olhar, a norte, a vizinha Espanha e a sul o Vale que o seu filho rega, sobranceira, a “ legislar” o destino das gentes que a circundam, eis, no centro de uma soberba rotunda estradal, Vila Pouca de Aguiar, a unir em urbana fraternidade as vertentes serranas da Padrela e do Alvão: de um lado, o casario de Castanheiro Redondo, nos ombros da serra, a encher de vida as manhãs de sol nascente; do outro, o povo das Barreiras, nas faldas vertiginosas da montanha, sarapintando  as tardes de sol poente. E ao cimo destas, imponente e majestosa, no altar que lhe edificaram os aguiarenses, a Sra da Conceição  olha serenamente o  Vale de Aguiar -  que quis encher de enorme  riqueza e abençoar de eterna beleza.
 
 
                                        

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às 22:17

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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