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PARADA DO CORGO

viveiro em 1987


A MAIOR EMPRESA DE COGUMELOS A NÍVEL EUROPEU ESTÁ EM TRÁS OS MONTES

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 15.03.13
O Presidente da República, Cavaco Silva, visita esta sexta-feira a Sousacamp, que está a concluir um investimento da ordem dos 90 milhões de euros, num ciclo de expansão iniciado em 2008, tornando-se no maior produtor europeu de cogumelos frescos.

Sediada em Vila Flor, a empresa liderada por Artur Sousa (na foto) conta ainda, em Portugal, com unidades industriais em Mirandela, Vila Real e Paredes, e, em Espanha, nas localidades de Palência, Albacete e Barcelona.

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às 00:56

O FRUTO DE TRÁS-OS-MONTES

por cunha ribeiro, Sábado, 27.10.12

 

 

Produção de castanha chega às 450 toneladas
Produção de castanha chega às 450 toneladas

A campanha da castanha deverá atingir este ano uma produção de cerca 450 toneladas contribuindo assim com mais de meio milhão de euros para o aforro de 1500 proprietários de soutos no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Para o presidente da Câmara Municipal, Domingos Dias, «a castanha é o ouro da agricultura no concelho, sendo o produto que mais contribui para a sobrevivência dos agricultores que trabalham neste setor». As maiores manchas de castanheiro no concelho situam-se nas encostas da Padrela e no planalto de Jales, seguidas de vale de Aguiar e vale de Avelames.

Ainda que a campanha seja razoável, sentiu-se um atraso na produção devido às condições meteorológicas levando a que cheguem mais tarde ao mercado. Este facto, contudo, não esmorece as cerca de 1500 famílias que, diariamente, se deslocam para os milhares de soutos existentes com o intuito de apanhar a castanha, sendo as espécies mais representativas, em termos de produção, a Longal, a Cota e a Judia.

Com o objetivo de melhorar a produção, o Gabinete de Apoio ao Agricultor auxilia os produtores locais com análises do solo e de folhas para instalação e manutenção de soutos, aconselhamento técnico em nutrição, pragas e doenças ou no processo de candidaturas a fundos comunitários, entre outros.

A execução de podas, aplicação de tratamentos de controlo do cancro, tinta e bichado, realização de limpeza de matos em soutos e equipas disponíveis para apanha de castanha são serviços prestados pela Aguiarfloresta aos proprietários da região.

A castanha é tão representativa do setor primário no concelho que existe um castanheiro classificado como Árvore de Interesse Público. O exemplar denominado pelo seu proprietário como “o último romano vivo”, está localizado na aldeia de Vales, freguesia de Tresminas. O Castanheiro dos Vales tem 14,20 metros, sendo necessárias onze pessoas para o abraçarem, e produz cerca de 200 kg/ano.

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às 12:02

FORTUNHO

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 23.04.10

 

 Embora nunca tenha ido a Fortunho, este nome entrou muito cedo no meu vocabulário.

 É que a Aurora ( como lhe chamavam os mais velhos que naquela altura, década de sessenta, conviviam comigo) era de lá.

 A Aurora  Casou com o Ti Manel Clara, com quem viveu em Parada, se não estou em erro, até se cansar.

 A   (Ti) Aurora ia, de quando em vez, cozer a broa de milho no velho forno de nossa casa. Tinha um ar sombrio, os olhos e as faces avermelhadas. Bebia, pronto.

 Não me lembro da Aurora e do ti Manel Clara senão nesse curto período de antes da escola primária.

 Dos filhos apenas recordo o António, a quem chamávamos Vicente. Não sei se era um nome daqueles que se arranjam para ridicularizar as pessoas, ou se era mesmo um nome de família.

 O certo é que o António tinha uma particularidade comportamental que ainda não pude esquecer: dava turras.

 Não sei por que estranha razão o fazia, mas muitas vezes vi o rapaz a "marrar" com a testa no escano  lá da cozinha, enquanto a Aurora forrava com bosta de vaca  a porta "esbotenada" do forno.

 Hoje conheci alguém da terra da Aurora e a pergunta saiu logo, lesta: " Conhece a família da Aurora?"

 

 Que sim, que conhecia muito bem, embora a  Aurora, ela própria,já tivesse falecido há muito.

 - E o António?

 - Esse ainda anda por aí. Bebe; pede comida... E é exigente! Adora água com açúcar...

 - Água! Com açúcar?! Exclamei.

 - Sim, respondeu a minha interlocutora.

 - E ainda dá turras?

 - Dá, e não são poucas... Respondeu.

 

Depois, foi o desfiar de  um rosário de vidas muito parecidas , nos membros daquela família, em que a fome, o álcool e a miséria foram e são o pão nosso amargo de cada dia.

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às 22:20

Parada do Corgo

por Fer.Ribeiro, Quinta-feira, 15.04.10

Texto e foto publicado originalmente no blog Devaneios, mas como a Parada é do Corgo e as nascentes são das terras de Aguiar, penso que também fica bem neste blog.

 

 

 

 

.

 

 

Parada

Nos caminhos apertados entre montes

Os mesmos, quem sabe, que no meu reino da montanha

Me levavam e terminavam num Muro

Onde o aperto

dava pelo nome de liberdade

difícil mas total

pura e simples

Onde a sede

se matava na frescura

das águas das nascentes.

 

Tal como Torga

Também eu ia beber água nas minhas fontes votivas

Originais e sem pecado.

 

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às 02:30

MEMÓRIAS DE INFÂNCIA

por cunha ribeiro, Sábado, 24.10.09

 

O DOUTOR ACÁCIO
 
Em Parada de Aguiar só houve, até hoje,um doutor "digno desse nome":  Chamava-se Acácio, ou melhor,  Dr Acácio.
Morava bem perto do Ti Augusto Ferreiro.
 
Não sei o que o homem fazia no seu dia a dia. Só sei que um "belo" dia, teria eu cinco ou seis anos, me levaram a casa dele, com uma infecção no pulso do braço esquerdo.  Meio ao engano, lá fui, ao colo da minha mãe.
Subimos as escadas que davam acesso à casa do meu "salvador". Entrámos. E já não me lembro se me sentaram, se me deitaram, ou se me fizeram a coisa de pé.
O que eu me lembro é de ver um garfo de ferro em brasa, nas mãos do Dr. Acácio, que se aproximava de mim com aquilo.
Talvez sossegado pela certeza protectora do amor maternal ( as nossas mães são castelos na nossa infância, onde nos refugiamos, esquecendo todos os perigos e medos.), estendi o meu pulso esquerdo ao “doutor” ( que, se a minha mãe me lá tinha levado, tinha que ser competente…), e num pequeno segundo, enquanto soltei um berro que deve ter feito parar a forja do Ti Augusto, o mal foi todo queimado até à raiz.
Ainda hoje cá está o “ carimbo” que me fará recordar para sempre aquele homem magro e habilidoso de Parada de Aguiar, que sabia dar aos garfos de ferro uma dupla utilidade:
Umas vezes ajudavam-no nas refeições ; outras vezes curavam infecções.

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às 14:48

OPINIÕES, Almeida de Sousa

por cunha ribeiro, Quinta-feira, 22.10.09

 

OBVIAMENTE NÃO SE DEVEM DEMITIR
 
 
Sou de opinião que a Concelhia de Vila Pouca de Aguiar do Partido Socialista não se deve demitir.
E por três razões essenciais:
Primeira: Iria fragilizar ainda mais o PS local, num momento em que, infelizmente, atravessa uma crise profunda.
Segundo:  Não há mais ninguém, no PS local, que seja capaz de fazer melhor do que tem feito esta comissão política. Que só ainda não ganhou a Câmara depois de Domingos Dias lá ter entrado.
Terceiro: Os resultados obtidos nas freguesias provam, justamente, as qualidades da comissão. Veja-se o caso de Telões, onde o PS esmagou o PSD.
Quarto: Como muito bem diz o ditado “Em equipa que ganha não se mexe”, logo não é aconselhável haver demissões ou mudanças na actual estrutura da Concelhia.
                                                  
Haja, pois, paciência, que um dia o poder há-de cair, de maduro,nas mãos do PS.

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às 19:12

QUINTAS E RESTAURANTES DE SONHO

por cunha ribeiro, Domingo, 18.10.09

 

CHAVES- QUINTA DE SAMAIÕES
 
 
Fui a esta quinta, a convite de um amigo aguiarense, para o casamento da filha.
Entrei e comecei a gostar.
Eu gosto de sítios onde a natureza tem aquele ar ainda virgem, genuíno e natural que o Criador quis que tivesse.
Por isso lá está o granito no chão  da entrada e nas paredes do restaurante;  a água a jorrar aqui e ali;
Ao fundo, num vale cavado por um ribeiro, um lago reflecte a verdura das margens e espelha o azul do céu.
 
E a ruralidade das árvores e dos arbustos agarrados ao humus dos outeiros e vales?E aquele canastro vermelho-cinzento? Não será isto uma bela amostra do paraíso?
E come-se e bebe-se como, antigamente, nas casas paroquiais.
E o vinho é soberbo.
O resto, é tudo uma festa. Uma orgia dos sentidos; uma cataplana de sensações; uma sequência de imagens Inolvidáveis.
No fim, saí, feliz, e continuei a gostar.
 
 

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às 15:38

MEMÓRIAS

por cunha ribeiro, Sexta-feira, 16.10.09

 

A ABELHEIRA
 
Ele há sítios que só numa aldeia podem existir. São aqueles lugares que se aninharam na nossa memória, e que tempo nenhum consegue apagar.
Um desses sítios é a “Abelheira”.
Eis um nome que eu pronunciava como outro qualquer. Foi preciso que o tempo passasse para perceber que os nomes dos sítios transbordam de significado. Como este ( da Abelheira) que me faz relembrar o espaço onde, pelas ventanias do Outono, caíam muitas e magníficas castanhas.
 Mas se era um lugar de tanta castanha porque se chamava “Abelheira”!?
Abelheira teria que ser, isso sim, um sítio de muitas abelhas. Agora castanhas!
E com efeito, assim era. Nas solarengas encostas da Abelheira não havia apenas castanhas. (Ou, para ser mais preciso, nos arredores da Abelheira). É que o Sr. José da Chã, para além de bom carpinteiro e de exímio dador de injecções, também se entregava com enorme carinho à apicultura. E tinha por ali uns cortiços. E, à volta deles, enxames de abelhas esvoaçavam, na prodigiosa procura do doce dourado.
E que magnífico mel saía dali!
Ainda hoje o vejo escorrer do favo para a tigela. E sinto aquela doçura a deslizar na minha garganta! ( O sr Zé da Chã não era egoísta, e lá em casa, todos os anos havia mel oferecido por ele).
 Mas a Abelheira vem, por vezes, à minha memória por outra razão - As castanhas.
 
E quando a memória fala comigo do fundo da minha infância recorda-me esse tempo maravilhoso em que, no meio da ventania vinda de Braga, subia o velho caminho para Montenegrelo, até alcançar o Souto da Abelheira.
O vento soprava forte. E tinha razão p`ra soprar. É que, nas largas copas dos castanheiros, os ouriços gemiam de dor. Era a altura do parto. Sempre em Novembro. Os lobos uivavam na serra. A chuva caía em bátegas puxadas pelas fortes rajadas do vento.
Do ventre rasgado de inchados ouriços saíam sorridentes castanhas que eu apanhava num sopro. É que em poucos segundos, ficava um trapo devido às fortes descargas de água, em cima das costas. E guarda chuva nem vê-lo, pois já tinha voado, desfeito nas asas do vento. 
 
( continua)

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às 22:22

PARADA DE AGUIAR : UMA ALDEIA COM PASSADO E COM FUTURO

por Fer.Ribeiro, Sábado, 18.07.09

(Vista Geral de Parada de Aguiar - desde Soutelo)

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Na década de sessenta, Parada era uma aldeia a viver na sombra da fortaleza económica  da família  Chaves. Os poucos sinais de modernidade - carro, televisão, rádio - estavam quase todos naquela casa, que concentrava na sua posse a maior superfície de terra produtiva (e não produtiva) da aldeia.

 

Três automóveis apenas tinham garagem em Parada: a “furgoneta” do Sr. Agostinho Campos; o velho “taunus” do Sr. Tavares ( marido da Dona Alcina, a professora primária) e o carro do Sr “Manuelzinho” Chaves.

 

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Televisões, que me lembre, não passavam de cinco: as do Sr. José Branco, do Sr. Chaves e a da taberna do Sr. Alfredo eram de acesso público . A do Sr. Chaves tinha a particularidade de transformar a enorme sala de visitas da casa numa autêntica sala de cinema. Em duas ocasiões do ano,  autênticas romarias populares  apinhavam-se em frente à mágica TV, sentadas soalho além: Era no 13 de Maio, com as cerimónias de Fátima, e no dia do festival da Eurovisão.

 

As duas televisões que restam estariam nas casas do Sr. José Dias e da professora primária.

 

Quanto aos aparelhos de rádio, haveria certamente mais alguns, mas ainda me está na memória aquele formidável rádio, todo em madeira, em cima de um pequeno móvel, na sala de visitas do Sr. Chaves.

 

A maioria das casas eram já velhas, com telhados também velhos, cheios de pequenas pedras, para que as telhas não voassem em dias de tempestade.

 

Havia um capela minúscula no cimo do povo, onde a dona Glória,( com a capela cheia!) rezava o terço no mês de Maio. Tinha um adro coberto, à entrada, a separá-la do tanque.

 

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Nem o largo da “cuscarreira”, nem o “do cimo do povo” tinham as dimensões que hoje têm .No largo da “cuscarreira” ( a casa do povo da aldeia , onde a  “cusquice” faz de jornal)  havia uma casa em ruínas que por vontade ou inércia de muitos ainda lá estava hoje. E no largo do cimo do povo, havia uma horta com quelhas à volta, cobertas por uma ramada.

 

Veio a década de setenta, o 25 de Abril  e a força da construção. Os emigrantes começaram a levantar as suas casas  no bairro da Cruz. Parada vestia-se de roupa nova para o lado do Rio Corgo. Foi justamente nesta década que o interior da aldeia se transformou, Graças ao entusiasmo de alguns homens e mulheres de mérito ( alguns e algumas já falecidos e esquecidos) reconstruiu-se e alargou-se a capela; construiu-se o largo do cimo do povo; alargou-se o da cuscarreira. E é ainda por esta altura que nasce o primeiro caminho a sério para o viveiro.

 

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Na década de oitenta, já com conselhos directivos e juntas e dinheiro daqui e dali o que é que se fez? Alargaram-se alguns caminhos.

 

Mas, no seu centro urbano, Parada nada mudou. Só alguns telhados novos iam alegrando a aldeia. Quanto a ruas e largos, nada se fez, nada se criou.

 

Na década de noventa tudo na mesma: mais caminhos, só caminhos.

 

E nesta década? Ainda caminhos.

 

Claro que a junta  lá foi fazendo as suas inevitáveis obras: alcatroou dois pedaços de estrada e implantou o inacabado saneamento.

 

E assim, com tanta dedicação aos caminhos e nenhuma às ruas e largos da aldeia, qual o resultado?

 

Parada tem caminhos para dar e vender no meio do monte e das bouças .Mas tem uma rua no meio da aldeia onde nem os carros podem passar.

 

 

DEOLINDA PIRES DA CUNHA, Paris

 

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às 01:01
editado por cunha ribeiro a 20/10/09 às 12:56

Parada de Aguiar na Blogosfera

por Fer.Ribeiro, Quinta-feira, 16.07.09

 

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UM BLOG DE ALDEIA COM VISTA PARA

O MUNDO

 

 

O BLOG “Parada de Aguiar” nasceu com um objectivo primordial:

 

Levar Parada às gentes que aí nasceram, ou viveram, e a todos os que, por algum motivo, sintam por esta terra um tudo nada que seja de carinho e sedução.

 

E tem um desejo:

 

Ser anfitrião, franco e aberto, de toda a sua diáspora.

Diáspora que vive, hoje, por esse mundo além, com o coração prenhe de recordações da sua aldeia.

 

E uma esperança:

 

A de ser visitado por todos, e que todos se sintam, no blog, como em sua própria casa.

Podendo, ao visitá-lo, reviver, com emoção, o passado. E conversar, como se estivessem sentados, naquela escada de pedra da Cuscarreira, ou a beber um copo no café da Lígia, lembrando os que, outrora, também beberam na “taberna da Graça” ou na do “Ti Alfredo”.

 

E mais:

 

Que seja um espaço onde a crítica construtiva, descomplexada, e sem preconceitos,  tenha lugar, mas sempre guiada pelo respeito e consideração de uns pelos outros, sejam uns e outros quem forem.

 

Este blog será, pois, um sítio aberto, plural e transparente. Será do povo e para o povo. E o povo, no nosso conceito, é toda a gente, tenha o nome ou a profissão que tiver: o velho e o novo, o pobre e o rico, o culto e o inculto.

 

Neste Blog só a perfídia, a má fé, a reserva mental, a desonestidade, ou a falta de educação serão objecto de censura.

 

Não contem, por isso, com discriminações de nenhuma ordem.

 

Está pois aberta a confraternização e a “discussão” de Parada com o mundo e do mundo com Parada.

 

 

 

Francisco Cunha Ribeiro e Fernando Couto Ribeiro

 

 

********************

 

 

Mas, para além do que fica dito, e que é muito, o que é que, de dentro de nós, nos animou, e fez com que este blog surgisse?

 

Eu, Cunha Ribeiro, falo por mim:

 

Nasci em Parada de Aguiar há 50 anos. Logo, tenho comigo um pedaço da história da aldeia para contar. Vi nela os carros de bois a chiar; muito centeio a malhar; muita gente a lavrar, semear, sachar e regar.

Vi gente a fazer tudo isso e muito mais. Gente que fez em Parada toda a sua vida e, até, gente que fez de Parada uma das razões dessa vida.

E hoje, apesar de viver fora da aldeia, sinto que estou perto dela. Porque a recordo; porque a relembro; porque gosto dela.

E é tudo isso (e mais) que tentarei registar neste blog.

Com a preciosa ajuda do Fernando Ribeiro, que é da minha família, e espero,  de toda a “família” que neste blog se encontrará.

 

Francisco Cunha Ribeiro

 

********************

 

“Vou falar-lhes de um reino maravilhoso. Embora muitas pessoas digam que não, sempre houve e haverá reinos maravilhosos neste mundo. O que é preciso, para os ver, é que os olhos não percam a virgindade original diante da realidade e o coração, depois , não hesite. Ora, o que pretendo mostrar, meu e de todos os que queiram merecê-lo, não existe como é dos mais belos que se possam imaginar. Começa logo porque fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os torne mais impossíveis e apetecíveis. E quem namora ninhos cá de baixo, se realmente é rapaz e não tem medo das alturas, depois de trepar e atingir a crista do sonho, contempla a própria bem-aventurança.(…) “

 

In Reino Maravilhoso de Miguel Torga

 

Embora eu seja flaviense de nascença, Parada é o meu reino maravilhoso. Um reino que foi descoberto nos primeiros anos da minha vida, com a  tal virgindade original de quem descobre as coisas primeiras e as regista para todo o sempre na memória. Parada faz parte da minha memória mas também da minha formação, não aquela que se aprende na escola, mas daquela formação que se aprende em contacto com a terra, com a natureza, com as pessoas,  com os dias que nascem com o nascer do sol e morrem quando o sol se põe.

 

Recordo de Parada os acordares manhã cedo com o chiar dos carros de bois, as cabras a pedirem a abertura de portas, as noites iluminadas pela candeia de azeite, o carrar a água da fonte da igreja ou da escola, o sabor da sêmea fresca, as viagens monte fora até ao “muro”, as brincadeiras no Corgo junto ao “amieiro”, os sonhos de liberdade no “fojo”, as vindimas, o pisar as uvas, o fazer o vinho, o frio das manhãs de primavera, o cantar das pedras pelo tio Augusto pedreiro, a “amarela” e a “castanha” do tio Alberto e toda a importância do mundo que eu assumia quando atravessava a vara à frente do nariz delas… Recordo o meu avô Alfredo, o único que conheci e a minha avó Carminda, que sem ser minha avó, era a melhor avó do mundo, mas sobretudo, recordo a alegria do meu pai nos seus regressos à terra mãe. Alegria que se desenhava no rosto mal descia-mos no apeadeiro e o acompanhava cruz acima até chegarmos a casa. Recordo o estranhar a pronúncia dos “setantas, oitantas, novantas, cem” e o tratarem o meu pai por Manel, o encanto dos  canastros, o cantar do cuco, a taberna do tio Alfredo… enfim, recordo esse reino maravilhoso que faz parte da minha infância e juventude, mas também a aprendizagem das vidas simples e humildes, do trabalho da terra, do merecer o pão que se come e da inter-ajuda das tornas e outros saberes que faziam da aldeia uma comunidade e, para mim, uma escola da vida e de aprendizagem das coisas primeiras, que fazem também com que Parada seja a minha aldeia.

 

Com a globalização dos dias de hoje, reencontro na NET o Francisco Cunha Ribeiro, o meu primo, com quem partilhava em Parada alguns desses momentos de infância, de trabalho mas também de lazer e algumas cumplicidades próprias de quem é da família, amigo e da mesma idade e não poderia deixar de aceitar o repto de pormos Parada na Internet e levá-la a todos os seus filhos e descendentes. Ele com o conhecimento da realidade de Parada e eu com aquilo que sei e que posso contribuir, ou seja com a imagem e com algumas recordações desse Reino maravilhoso que é Parada do Corgo ou de Aguiar, embora sem saber porquê, goste mais do primeiro termo.

 

Da minha parte, fica a grata colaboração neste blog e que seja também, em jeito de homenagem, um obrigado ao meu Pai (o Manel “fiscal”) ao meu avô Alfredo e à minha avó Carminda, mas também a toda a aprendizagem de vida e da terra, que aprendi em Parada. Blog que servirá também de pretexto para de vez em quando passar por Parada para a recolher em imagem. As palavras ficarão a cargo do meu primo Francisco ou de quem se queira juntar a este projecto de Parada estar presente na Internet.  

 

Fernando D. Couto Ribeiro

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às 02:35

Capela de Parada de Aguiar e Rua do Arco, com ef. especiais


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